Esportes
Na Liga, Brasil d� volta e meia na Terra
Lello Lopes Uol São Paulo - A tabela da Liga Mundial de Vôlei 2005 obriga a seleção brasileira masculina a dar quase uma volta e meia ao redor do mundo. São cerca de 60 mil quilômetros no trajeto entre as sedes do torneio, percurso inteiro realizado a bordo de aviões. E essa rotina de vôos desconfortáveis é uma das principais reclamações dos atletas. Afinal, o grande problema é ?encaixar? jogadores que têm mais de dois metros de altura no espaço desenhado para passageiros com estatura-padrão de 1,80 m. ?A gente vai se ajeitando do jeito que dá?, afirma o oposto Anderson, um dos mais baixinhos da equipe, com 1,90 m. Martírio Ao acompanhar um dos vôos da seleção nessa Liga Mundial, o desconforto dos atletas é evidente. ?É difícil. Se a gente vê uma brecha livre, dá para esticar as pernas. Senão é complicado. Você fica com o joelho doendo?, diz o meio-de-rede Rodrigão, o mais alto da equipe, com 2,05 m. Os jogadores tentam de diversas formas amenizar o desconforto. Quando os vôos estão vazios, alguns conseguem vaga na classe executiva ou em poltronas com assentos livres ao lado. Outra tática é trocar de lugar com membros da comissão técnica, mais baixos. Entretanto, quando o vôo está cheio, a situação se complica. ?Já vi muita gente de pé?, conta Anderson. Andar pelo avião é quase uma rotina. Na viagem que acompanhamos a seleção, o novato Samuel foi o recordista de caminhada, passando boa parte do vôo circulando pelos corredores. Dores A principal reclamação dos atletas é em relação a dores no joelho. Segundo Guilherme Tenius, o Fiapo, fisioterapeuta da seleção, a seqüência de viagens pode aumentar um problema físico já existente. ?Isso não causa problema nenhum, só acentua um problema que ele já tem. Se ele já tem um problema de cartilagem, por exemplo, pode piorar?, disse Fiapo. Para o fisioterapeuta, cada atleta deve encontrar a própria fórmula para minimizar as dores e o desconforto da maratona de vôos. ?Eles já viajam há tanto tempo que cada um sabe bem o que fazer?, garante. Pelo menos, na atual edição da Liga Mundial, o pior já passou. A seleção já viajou mais de 45 mil quilômetros quando foi jogar fora de casa contra Venezuela, Portugal e Japão. O percurso daria para cruzar a Terra de ponta a ponta (a circunferência do planeta é de 40 mil quilômetros no equador ou 37 mil quilômetros nos trópicos). Comparando com as duas últimas ligas, às quais o Brasil conquistou, a seleção masculina não precisou viajar tanto. Em 2003 e em 2004, o time percorreu em média 35 mil km. Agora, o Brasil vai atuar em casa, em jogos em Brasília, neste fim de semana, São Paulo e Betim, num percurso de pouco mais de 2 mil quilômetros. O próximo vôo longo, entretanto, precisa ser confirmado. O Brasil tem que superar Portugal, Venezuela e Japão para ter o direito de cruzar os quase 10 mil quilômetros que separam o país da Sérvia e Montenegro, sede da fase final da Liga Mundial . A seleção masculina de vôlei vem mantendo a supremacia em torneios internacionais deste 2002, quando sagrou-se campeã mundial. Até 2004, o Brasil ganhou duas ligas, a Copa do Mundo e as Olimpíadas. ### Seleção busca o bi no Grand Prix A seleção brasileira feminina de vôlei já está no Japão para disputar o Grand Prix 2005. Atual campeão da competição, o Brasil estréia no campeonato no dia 24 de junho, contra Coréia do Sul. No dia seguinte, a seleção brasileira enfrenta a Polônia e encerra a sua participação na primeira semana do Grand Prix no dia 26 contra as japonesas. Todos os jogos serão em Tóquio. Na segunda semana, pelo Grupo E, o Brasil jogará em Macau, contra China, Polônia e Alemanha, entre os dias 1º e 3 de julho. Taipei é a cidade-sede na terceira semana, quando já estará no Grupo H com Cuba, Coréia e Holanda, de 8 a 10 de julho. A fase final será disputada em Sendai, no Japão, de 13 a 18 de julho, com Japão, país-sede, e as cinco seleções mais bem classificadas na primeira fase. Os seis finalistas ano passado foram Brasil (1º lugar), Itália (2º), EUA (3º), Cuba (4º), China (5º) e Alemanha (6º). O grande desfalque do Brasil para o torneio será a jogadora Mari, que deixou a seleção no dia do embarque para o Japão. A atleta sofreu lesão no ombro e será operada na quarta-feira.