Esportes
Em nome do amor, torcedores viram a casaca
FERNANDA MEDEIROS WELLINGTON SANTOS Manoel Macena de Barros, 70, aposentado, é, literalmente, torcedor de carteirinha do Corinthians Alagoano. Ele possui a carteira de sócio-titular do Tricolor da Via Expressa, que lhe dá o direito de assistir gratuitamente aos jogos com mando de campo do clube. A primeira via da carteira que tirou foi a de número 2. ?Mas como o documento tem validade, quando tirei a segunda carteira foi a de número 105?, explica esse ex-torcedor do CRB, que agora ?morre de amores? pelo clube tricolor. ?Eu torcia pelo CRB, mas em uma viagem que a torcida fez a Murici, para assistir ao jogo do Galo contra o Murici, acho que foi no ano 2000, fomos de ônibus para aquele município e, na volta, os ônibus vieram para Maceió e nos deixaram lá. A diretoria regatiana não teve a coragem de nos dar assistência e só saímos da cidade por volta das 20 horas. Achei uma falta de consideração para com a torcida, me decepcionei muito com o clube. A partir dali não torci mais pelo CRB?, justifica. De coração E justamente naquela época ele disse que o Corinthians estava ganhando força no futebol alagoano. Por isso escolheu o time do Tabuleiro para torcer. ?Hoje sou corintiano de coração. Torço tanto pelo Corinthians de Alagoas como pelo paulista?, revela. Manoel é do tipo que vai aos jogos, treinos e viagens que o clube faz. ?Não perco uma partida sequer, só não viajo quando é para um local muito longe. Estou feliz por torcer pelo clube e nunca me decepcionei com o pessoal de lá. Sempre sou muito bem tratado?, explica. Nem mesmo a má campanha do tricolor neste Campeonato Alagoano deixa ?seu? Manoel decepcionado. Perguntado se está gostando do time na competição, ele diz com tranqüilidade: ?Estou sim. Perder e ganhar fazem parte do jogo. Não me abalo com as derrotas, pois em uma partida temos de estar preparados para as vitórias e as derrotas?, observou, acrescentando que acredita no bicampeonato alagoano. Em todos os jogos, ele revela que tem uma companheira certa: uma camisa oficial do Corinthians, presente que foi dado pelo presidente do Conselho Deliberativo do clube, João Feijó. Outro torcedor corintiano é José Osório Cardoso, 61, pai de dois filhos, ambos regatianos. Ele diz que é torcedor fanático do time da Via Expressa, mas não se importa com a preferência dos filhos. ?Lá em casa é cada um na sua, sem brigas?, garante. Rádio de pilha Morador do Conjunto Benedito Bentes II, Osório afirma que é um ?pulo? sair de casa para ir assistir aos jogos do clube que ama, no Estádio Nelson Feijó. ?Vou a todos os jogos e treinos. E quando o time joga no interior eu também estou lá. Essa paixão já dura dois anos, quando comecei a acompanhar o dia-a-dia do clube?, revela. Com o rádio de pilha cor-de-rosa colado ao ouvido, o que chama a atenção de quem o vê, ele estava assistindo ao jogo entre Corinthians 2x4 Bom Jesus, na última quarta-feira. Sentiu uma pontinha de decepção, por causa do resultado, mas afirma que ainda confia no time. ?Acho que dá para ser bicampeão alagoano. Eu acredito nisso e vou torcer muito?, finaliza. ### Estatísticas, coleção de camisas, vale tudo pelo Tricolor Caso idêntico ao de Manoel Macena na troca das paixões futebolísticas, viveu o torcedor Mário Jorge, que se tornou outro aficcionado pelo Timão da Via Expressa. ?Eu era CSA e depois que o Corinthians foi fundado, no começo dos anos 90, comecei a ter simpatia pelo clube, até porque moro pertinho do estádio?, revela Mário Jorge. A paixão pelo CSA foi acabando, principalmente depois da derrocada do clube, hoje na Segunda Divisão do Alagoano. Para o azar do time marujo, a simpatia que nutria pelo CSA transformou-se em fanatismo pelo Corinthians-AL. E esse fanatismo de Mário pelo clube se expressa na coleção de todos os uniformes oficiais e de treinos já usados pelo Timão da Via Expressa, desde sua fundação, e nas estatísticas. ?Eu tenho todos os modelos de uniformes já usados pelo clube e tudo anotado sobre os jogos do Corinthians, com estatísticas referentes a gols, vitórias, derrotas, jogos oficiais e até amistosos?, diz. Em casa está guardado um verdadeiro arsenal de anotações feitas de próprio punho e um total de 11 modelos de camisas corintianas. Ele explica a paixão: ?O Corinthians quando foi criado nasceu para ser a terceira ou quarta força do futebol alagoano e eu sempre tive simpatia por times considerados intermediários?, diz Mário Jorge, ao confessar que a simpatia por clubes sem muita história e tradição começou nos anos 70. ?Nessa época eu simpatizava e até torcia pelo saudoso São Domingos, mesmo sendo CSA?. Vira casaca Nesse período, o São Domingos montou grandes times e ficou conhecido como time do empresário Miguel Spnelli, brigava de igual para igual com os grandes CSA e CRB. O clube tinha estrelas como os atacantes China, Gabriel e Reinaldo. Questionado se nunca teve problemas por virar a casaca, Mário justificou: ?Ora! Tem homem que troca de mulher como quem troca de roupa, por que é que eu não poderia trocar de time??, brinca. (WS/FM)