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Esquecida, categoria de base do CSA pede socorro

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WELLINGTON SANTOS FERNANDA MEDEIROS Repórteres Se o futebol profissional do CSA deu uma guinada e uma sacudida de 360º no clube, com toda a infra-estrutura e conforto aos jogadores, o mesmo não pode ser dito em relação às categorias de base do Mutange. Denúncias feitas à GAZETA davam conta que os meninos das categorias júnior e juvenil não estão tendo o mesmo tratamento digno por parte da diretoria azulina. Para tentar constatar as supostas irregularidades, a GAZETA foi verificar in loco, no Mutange, semana passada, se as informações eram apenas fictícias ou tinham algum fundo de verdade. E tinham. Para preservar a integridade e evitar represálias àqueles que forneceram as informações, foram usados nomes fictícios de alguns dos personagens na matéria, com o sentido de resguardar as fontes de informação. ?Os treinamentos, como você pode verificar, vêm sendo realizado com apenas quatro bolas, quando o necessário seriam no mínimo 20?, disse um funcionário do clube, que pediu para não ser identificado, na hora em que começou a preparação para o coletivo tático. O depoimento foi confirmado por um dos jogadores das categorias amadoras do clube. ?Os profissionais dispõem de mais de 30 bolas para treinar?, confirmou também o torcedor Silva, que freqüenta os treinos no clube. Na concentração do CSA moram seis garotos egressos de várias cidades de Alagoas e as informações colhidas dão conta de que, algumas vezes, falta até água para beber e os atletas não têm direito a sequer um copo de suco e nem dispõem de uma simples televisão, por falta de apoio dos dirigentes. ?A gente não tem alimentação adequada e nem uma televisãozinha?, reclamava um dos meninos. A GAZETA verificou também que o material usado pelos garotos para os treinos, como os calções, estão encardidos de tão usados. O torcedor Silva revelou ainda que, para minimizar o problema, a diretoria da Junta Administrativa de Futebol chegou a ceder algumas chuteiras, ?mas não foi suficiente para atender a maioria dos atletas?, quase todos meninos carentes. Salários Quanto a salários dos jogadores e dos funcionários, as observações se dividem. ?Realmente nós passamos o maior sufoco aqui dentro, mas semama passada eles pagaram três meses?, disse um dos funcionários do CSA. Recentemente, o técnico da equipe de Juniores do Azulão, Carlinhos Marechal, trocou os carentes e batalhadores meninos que buscam uma esperança nos dias difíceis por que passa o CSA, pela infra-estrutura e total conforto do Corinthians Alagoano, na Via Expressa. Hoje com 43 anos, ele foi jogador do CSA desde os anos 80 e assumiu o juvenil em 2000. Carlinhos explica a principal razão de ter aceito a proposta do Corinthians: ?Saí de lá [do CSA] porque sei que agora vou receber em dia?, revelou o técnico que deu no ano passado o título de campeão invicto à garotada do Mutange na Júnior. Antes, ele já tinha deixado a equipe como vice-campeã em 2003 e 2002. ?É preciso que a diretoria dê mais atenção às divisões de base. Não tínhamos médico nem massagista. Como trabalhar com adolescentes e crianças sem atendimento médico? Se acontecesse algo, quem iria se responsabilizar??, questionou o ex-técnico do clube azulino, acrescentando que a junta de futebol profissional não tem nada a ver com esse fato. ?A responsável é a diretoria do amador?, observou. ### Dirigentes desmentem abandono O dirigente Nilson Macário, que compõe a diretoria amadora do CSA, desmentiu as denúncias de que as categorias de base do Azulão estejam abandonadas. ?A estrutura é boa e os garotos que moram no Mutange estão recebendo o apoio necessário. Eles estão bem acomodados e nós vamos construir mais um apartamento para eles. Aguardamos a liberação de recursos da campanha de arrecadação de notas fiscais, em parceria com a ONG Consulado