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Des�bato admite ato, mas ser� liberado

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O zagueiro argentino Leandro Desábato, jogador do Quilmes, acusado pelo são-paulino Grafite de ofensas racistas, conseguiu a liberdade condicional na noite de ontem. O atleta será solto, hoje, através de um alvará obtido com o pagamento de uma fiança de R$ 10 mil no Fórum da Barra Funda. O precedente para a libertação do atleta foi concedido pelo juiz Marcos Alexandre Zili, do Departamento de Inquéritos Policiais do Fórum. Mesmo assim, o jogador argentino não está autorizado a deixar o Brasil. Desábato deve esperar o desenrolar do inquérito em território brasileiro. Hoje, Desábato deve ir ao Fórum da Barra Funda, pois a Justiça exige que o comparecimento para lavratura do termo de compromisso, sob pena de quebra de revogação do benefício. O argentino foi detido no estádio do Morumbi pouco depois do final do jogo São Paulo x Quilmes pela Libertadores, na noite de quarta-feira. Acusado pelo atacante são-paulino Grafite de ato de racismo, o jogador estrangeiro foi encaminhado ao 34º DP, onde passou a noite. Durante a noite, Desábato permaneceu em uma sala da delegacia. À tarde, a transferência para o 13º Distrito Policial foi pedida para preservar a segurança do jogador. Desábato foi indiciado pelo crime de injúria, com agravante em discriminação racial, após ter xingado Grafite durante a partida de quarta. O zagueiro admitiu ontem ter feito ofensas racistas ao jogador são-paulino. ?Estivemos com ele e em nenhum momento se mostrou arrependido. Ele inclusive admitiu textualmente o que disse e realmente ofendeu o jogador. Ele chamou Grafite de ?macaco?, ?negrinho? e mandou enfiar a banana em um lugar do corpo que eu não posso repetir para vocês agora?, disse Marcos Antonio Vito Alvarenga, presidente da Comissão de Negros e Assuntos Antidiscriminatórios da OAB-SP. O delegado seccional de polícia Dejar Gomes Neto confirmou que o argentino admitiu as ofensas. ?Ele achou que aqui essa ofensa não fosse crime. Achou que viria aqui apenas prestar depoimento e seria liberado. Quando descobriu que não seria assim, ficou bastante cabisbaixo. Ele repetiu várias vezes que não se arrependeu do que disse?. Desábato já começou a pagar pelas ofensas racistas a Grafite. Ontem, o zagueiro foi informado de que está fora da Libertadores. O paraguaio Nicolas Leóz, presidente da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), decretou a sentença: ?Ele não joga mais a Libertadores?. O treinador do Quilmes, Gustavo Alfaro, acusou os jogadores do São Paulo de armarem ?uma farsa? para provocar a prisão de Desábato. Já o governo federal emitiu nota oficial, onde chama o jogador de racista. O incidente teve repercussão no mundo inteiro. ### Racismo aumenta nos gramados do mundo Os casos de racismo nos estádios de futebol têm aumentado vertiginosamente nos últimos meses, inicialmente na Europa e agora também nos gramados sul-americanos. No Brasil, Wellington Paulo, do América-MG, foi suspenso por um mês por ter chamado o zagueiro André Luiz, do Atlético-MG, de macaco. Nos gramados europeus já foram vistos desde sinais nazistas até ataques pessoais contra o craque francês Thierry Henry, feitos pelo técnico espanhol Luis Aragones. Os brasileiros não escaparam das agressões, entre eles Ronaldo, Roberto Carlos e Juan. As ocorrências chamaram atenção da Fifa, que em março, criou uma comissão para combater as manifestações racistas no futebol europeu. A Federação Espanhola, a Uefa e a Fifa tentam coibir o racismo das torcidas punindo os clubes com sanções econômicas. Mas o valor das multas, sempre irrisório, não parece compatível com o problema.

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