Esportes
Grandes investem para deter paulistas
Preponderância de um Estado sobre outros Estados. A definição de hegemonia resume a situação dos clubes paulistas em relação às demais equipes no Brasileiro, que volta a ser disputado a partir do próximo dia 23 de abril, quando quatro jogos abrem a 35º edição do torneio. Desde 1971, quando a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) instituiu o torneio, os times de São Paulo conquistaram 13 títulos (sendo oito nos últimos 14 anos), contra 10 taças dos cariocas, cinco dos gaúchos, duas de mineiros e paranaenses e uma de baianos e pernambucanos. Diante dos números, cabe a pergunta? 2005 também será bandeirante? No que depender de Cruzeiro, Internacional e Atlético-PR, a resposta é não. As equipes, situadas fora do badalado eixo Rio-São Paulo, investiram para impedir novo triunfo paulista. Mineiros, gaúchos e paranaenses estão prontos para deter o atual campeão Santos, o milionário Corinthians, os imprevisíveis Palmeiras e São Caetano e o São Paulo, que conquistou o Paulistão mas que, sem o técnico Emerson Leão, pode perder um pouco de sua força. O Brasileiro será novamente disputado no sistema de pontos corridos, instituído em 2003. Vinte e dois clubes jogarão a competição, que terá 42 rodadas e será dividido em dois turnos. Time sensação do Brasil há dois anos, quando levantou, além do Brasileiro, a Copa do Brasil e o Mineiro, o Cruzeiro montou uma equipe sem fazer alarde, gastando pouco e apostando em um conjunto forte. Com Levir Culpi, vice-campeão pelo Furacão, o clube conseguiu dar início à pré-temporada com o elenco quase todo formado. Em janeiro, foram apresentados os laterais Athirson e Patrick, o goleiro Fábio, o volante Fábio Santos, o meia Kelly. Durante o Campeonato Mineiro, foram contratados o armador Lopes e o atacante Weldon. O experiente Argel, que estava no Racing Santander, foi o último a chegar, juntamente com Moisés, do Vitória. A estrela é o artilheiro Fred, goleador do Estadual. Tricampeão em 1975, 76 e 79, o Internacional abriu os cofres. Primeiro, o Colorado tratou de assegurar a permanência do treinador Muricy Ramalho. Mais tarde, reforços de peso foram adquiridos. Entre os nomes mais conhecidos estão o de Paulo César Tinga, ex-Grêmio, e o de Jorge Wagner, ex-Corinthians. /// Chulapa é o destaque no Atlético-PR Motivado, apesar da perda do título em 2004, quando foi ultrapassado pelo Santos na antepenúltima rodada, o Atlético-PR iniciou a temporada muito bem. Para compensar as saídas de Washington (artilheiro do Nacional com 34 gols) e do meia Jádson, a diretoria contratou 16 reforços. Destaques para o centroavante alagoano Aloísio Chulapa e o meia Rodrigo Beckham. O clube buscou jogadores estrangeiros: o lateral-esquerdo colombiano Marín e o zagueiro panamenho Baloy. A principal aposta do Furacão, porém, segue no elenco. Dagoberto se recupera de grave contusão no joelho e estará pronto para o Nacional. O atacante substituirá o alagoano Denis Marques e formará dupla com Aloísio. ?Contamos com o futebol dele, que é um jogador diferenciado. Mas sabemos que, dentro dos padrões brasileiros, manter um atleta como o Dagoberto no elenco é completamente improvável?, argumentou o presidente Mauro Celso Petraglia. Hegemonia comprovada Os times de São Paulo têm ditado o ritmo do Brasileiro desde 1990, quando o Corinthians sagrou-se campeão pela primeira vez. Nos últimos 14 anos, foram oito conquistas. Em 1995, 96, 97, 2000, 2001 e 2004 times bandeirantes ficaram com a segunda posição. O Estado também reúne as principais estrelas do país. Apesar do assédio das equipes européias, Robinho deve disputar a Série A pelo Santos. O presidente Marcelo Teixeira tenta segurar o camisa sete, pelo menos, até a Copa de 2006. A multa rescisória do astro é de US$ 50 milhões. No Parque São Jorge, a MSI, parceira do Corinthians, gastou cerca de R$ 150 milhões em reforços. Além de Tevez, ex-Boca Juniors e que custou US$ 20 milhões, chegaram os meias Carlos Alberto e Roger, o lateral-esquerdo Gustavo Nery, os zagueiros Sebá e Marinho e o volante Marcelo Mattos. Para o Brasileiro, Kia Joorabchian, principal executivo da MSI, acena com Vágner Love (CSKA) e Mascherano (River Plate). Campeão Paulista, o São Paulo perdeu o técnico Emerson Leão, que foi para o Japão, mas manteve a base que garantiu o 21º Estadual do clube. Rogério Ceni segue no gol, e a diretoria confirmou os laterais Cicinho, Júnior e o atacante Grafite.