Esportes
Carrasco do CSA agora veste azul e branco
FERNANDA MEDEIROS Após 22 anos, o meia-direita do CRB, na década de 80, Márcio Ribeiro, campeão pelo Galo da Pajuçara, está de volta a Maceió. Desta vez, porém, não veio como jogador nem para o CRB. Com 48 anos de idade, comemorados no dia 12 deste mês, Márcio José Ribeiro e Silva chegou para assumir o comando técnico do CSA, eterno arqui-rival do CRB, que defendeu em 1983, quando se sagrou campeão alagoano e foi até carrasco dos azulinos. Ele veio com a missão de reerguer o clube que o Galo ajudou a ?afundar?, mandando-lhe para a Segunda Divisão do Alagoano, em 2003. ?O nosso treinador em 1983 era Jorge Vasconcelos e depois quem assumiu foi o China. Ganhamos os três turnos e o último jogo foi contra o CSA, que precisava de uma vitória, para que houvesse um quadrangular, mas empatamos por 1x1?, recorda Márcio Ribeiro, que está na carreira de treinador de futebol há dez anos. Supertime Ele também recorda, nome por nome, todos os jogadores que faziam parte daquele supertime campeão do CRB. ?Tínhamos os goleiros Márcio Francisco e Carlos Coelho, os laterais-direitos Melo e Washington, o zagueiro Saulo e o quarto zagueiro Gilney e os laterais-esquerdos Carlinhos e Reinaldo. No meio-campo tínhamos os volantes Ricardo, Coca e Juarez, os meias Fanta, Roberval Davino, Demair e eu. Para o ataque, os atletas eram os centroavantes Aurélio e Joãozinho Paulista, além dos ponteiros Ivanildo e Valtinho. Era um timão?, elogia, acrescentando que lembra daquela época com saudade. Casal 20 Segundo ele, foi naquela época que nasceu o famoso ?casal 20? no futebol, nome em alusão ao seriado de TV, protagonizado por Robert Wagner e Stephanie Powers, que fez sucesso no início dos anos 80. ?O casal 20 nasceu no futebol alagoano e não no Rio de Janeiro, com Washington e Assis, do Fluminense. O casal 20 de Alagoas era formado por mim e por Joãozinho Paulista. Nós dois marcamos cerca de 40 gols no estadual de 1983, pelo CRB?, lembra. Gol do Fantástico Ele também recorda do belo gol que fez contra o CSA, naquele mesmo ano, em partida válida pelo Campeonato Alagoano, em pleno Estádio Rei Pelé, e que foi escolhido como o ?Gol do Fantástico?, da TV Globo. ?Dei um banho de cuia (chapéu) no zagueiro Josival, do CSA, na pequena área do clube azulino, e marquei. Foi um lance que ficou na história?, disse. O ex-jogador do Galo elogia o ex-companheiro de clube Joãozinho Paulista e lembra como era bom o entrosamento de ambos: ?Ele [Joãozinho] era um especialista na posição e facilitava as jogadas para mim. A gente tinha uma sintonia perfeita, pois quando olhávamos um para o outro já sabíamos o que fazer com a bola, que tipo de jogada iríamos realizar?, observa. Times inesquecíveis Natural de São José do Rio Preto-SP, Márcio Ribeiro, como jogador, passou por clubes como Grêmio de Maringá-PR, em 1977, quando se sagrou campeão paranaense. Também fez parte do grupo do Coritiba, que conquistou o Brasileiro de 1985. Nesse mesmo ano, emprestado ao Paysandu-PA, foi campeão estadual. ?Para mim os times inesquecíveis foram esses: CRB de 83, Coritiba de 84 e Paysandu de 85?, afirma. Como treinador, ele comandou equipes como Taubaté, XV de Piracicaba, Mirassol, Barretos, Ferroviária e Guaratinguetá, todos de São Paulo. E fez boas campanhas nessas equipes. Por exemplo, subiu a Ferroviária da Série B1 para a A3 e montou o time do Taubaté, que também subiu da Série A3 para a A2. Na Ferroviária, Ribeiro passou um ano e sete meses ? de julho de 2003 a fevereiro deste ano. Sobre a vinda para o CSA, ele afirmou que está tranqüilo, mas sabe que a responsabilidade é grande. ?Estou mais preocupado com a formação do time, mas como está sendo feita muito bem, posso ficar tranqüilo. Já estamos realizando os treinamentos em São Miguel dos Campos e isso é muito bom. Inclusive, já acertei com a diretoria azulina a realização de três amistosos e se puder fazer mais nós faremos?, disse. Os amistosos do CSA serão realizados nos dias 10, 17 e 24 de abril, sendo que o do dia 10 será em São Miguel dos Campos e os demais em Maceió, com equipes que disputam o Alagoano da Primeira Divisão. Vitrine Na opinião de Márcio Ribeiro, o CSA é mais uma porta que se abre na carreira de treinador. ?É um novo mercado que está surgindo para mim no Nordeste, pois em São Paulo já está aberto, em função dos clubes que já comandei por lá?, afirmou. Quanto à fanática torcida azulina, ele garante: ?Ela deve ter tranqüilidade e acreditar no CSA, pois a equipe vai ser muito boa, arrumada e forte. Não será um supertime, mas terá amplas condições de voltar à 1a Divisão do Alagoano. E para isso precisamos contar, também, com a ajuda dos torcedores, pois nosso objetivo é dar o título ao CSA?, finalizou.