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No caminho da aventura

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ABIDES DE OLIVEIRA Editor de Esportes Correr, nadar, escalar, remar, descer corredeiras em um bote, desbravar locais desconhecidos, pedalar. Esses são alguns dos desafios de um atleta de corrida de aventura, esporte que a cada dia ganha mais adeptos no País. Modalidade nova, chegou ao Brasil em 1997 a corrida de aventura que reúne vários esportes, muitos deles radicais e pouco conhecidos, como o rafting (descida de corredeiras em um bote), trekking (corrida e caminha) e arvorismo (técnica de escalar ou passar de uma árvore para outra). Outros comuns, como a natação e canoagem. ?Existe uma diversidade de modalidades na corrida de aventura e também flexibilidade nos esportes a cada prova. Isto vai depender do organizador e aonde a competição é realizada?, comenta o empresário Paulo Cezár, pioneiro do esporte em Alagoas. Participar de uma prova não é fácil. As competições mais curtas duram cerca de cinco horas, as mais longas chegam até 15 dias. As distâncias também variam, podem ter 20km ou atingir 460km. A duração vai depender do percurso, por isso o atleta pode ficar 20 horas ou passar dias competindo. As condições pelas quais passam os participantes são as mais adversas possíveis. Enfrentar chuva, sol, regiões de difícil acesso ou lamacentas, mata fechada é comum. Dormir pouco ou ficar sem dormir, cansaços físico e psicológico ao extremo são outros desafios enfrentados. ?Não é só ter preparo físico, é preciso estar bem psicologicamente, ter espírito de equipe e saber superar as adversidades?, afirma o analista de sistemas Hélio Jugurta, que faz parte da equipe Usbão. ?O desafio maior é a superação do próprio limite. Você superar a si próprio. Mas a corrida de aventura não se resume apenas a isto, tem o contato com a natureza, a relação com as pessoas. Muito do que passo numa prova serve para o meu dia-a-dia. Ajuda a entender as pessoas e a conviver melhor com elas. Ajuda a viver melhor?, garante a analista de sistema Milena de Albuquerque, da equipe Bandoleiros. As disputas ocorrem entre equipes, sempre mistas (formadas por homens e mulheres). As modalidades básicas de uma prova são: mountain bike, trekking, canoagem, natação e técnicas verticais. ### Esporte chegou em Alagoas há 5 anos Em Alagoas, a corrida de aventura é um esporte recente, chegou há apenas cinco anos. A primeira prova realizada no Estado ocorreu em 2000. ?Já participava de corridas de aventura em outros estados. Resolvi promover uma competição e convidei alguns amigos?, diz o empresário Paulo Cézar, pioneiro do esporte em Alagoas. Depois dessa prova, afirma Paulo Cézar, muitas pessoas passaram a se interessar pela modalidade. Um ano depois da competição promovida por ele, ocorreu o I Circuito Alagoano de Corrida de Aventura. A competição entra em 2005 na sua quarta temporada. ?O esporte é o de maior ascensão no Brasil. Atualmente em Alagoas quatro equipes se destacam, têm um nível bom para competir aqui e fora do estado?, analisa Paulo Cézar, que faz parte da Oskabadapeste, equipe apontada como uma das mais fortes do Estado. Origem A corrida de aventura surgiu no final da década de 80. A modalidade foi criada pelo francês Gérard Fusil, que se inspirou nas competições de esportes na natureza realizados na Nova Zelândia, berço mundial dos esportes radicais. No Brasil, o precursor foi o empresário Alexandre Freitas, que trouxe o esporte para o País, em 1997, após participar de uma corrida de aventura na Nova Zelândia. Entusiasmado com o novo esporte, o empresário fundou a Sociedade Brasileira de Corridas de Aventura (SBCA) e no ano seguinte, 1998, realizou a primeira corrida de aventura do Brasil, a Expedição Mata Atlântica, com duração de três dias e 220km de distância. No mesmo ano, o País foi representado pela equipe mineira Brasil 500 anos no Eco-Challenge, prova considerada uma das maiores