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Sele��o brasileira: goleada, baile e t�tulo

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O torcedor brasileiro está de alma lavada. Ontem, com um futebol de encher os olhos e belos gols, a seleção brasileira vingou, com juros, a derrota sofrida para a Argentina pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, em junho, em Buenos Aires. Com grande atuação de seu quadrado mágico, formado por Ronaldinho Gaúcho, Kaká, Robinho e Adriano, o Brasil venceu seu eterno rival por 4 a 1, em Frankfurt, e conquistou o bicampeonato da Copa das Confederações. O primeiro título fora conseguido em 1997, na Arábia Saudita, sob o comando de Zagallo. Além de significar a revanche do jogo pelas Eliminatórias, a vitória na Alemanha significou o desempate nos confrontos entre Brasil e Argentina. Agora, são 34 vitórias brasileiras contra 33 argentinas. Houve 26 empates entre as duas equipes. Foi um começo de jogo empolgante da seleção. A Argentina até ensaiou a marcação sob pressão, como fizera quando venceu o Brasil por 3 a 1, em Buenos Aires. Mas na base do talento, a equipe encontrou os espaços que precisava. E com dois golpes certeiros atordoou os argentinos. Aos 11 minutos, bem ao seu estilo, Adriano recebeu passe de Cicinho, dominou na entrada da área e mandou uma bomba, sem chances para o goleiro German Lux. Um golaço! A Argentina respondeu em um lance em que a defesa do Brasil bobeou e Dida salvou aos pés de Delgado. Aos 14 minutos, Riquelme assustou com um chute rente à trave. A resposta foi imediata e com a assinatura de mais um craque brasileiro. Aos 15 minutos, Cicinho puxou o ataque pela direita, virou o jogo para a esquerda e encontrou Robinho. O craque do Santos viu Kaká sozinho em frente à área argentina e rolou para o companheiro dominar, livrar-se da marcação e chutar colocado, no ângulo. Mais um golaço do Brasil. Os dois golpes atordoaram a Argentina, que só foi esboçar reação a partir dos 30 minutos. A seleção recuou e buscou os contra-ataques em velocidade, apostando nos dribles de Ronaldinho Gaúcho e Robinho. Não fosse um pouco de preciosismo de seus craques, o Brasil poderia ter terminado o primeiro tempo com vantagem maior. Na volta para o segundo tempo, o técnico Carlos Alberto Parreira anunciou a estratégia brasileira: ?Agora vamos ter a chance do contra-ataque, então vamos aproveitar isso. Não podemos tomar gol no início do segundo tempo. Se pudermos fazer mais gols, tudo bem?. E foi exatamente o que aconteceu. A seleção manteve a iniciativa do jogo e acertou mais um direto no queixo argentino logo a um minuto. Cicinho, perfeito no apoio pela direita, driblou Sorin, livrou-se de mais um marcador e cruzou para Ronalinho Gaúcho marcar o terceiro gol. Totalmente exposta, a Argentina apelava para as faltas violentas para tentar parar a seleção. Não conseguiu. Aos 12 minutos, Robinho fez das suas, driblou dois marcadores dentro da área e chutou no travessão. A seleção chamou a Argentina para o seu campo e golpeou novamente. Dominando completamente o meio-campo, o Brasil chegou ao quarto gol. Em tarde inspirada, Cicinho aproveitou a liberdade que tinha pela direita e fez um cruzamento certeiro para Adriano fazer mais um, aos 18 minutos. A Argentina descontou no minuto seguinte em cabeçada de Aimar, que entrara no lugar de Cambiasso. A vantagem no placar permitia que a seleção administrasse o ritmo de jogo, levando alguns sustos com isso. Aos 35 minutos, Sorín arriscou de longe e obrigou Dida à grande defesa. Maicon teve a chance de ampliar aos 41, mas desperdiçou um passe genial de Ronaldinho Gaúcho. A vontade de aumentar o placar não diminiui, Juninho Pernambucano e Renato perderam outras chances. Tudo bem, o serviço já estava feito. Que vingança