Esportes
Z� Carlos conquista a Cor�ia do Sul
WARNER OLIVEIRA Especial para a Editoria de Esportes Para o torcedor ele é polêmico, jovem talento que não leva desaforo para casa, um autêntico goleador. O que pouca gente sabe é que o alagoano Zé Carlos, 22, completados no último dia 24 de abril, jogando atualmente no Ulsan Hyundai, da cidade do mesmo nome, no sudoeste da Coréia do Sul, é um excelente pai de família, apaixonado pela filha Karen, de apenas 5 meses, e que diariamente conversa, por telefone, com sua mãe, dona Maria Severina, a quem reverencia pela dedicação em criar os cinco filhos sem a ajuda do pai. O atacante Zé Carlos é mais uma grande descoberta no futebol alagoano, jogador de família pobre e com uma infância dedicada ao trabalho, sempre para ajudar sua mãe e seus irmãos. De que forma? ?Aos 12 anos eu trabalhava como carregador na Ceasa, tinha que levar alguma coisa pra casa, pois às vezes a gente não tinha comida. Ganhava mais aos sábados, cerca de 25 reais. Cheguei a vender verdura e dividia o dinheiro com minha mãe?, lembra o jogador. A trajetória de Zé Carlos no esporte foi iniciada tão cedo como sua vida no futebol, quando esteve no Dínamo, Atlântico, CRB - onde foi destaque e ídolo da torcida -, por último no Corinthians Alagoano, clube que o projetou para o futebol internacional, já que esteve duas vezes em Portugal, atuando no Vizela e uma rápida passagem no Futebol Clube do Porto. ?Fui descoberto pelo Alarcom Pacheco e o Manoel Nascimento. Eles me viram jogar e as portas começaram a se abrir?, lembra Zé Carlos. Artilheiro Desde o ano passado Zé Carlos tem procurado se firmar no mercado coreano, já tendo participado de um campeonato nacional (Copa Hauzen e diversos amistosos). Ao todo foram 30 gol marcados recebendo sempre ?gordas? premiações. Semana passada ele voltou a disputar a Copa Hauzen e fez cinco gols, ficando o Ulsan em segundo lugar. ?Agora estou me preparando para mais um nacional?, afirma. O ex-carregador da Ceasa é hoje um homem feliz, juntamente com sua esposa, Kátia Helena, também alagoana, e a filha, Karen. ?Eu saio dos jogos e dos treinos e vou rapidamente para casa. Não vejo a hora de ficar com elas?, diz Zé Carlos, que mora num confortável condomínio de Ulsan, na Coréia. ?O meu prédio tem alguns jogadores brasileiros. O Reinaldo, ex-Criciúma, Palmeiras, Botafogo e Caldense, o Barbieiri, ex- Santo André. É um forma até de a gente superar a saudade da família, dos amigos. Estou feliz em jogar no exterior. É uma oportunidade que a gente tem de procurar melhorar a nossa vida e a dos nossos familiares?, comenta. ### Jogador não fez fortuna, mas procura aplicar o que ganha Apesar de não te feito fortuna, Zé Carlos procura aplicar tudo que ganha. Seu primeiro investimento foi comprar duas casas, em Maceió, presenteando sua mãe com uma delas. ?O que posso fazer por ela eu faço. O que ela fez por nós, trabalhando em residências, corria muito para não faltar nada?. Na família nem todos os irmãos tiveram a mesma sorte no futebol. O irmão mais velho, o Chapinha, desistiu mais cedo, enquanto Zé Cláudio é zagueiro e disputa o Alagoano da Segunda Divisão. Tem ainda as irmãs, Roseane e Conceição, a Ceiça. Não esconde que além da ajuda que manda para sua mãe colabora pagando a escola de alguns sobrinhos. ?É tudo muito duro, mas hoje posso ajudar?, garante. Segundo Zé Carlos, o país em que reside possui um custo de vida muito alto, citando que um quilo de carne chega a custar 100 dólares e uma calça jeans em torno de 300 reais. Mesmo assim, com um bom salário, ?nada milionário?, destaca, pretende continuar na Coréia ou quem sabe no Japão. Pelo menos propostas já estão surgindo. ?Meu contrato aqui vai até junho, mas estamos conversando com os dirigentes para uma possível renovação?. Zé Carlos sonha em comprar seu primeiro carro. ?Ainda não tenho um, mas em breve comprarei?, finalizou. |WO