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O desafio de praticar a luta ol�mpica

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ABIDES DE OLIVEIRA ?Luta livre não é esporte de mulher, é coisa de homem?, ?A luta deixa a mulher com o corpo masculinizado?. Genieire Alves, 26, cansou de ouvir esses e outros comentários quando decidiu praticar a modalidade, há quase um ano. ?Ainda passo por preconceito. Infelizmente ele começa dentro de casa, com a família. Mas eu não me importo?, comenta a atleta, que disputa, neste fim de semana, o Campeonato Brasileiro, em Vitória, Espírito Santo. Genieire Alves afirma que sua família passou a aceitar mais sua condição de atleta de luta livre depois da entrada de seu filho, Layon Szmitth, de dois anos, no esporte. ?Agora minha mãe e irmãos vão até assistir às competições que disputo. Mesmo assim eles não aceitam totalmente?, diz. Desempregada, Genieire, assim como a maioria dos atletas de luta livre, pratica o esporte no sufoco. ?Para atingir o objetivo, que é vencer, é preciso treinar, treinar, treinar. É difícil, mas não é impossível?, declara a lutadora, que descobriu o esporte através de uma reportagem na TV. ?Até então, nunca tinha visto ou ouvido falar nele. Achei?, completa, que até o ano passado era judoca. Em novembro de 2004, a atleta ficou em segundo lugar na sua categoria, a 55kg, na Copa Massayó de Luta Livre. Superação Rosa Bandeira e Gleice Rose superaram os mesmos problemas enfrentados por Genieire e hoje são apaixonadas pela luta livre. ?Para muitas pessoas mulher que pratica luta livre não é mulher. Infelizmente, essa é a visão da sociedade. Muita gente nem sabe que o esporte existe, imagine no feminino?, diz Rosa Bandeira. ?Não me preocupo com o que os outros pensam?, comenta Gleice Rose. Atualmente em Maceió, apenas 12 mulheres praticam a luta livre, cinco delas na categoria adulto, porém a maioria vem de outras modalidades, como o judô. ?Mas essa realidade é no Brasil inteiro?, informa Hudson Jatobá, da Federação Alagoana de Lutas Associadas, que tem sua sede localizada na Rua da Praia, Centro. A entidade já dispõe de uma equipe de base feminina, com atletas entre os oito e 15 anos. O esporte, que chegou a Alagoas em outubro de 2002, começou a ser praticado por mulheres um ano depois, em 2003. O grupo de praticantes também é restrito entre os homens. Apenas 25. ?Muitos abandonam ou não se dedicam ao esporte por falta de dinheiro?, comenta Hudson Jatobá. ### Como é a modalidade A luta olímpica é dividida em duas modalidades: a livre e a greco-romana. A área de combate, o tapete (sintético emborrachado), tem 12 metros quadrados, com um círculo central, onde os atletas iniciam a luta, e outro maior, de seis a oito metros de diâmetro (esta área de competição). Fora deste espaço, a área é considerada de proteção. Três árbitros fiscalizam o combate. O central é o mediador e os laterais são os chefes de arbitragem. A luta é realizada em três tempos de dois minutos, com 30 segundos de intervalo. Vence o combate o lutador que conseguir ganhar dois tempos. Mas a vitória pode ocorrer por pontos (superioridade técnica e diferença de pontuação) ou nocaute (quando o atleta encosta os ombros do adversário no tapete por cinco segundos). O que difere a luta livre da greco-romana é a utilização do corpo. Na livre o atleta pode usar qualquer parte do corpo para atacar e se defender. Na greco-romana a utilização do corpo só é permitida da linha da cintura para cima: braço, tronco e pescoço. Mas nas duas modalidades são proibidos golpes traumáticos, como soco, chute, estrangulamento e chave de braço. Na luta olímpica a musculatura do pescoço é muito exigida. ?Por isso é preciso usar, também, muito o corpo. Para ter firmeza no pescoço, é necessário ter firmeza no tronco e braços e ter pernas fortes?, afirma Hudson Jatobá.

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