deliciosa! ### Adriano é campeão, artilheiro e melhor Depois de conquistar a Itália com os gols pela Inter de Milão, foi a vez de Adriano ser escolhido o melhor jogador da Copa das Confederações. O ?Imperador?, como é chamado pela torcida italiana, marcou duas vezes ontem e foi um dos principais destaques do Brasil na goleada por 4 a 1 sobre a Argentina. Adriano terminou como artilheiro da competição, com cinco gols. Foi dele o chute indefensável que abriu o caminho para a vitória do time, logo aos 10min. Na segunda etapa, continuou atazanando a zaga argentina e finalizou de cabeça um dos mais belos gols dos últimos tempos, quando o Brasil tocou a bola por cerca de dois minutos até que o artilheiro balançasse as redes. Os gols fizeram com que Adriano recebesse a ?Chuteira de Ouro?, prêmio dado ao artilheiro do torneio, e também a ?Bola de Ouro?, concedida ao melhor jogador. A ?Bola de Prata? ficou com o argentino Riquelme, enquanto o alemão Ballack levou a ?Bola de Bronze?. A Alemanha, seleção que Ballack defende, terminou em terceiro, ao vencer o México por 4 a 3. ?Estou muito feliz de compartilhar esse prêmio com meus companheiros. Quero continuar com esse trabalho, nessa humildade, para poder ir ainda mais longe?, comentou Adriano. ### Festa brasileira e sumiço argentino O jogo da seleção brasileira contra os argentinos não empolgou os rivais radicados ou de passagem por Maceió. Ontem, antes da partida, a presença verde-amarela nos bares e nas ruas só ajudou a espantar ?los hermanos? dos points futebolísticos da cidade. Parecia uma prévia da partida. No bar Rincon Argentino, na Ponta Verde, a hegemonia brasileira se espalhava pelas mesas. Nem o proprietário do bar, Manolo Goni, compareceu para ver sua equipe perder para o Brasil por 4 a 1. O empresário optou por assistir à partida em casa para evitar as gozações dos clientes brasileiros. Mas como seu estabelecimento é a única referência argentina, na orla, acabou atraindo dois corajosos argentinos, que sofreram muito durante o primeiro tempo, quando o Brasil marcou dois gols. Para Daniel Duran, o jogo é uma tradição e causa muita comoção nos dois países. Morando no Brasil há oito anos, ele é casado com uma alagoana. ?É um jogo que movimenta muito os fãs do futebol. Vi a seleção jogar em Minas, onde moro. Na primeira partida das eliminatórias, vi o jogo em que o Brasil venceu por 3 a 1. Depois, na semana passada, devolvemos a derrota. Agora, acho que é nossa vez de perder?, avaliou Daniel. Supersticioso, ele deixou o bar no final do primeiro tempo. ?Em outras partidas, quando saio, a Argentina vence?, acreditava Daniel já prevendo as gozações se permanecesse no bar. Já o seu compatriota, Gustavo Gonzalez, insistiu em ficar. Mas logo arrumou a bolsa, pagou a conta e foi embora. ?Acho que não vai dar para virar. Por isso, já desisti do jogo?, lamentou o argentino. VIBRAÇÃO Do lado da torcida brasileira, o clima era de festa. Num dos vários bares que transmitiu a partida, o Galetos e Assados, a lotação foi esgotada. No primeiro gol do Brasil, no início da partida, a explosão do grito de gol foi seguida pela música tema da última Copa. A torcida tinha a opção de assistir ao baile brasileiro em um telão ou num dos três aparelhos de tv especialmente instalados. O investimento deu certo. Quem ligou com antecedência garantiu um lugar privilegiado. Foi o que fez o produtor de eventos, Henrique Costa. Acompanhado do filho e de um grupo de amigos ele não tirava os olhos do telão. ?Gosto muito de futebol, e assistir a um jogo desse com os amigos é a melhor coisa. Não vim para cá com sentimento de vingança contra os argentinos, mas queria vê-los perder mesmo?, disse Henrique com um sorriso de satisfação diante do resultado da partida. MR

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