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A via-cr�cis do jogador Souza, do ASA

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MAIKEL MARQUES Repórter Sucursal Arapiraca - O ASA vencia o Murici por 3 X 1, na tarde do domingo, quando o jogador José Jesus de Souza, 29, sofreu crise convulsiva e desabou no gramado do Estádio Municipal. Os médicos das duas equipes tentavam reanimá-lo e levá-lo à ambulância, cujo motorista tinha se ausentado. Desesperados, os atletas dos dois times arrastaram com força motriz a ambulância estacionada diante do único portão de acesso ao gramado. Uma viatura da PM seria utilizada como ambulância, mas o desespero chegou ao fim 10 minutos depois, quando o motorista da ambulância apareceu para abrir as portas do veículo e levar o atleta à Unidade de Emergência do Agreste. Hospital de referência no atendimento de vítimas de traumas, a Unidade impôs novo sofrimento a Souza, que dependia de exame de tomografia. O tomógrafo não funciona há seis meses. Ainda inconsciente, Sousa só conseguiu fazer o exame no Hospital Regional Santa Rita, em Palmeira dos Índios. Diante do resultado do exame - ?que nada de grave apontou? - os médicos do ASA transferiram o atleta para a UE do Agreste, em Arapiraca. Sousa ficou em coma induzido até o início da manhã de ontem, quando recobrou a consciência e perguntou o placar do jogo. Por volta do meio-dia, ele foi transferido para o Hospital Memorial São Lucas, empresa privada da qual o médico Luciano Machado, ex-presidente do time alvinegro, é sócio. No hospital, Souza foi submetido a exames de eletroencefalograma e ressonância magnética. ?Faremos todos os exames necessários para descobrir a origem do problema?, explicou o médico do ASA, Celso Marcos, segundo o qual o atleta já teve outras duas crises convulsivas, sempre depois de receber pancada na cabeça. Souza, que é sergipano, poderia ter encerrado a carreira de forma trágica em virtude da ausência de equipamentos. ?De fato, não dispúnhamos de equipamento adequado para prestar socorro ao atleta. Ele teve muita sorte?, admite Celso. O veículo tem estrutura simples e não dispõe, por exemplo, de desfibrilador, equipamento avaliado em R$ 5 mil e utilizado para retomar a regularidade dos batimentos cardíacos de qualquer vítima de trauma. ?Não havia na cidade UTI móvel que pudesse ficar no estádio. Pedimos apoio ao Corpo de Bombeiros, mas o único veículo disponível [ambulância simples] estava sendo utilizado no socorro de vítimas de acidentes?, explicou o presidente do ASA, Moisés Machado. Machado confirmou a ausência do motorista, que não teve o nome revelado, de sua ambulância. ?Ele se ausentou porque precisou ir ao banheiro?, justificou. Moisés criticou a falta de estrutura nos demais estádios de Alagoas. ?Em muitos deles não há ambulância. Não podemos ser crucificados nesse momento de dificuldade. Fizemos o possível pelo nosso atleta?, completou. O aluguel de uma ambulância com UTI móvel custa em média R$ 1.500 por hora. ?Somente duas empresas privadas dispõem, em Arapiraca, do equipamento para aluguel, o que nem sempre é possível porque a prioridade é o atendimento de seus clientes?, explicou um médico consultado pela Gazeta. Outra opção seriam as ambulâncias da UE do Agreste, mas os veículos - equipados com UTI - são destinados ao atendimento dos pacientes internados no hospital. ### Promotor deve se pronunciar sobre caso Procurado pela Gazeta de Alagoas para falar sobre o episódio, o promotor Saulo Ventura de Holanda, responsável pela Promotoria Especializada da Defesa do Consumidor do Ministério Público em Arapiraca, informou que só poderia se pronunciar sobre o caso ?depois que receber formalmente uma denúncia sobre o que aconteceu. Não posso me pronunciar agora, porque estou sendo informado nesse instante sobre o fato de a ambulância ter tido problemas para socorrer a vítima?, disse, ao acrescentar que se encontrava em Maceió e só quando chegasse a Arapiraca poderia tomar ciência de tudo. Saulo Ventura foi um dos que assinaram o Termo de Ajuste de Conduta, que obriga aos promotores de eventos esportivos, como a Federação Alagoana de Futebol (FAF) e a Secretaria Executiva de Esportes e Lazer, a cumprirem as providências relativas ao Estatuto do Torcedor. Saulo fez questão de ressaltar que caso receba uma representação, tomará as medidas cabíveis, e, em caso de existirem responsabilidades, a Promotoria agirá para fazer cumprir o Ajustamento de Conduta, feito há quase um mês, na sede do MP, conforme publicação do dia 14 de abril, no Diário Oficial do Estado. Se ficar esclarecido que houve a culpabilidade dos promotores do evento - no caso a FAF ou a equipe mandante da partida, o ASA -, a multa pelo descumprimento do que estabelece o Estatuto pode chegar a R$ 5 mil diários, da data em que foi assinado o Termo de Ajuste (14 de abril) até a data do ocorrido (8 de maio). Providências O capítulo IV do Estatuto do Torcedor, que trata da segurança, é claro quando determina, no artigo 16, que é dever da entidade responsável pela organização da competição tomar as seguintes providências, conforme o parágrafo III: ?Disponibilizar um médico e dois enfermeiros-padrão para cada dez mil torcedores presentes à partida?; e o parágrafo IV: ?Disponibilizar uma ambulância para cada dez mil torcedores presentes à partida?. O vice-presidente jurídico da FAF, Orlando Lins, afirmou que a responsabilidade de contratar as ambulâncias para os jogos é dos clubes que detêm o mando de campo. Neste caso, seria do ASA. Segundo ele, em Maceió a FAF tem um convênio com a empresa Alerta Médico, para enviar ambulâncias ao Estádio Rei Pelé. Mas no interior, a solicitação é do clube mandante da partida. ?A FAF diz as exigências, de acordo com o Estatuto do Torcedor, fiscaliza e as providências são tomadas pelos clubes. O que soubemos, no caso do jogador do ASA, é que a ambulância estava no local. A falha foi do motorista, que não estava lá para dirigir o veículo?, disse o vice-presidente jurídico da entidade. Sobre o fato de a ambulância que estava no estádio não ter as condições ideais para atender o jogador, ele disse que quando a FAF solicita aos clubes a ambulância, ?supõe-se que tenha as condições mínimas para atender os pacientes?. WS/FM

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