loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Esportes

Esportes

Projeto de jud� � exemplo de supera��o

Ouvir
Compartilhar

WELLINGTON SANTOS Repórter Maurílio Antônio de Oliveira, 33, e Thiago de Melo Gomes, 16, dois jovens alagoanos esportistas que têm em comum exemplos de traumas e superação. Traumas, porque os dois passaram pelo crivo de experiências que modificaram o ritmo de suas vidas para sempre: eles não enxergam. Superação, porque o esporte é, atualmente, o abrigo que os dois descobriram para ampliar as oportunidades, ?e não de piedade, como ainda apregoam alguns?, filosofa Maurílio. Ele e Tiago participam há pouco mais de um mês do Projeto ?O Esporte Superando Limites - Judô para Portadores de Necessidades Especiais?, primeiro módulo de uma parceria entre a Secretaria Executiva de Esportes do Estado (Seel) e da Federação Alagoana de Judô. Maurílio começou a perder a visão em 1998, quando teve que se submeter a uma cirurgia de transplante de córnea, ocasionada por problemas de diabetes. Erro ?Me submeti ao transplante, e o profissional responsável pelo líquido da córnea cometeu um erro que custou o meu olho direito. A pressão foi enorme na minha vista que, em três horas, eu já havia perdido a visão?, relata Maurílio. ?Daí o processo foi acelerado e até mesmo o transplante do olho esquerdo que eu já havia feito, em função desse problema, também ficou comprometido e, por isso, perdi totalmente a visão?, completa o atleta. Já Tiago foi vítima de um acidente de carro, com o pai, em 2000 que lhe custou as duas vistas, isso o fez passar seis meses de fisioterapia e duas cirurgias de córneas, mas ainda sem sucesso para voltar a enxergar. ?Às vezes, fico em depressão, mas quando lembro-me dos companheiros e do incentivo e dedicação do nosso professor, tudo muda?, ressalta Tiago. O exemplo ?Essas pessoas nos ensinam a cada dia que, muito mais do que as limitações, é possível ter uma vida normal, repleta de emoções e o desejo sublime de vencer os obstáculos?, orgulha-se o judoca Irâ Cândido, instrutor voluntário dos 26 alunos deficientes visuais do projeto, que engloba de crianças a partir de 6 anos aos jovens de 36, todos provenientes de bairros carentes de Maceió e que estudam na Escola de Cegos Ciro Acioly. Irã foi o único remanescente de uma turma de 50 instrutores que fizeram o curso para judô a deficientes. ?Em função dessa força de vontade deles, a Federação e a Seel já pensam em ampliar o projeto e estou muito satisfeito?, diz Irã. ### Objetivo é disputar Jogos Paraolímpicos ?O nosso objetivo agora é chegar a disputar uma paraolimpíada. A palavra depressão foi riscada do meu dicionário faz tempo?, afirma Maurílio, ao apertar a mão de Tiago e completar: ?Minha medalha será a da luta, não a da luta física, mas aquela que prova a cada dia que posso estar aqui e, quem sabe, mais longe?, diz Maurílio. De imediato, Tiago, reflexivo, levanta o astral e filosofa: ?Saúde e paz, o resto a gente corre atrás?, brinca, ao fazer referência ao jornalista Pedro Bial. O judoca se entusiasma e, de pronto, sai com outra: ?Mirar nas estrelas, mas se chegar na lua é um grande passo?, completa, ao mostrar desejo de também disputar competições. Tiago ainda alimenta a esperança de fazer uma outra cirurgia para tentar recuperar a maior parte da visão. ?Mas se não conseguir, já penso em prosseguir com o judô e o goalball?, diz Tiago, ao se referir ao jogo criado especialmente para deficientes visuais. ?Bagunça? ?Com esse tipo de experiência, fica difícil não continuar e deixar de acreditar nessas pessoas, tal a força de vontade?, diz o instrutor. ?Essa galera adora um triângulo e uma zabumba. Na Besta, é uma bagunça só, isso é solidariedade, é esporte!?, completa Irã Cândido. O instrutor coordena a turma duas vezes por semana no espaço do Centro Social Urbano, no bairro do Santo Eduardo. Na parceria, a Seel entra com o transporte e os quimonos dos alunos. Já a Federação de Judô, com o espaço. ?Não existe registro no Brasil de uma turma que seja maior que essa em termos de iniciantes em judô para deficientes visuais?, informa. O instrutor, além de trabalhar a comunicação verbal, dispõe do método do estímulo auditivo (palmas) para sinalizar os golpes e os botes do judô aos alunos. O esporte ensina ser uma esperança de resgatar a auto-estima, mas, acima de tudo, mostrar a todos que é possível dar um golpe na tristeza daqueles que não acreditam no ser humano, na vida. |WS

Relacionadas