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Goleada humilhante p�e em xeque Dimens�o

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WELLINGTON SANTOS FERNANDA MEDEIROS A elástica goleada por 9x0 sofrida pelo Dimensão Saúde para o ASA no último domingo abriu uma nova discussão sobre os problemas de estrutura que têm envolvido a equipe neste campeonato. Dessa vez, ficou uma dúvida no ar porque os jogadores do Dimensão ameaçavam, de acordo com palavras do então técnico, Hélio Miranda Filho, o Helinho, não entrar em campo domingo, caso parte dos salários não fosse paga até antes da partida. Coincidência ou não, o fato é que o Dimensão, apesar de ser o lanterna desde o início do campeonato, nos últimos jogos vinha crescendo de produção e endurecendo a ?parada? com todos os adversários e até mesmo vencendo alguns, mas protagonizou a maior goleada da competição, justamente depois de uma reivindicação de pagamento de salários atrasados. E o ASA ainda se deu ao luxo de perder dois pênaltis. ?Não vi nada que pudesse merecer um registro antes do jogo por parte dos jogadores nos vestiários em termos de corpo mole. Mas fica sempre uma suspeita, pois foi uma vergonha e é assim que me sinto, envergonhado?, disse ontem o ex-técnico do clube, Helinho, que já deixou a equipe para ir para o Teotônio, time que vai disputar a 2ª Divisão do Alagoano. Hélio afirmou à GAZETA, sexta-feira passada, após receber proposta do Teotônio, que ?estou saindo do inferno para um paraíso?, referindo-se à falta de estrutura do Dimensão. O Dimensão já havia sofrido outra goleada, na sétima rodada, para o Corinthians Alagoano por 7x0, e até então tinha sido a maior do campeonato. Fora os vexames dentro de campo, o que tem chamado mesmo a atenção de todos são os fatos protagonizados pelo time fora dele. Jogadores já foram vistos bebendo água da torneira em uma mangueira; alguns se encaminhavam para o estádio em dia de jogo em ônibus de linha; e o mais grave: já dividiram até quentinhas no almoço e chegou a faltar água para beber durante as partidas. Na semana que passou, por exemplo, de acordo com palavras do ex-técnico, os atletas só treinaram duas vezes para enfrentar o ASA. ?O Dimensão não tem estrutura nenhuma de clube de futebol. Não sei se há critérios na Federação Alagoana de Futebol (FAf) para permitir a filiação de um clube como o Dimensão. Se há, não sei quais são. Por essas e outras, o Dimensão é o mais forte candidato ao rebaixamento?, disse Helinho, em entrevista recente. Estatuto Segundo o presidente da FAF, Raimundo Soares, a situação do clube é lamentável. ?A gente que faz o futebol no Estado vê com tristeza a situação do nosso filiado, pois sabemos que o Dimensão não tem uma diretoria que possa dar o suporte necessário para que o clube funcione dentro da normalidade. Tem contado apenas com a própria sorte e com a ajuda de alguns abnegados, sobretudo o presidente Claudemilson Fernandes?, disse. De acordo com o Estatuto da Federação, no artigo 52 - que trata das condições exigidas para filiação -, no inciso V, alínea c, diz que um clube deve: ?Possuir patrimônio próprio, bem como dispor, em caráter permanente, dos equipamentos e instalações necessárias à prática do futebol, devendo fornecer a localização de sua sede, campo e endereço para correspondência.? Sobre esse assunto, Soares afirmou que o Dimensão, apesar de não possuir estádio, tem um terreno, localizado em Ipioca, onde seria construído o estádio do clube. ?Se formos observar esse quesito de estádio, os clubes do interior também não possuem, mas jogam nos estádios municipais, como o ASA, CSE e os demais. Os únicos que possuem estádios próprios são CSA, CRB e Corinthians?, justificou. Com relação à sede, ele explicou que se trata do local (cidade) onde o clube ?habita? e detém o mando de campo. O vice-presidente de registros da FAF, Osman Duarte, informou que além do terreno, o Dimensão apresentou à FAF uma relação informando que tem uma sede localizada no bairro do Prado e outra no Centro. A GAZETA apurou, no entanto, que a sede oficial do clube, situada no centro de Maceió, funciona num prédio comercial, na Rua do Comércio, número 245, sala 104, no 1º andar. Além desses bens, Duarte disse que o clube relacionou o ônibus como um dos patrimônios. ?Em relação ao estádio, não é obrigatório o clube possuir um, mas, sim, necessário que ele escolha um local como sede, para treinos e jogos, e faça um convênio, como o clube fez ano passado, com a Prefeitura de Paulo Jacinto, cidade que sediou os seus jogos?, explicou. Ainda segundo ele, existe uma resolução de diretoria na FAF exigindo que os clubes apresentem a relação de todos os documentos e bens que possuem, para poder se filiar. ?O Dimensão apresentou essa relação, quando se profissionalizou em 2004, época em que disputou a 2a Divisão do Alagoano, mas este ano a situação é outra. Não seria o caso, no entanto, de desfiliar o clube da entidade, mas de afastá-lo do campeonato. Porém, essa teria de ser uma decisão da federação?, disse, acrescentando que o Dimensão ?entrou de maneira escusa na competição, tendo em vista os erros contidos no regulamento da 2a Divisão do ano passado?, opinou. Documentação O presidente do Dimensão Saúde, Claudemilson Fernandes, garantiu ontem que o clube está devidamente regularizado na FAF. ?Toda a documentação foi entregue à federação, que nos deu condições de participar do campeonato?. Questionado sobre se o clube tem diretoria constituída, Fernandes foi enfático: ?São nove membros, mas os atuantes são o diretor de Esportes, Hélio Miranda Filho; Ana Paula Ramos, presidente do Conselho Deliberativo; e Roberto Autopeças, que faz parte da Secretaria Executiva?, informou. ?Mas no papel são 60 integrantes que contribuem esporadicamente com pequenas quantias?, emendou. Disse, ainda, que o ônibus já foi vendido para pagar parte dos salários atrasados e reivindicados pelos atletas, que, segundo ele, não seriam três meses, e, sim, ?metade de um mês a 14 jogadores, que, inclusive, já foi paga?, afirmou. ?Só no dia 25 de março completará um mês?, acrescentou. Questionado se achou o resultado de 9x0 estranho para um time que reclamava de salários atrasados, Fernandes respondeu: ?Não tenho provas de nada, o que posso dizer é que, com exceção do Marcos Alagoano, que não jogou, o restante do time foi o mesmo dos outros jogos?, desconversou. Sobre por quanto teria sido vendido o ônibus, Fernandes foi ainda mais enigmático: ?Não quero falar sobre números, mas a quantia foi irrisória?, disse. Mas o próprio Fernandes afirmou à GAZETA, na sexta-feira passada, que o valor de venda do veículo era de R$ 8 mil.

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