Azul, para iniciar as obras de um modo geral nas acomodações das divisões de base?, explicou. Ele falou, ainda, sobre o convênio entre o CSA e o Centro de Estudos Superiores de Maceió (Cesmac), que colocará à disposição do clube profissionais de Odontologia, Fisioterapia e assistentes sociais. ?Estamos tentando essa parceria para que esses profissionais possam trabalhar com os atletas?, disse. Até a semana passada, o time juvenil estava sem treinador, mas foi acertado com o ex-jogador e treinador do próprio CSA, Tadeu da Costa Lima. Já para a categoria juniores, a diretoria contratou Tanemburgo Menezes. E o infantil do CSA é comandado pelo ex-jogador Mendes, que também treina os alunos da escolinha de futebol, ao lado de Zé Roberto Catuaba. Salários Ainda sobre a questão de salários, Carlinhos Marechal disse que o CSA ainda lhe deve os meses de novembro e dezembro de 2003, dezembro de 2004 e março deste ano. ?O clube pagou janeiro e fevereiro e reconheço que tudo o que o presidente Gino César pôde fazer ele fez. Inclusive, pagou o 13º salário do ano passado?, revelou. Ele lembrou que a atual situação por que passa o clube azulino, rebaixado para a 2ª Divisão do Alagoano, contribuiu para esse quadro precário. ?A estrutura atual não permite que as pessoas ajudem, que o clube tenha arrecadação com os jogos, pois está há muito tempo sem atividades, principalmente, o profissional, que é o carro-chefe, e só está retornando agora para a disputa da 2ª Divisão?, observou. Além de Marechal, o preparador de goleiros do juniores, Zé Carlos, também saiu do CSA e foi trabalhar no Corinthians. O presidente em exercício do CSA, Gino César, disse que a intenção da diretoria era que Carlinhos Marechal continuasse no clube. ?Ele é um excelente profissional, mas não tínhamos condições de aumentar salário de ninguém, como ele sugeriu?, disse o dirigente, acrescentando que foi efetuado o pagamento de duas folhas e ainda nesta quinzena serão pagas mais duas. Sobre as condições atuais das categorias amadoras do CSA, ele afirmou que ?a casa já está sendo arrumada?, pois recentemente a diretoria promoveu uma reforma na estrutura da escolinha de futebol, com banheiros, lanchonete, sala para os pais, entre outras melhorias. Nomes como José Milson, Ovídio Galvão, Nilson Macário, Elmo Dorta e José Raimundo Lessa, entre outros, compõem a diretoria de futebol amador do CSA. ?Além deles, contamos com a presença de Eriberto Lessa, professor de Educação Física, contratado para coordenar todo o futebol amador do clube, bem como a escolinha. É uma pessoa capacitada, inclusive com mestrado em futebol, pela Universidade de Campinas?, revelou o presidente Gino César. Apesar desses nomes, o cargo de vice-presidente de Futebol Amador, antes ocupado por José Francisco - o Zequinha -, que renunciou há alguns meses, ainda está vago. Remunerado Sobre as informações veiculadas na imprensa de que o gerente de futebol, Carlos Alberto Andrade, seria um funcionário remunerado do clube, recebendo um salário muito maior do que o do ex-diretor de futebol amador, Alexandre Targino, demitido pelo presidente Ricardo Coelho, Gino César foi categórico: ?O Carlinhos [Andrade] não está na folha salarial do CSA. Ele é pago pela Junta Diretiva de Futebol Profissional, ou seja, pelo deputado João Lyra, por Augusto Farias e Jorge VI, que vieram para o CSA com o objetivo de levar o clube para a 1ª Divisão do Alagoano. Não me interessa qual o acordo feito entre eles. O importante é que esse grupo está ajudando o CSA, com azulinos que estão interessados em rever o clube na elite do futebol do Estado?, justificou o dirigente. Inclusive, o trabalho desenvolvido pela Junta de Futebol Profissional no CSA já despertou ciumeira em alguns dirigentes, conforme a GAZETA apurou e divulgou na semana passada, o que foi confirmado pelo próprio gerente de futebol, Carlos Alberto Andrade. |WS/FM

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