do mundo. Atualmente, a competição nacional mais importante é o Ecomotion PRO, que teve a participação de alagoanos em 2003 e 2004. |AO ### Esporte considerado caro e para poucos A corrida de aventura é considerada um esporte caro. Para iniciar na modalidade, gasta-se em torno de R$ 2.600,00. Segundo Paulo Cézar, da equipe Oskabadapeste, esse é um esporte que seleciona as pessoas. ?Por ser caro, acaba limitando os competidores. Às vezes há atletas com potencial e preparo físico, mas que ficam de fora por não ter condições financeiras?, comenta o atleta. A maioria dos praticantes, afirma Paulo Cézar, tem estabilidade financeira e já passou dos 30 anos. ?Não é regra geral, mas na maioria dos casos é assim. Por isso a maior dificuldade na hora de formar uma equipe são os altos custos dos equipamentos e pessoas com condições financeiras de participar?, avalia. Um corredor de aventura ideal, afirma Cézar, é aquele que passou dos 30 anos. ?Tem formação muscular completa, equilíbrio emocional e estabilidade financeira. Numa prova de aventura é fundamental e indispensável o emocional e o psicológico estarem bem. O algo a mais da equipe faz a diferença na hora da prova?, declara. Ter patrocinador é outro item que facilita. A equipe Bandoleiros, por exemplo, conta com patrocínio da Usina Coruripe, o que vem permitindo a sua participação em várias provas no Estado e no Nordeste. Treinamento A preparação para uma corrida de aventura segue, na maioria das vezes, a programação da prova a ser disputada. ?A cada competição temos um programa de treino específico. Agora, por exemplo, estamos nos dedicando à natação?, diz Hélio Jugurta, da Usbão, que se prepara para o Try On Adventure Meeting, prova a ser realizada no dia 3 de junho no Litoral Norte de Alagoas. A maioria dos praticantes de corrida de aventura não é exclusivamente atletas. Em Alagoas, as equipes têm entre seus membros empresários, arquitetos, analistas de sistemas, professores. ?Treinamos de segunda a sexta sozinhos e nos fins de semana em equipe. Todos trabalham e fica impossível ter dedicação exclusiva?, comenta o comerciante Nabor Barros, da Bandoleiros. AO ### Entenda como ocorre uma prova na corrida de aventura Antes da largada, as equipes recebem um mapa, onde estará todo o percurso da competição e os postos de controle (os chamados PCs, locais de passagem obrigatória de todas as equipes e onde estão os fiscais da prova). Mesmo recebendo esse mapa, geralmente, nenhum grupo conhece os trechos a serem percorridos. A cada PC, a equipe apresenta um passaporte, a ser carimbado pelos fiscais, que ainda inspecionam se todos estão transportando os equipamentos obrigatórios. Entre os itens obrigatórios estão: colete salva-vida, com capacidade de sustentar 20kg a mais que o peso do atleta, capacete, apito, lanterna, bússola. Para realizar a prova, é preciso, antes de tudo, saber interpretar o mapa e conhecer as técnicas de orientação. É aí que entra a bússola, equipamento fundamental numa corrida de aventura. Cada equipe é formada por quatro pessoas (é obrigatório ter pelo menos uma mulher como membro). É proibido, a qualquer membro da equipe, se distanciar do grupo por mais de cem metros. Caso um dos quatro participantes desista, a equipe é eliminada da competição. A corrida de aventura é antes de mais nada uma competição coletiva, de grupo e equipe. Existem três tipos de prova: a short adventure, mais curta e que leva de cinco a seis horas; as médias, com cerca de 20h (Circuito Nordestino, por exemplo); e as longas, de cerca de 10 dias (Ecomotion PRO). A seqüência de provas e os tipos de modalidades dependem do organizador e da região onde ocorrerá o campeonato. As equipes podem partir primeiro na modalidade trekking, depois passar para o rafting, em seguida competir na mountain bike (veja quadro sobre alguns esportes existentes na corrida de aventura). Vence a prova quem chegar primeiro.|AO

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