Esportes
Time juvenil do CSA sofre com descaso
WELLINGTON SANTOS FERNANDA MEDEIROS Repórteres Calções rasgados, camisas encardidas e envelhecidas pela ação do tempo, além de uma série de carências que vão da falta de água para beber a um simples lanche. Essa é a situação atual por que passa a categoria juvenil do CSA (jovens de 15 a 17 anos), conforme constatou a Gazeta de Alagoas, após denúncias chegadas à redação. ?Lanche aqui é um bicho!?, afirmou um dos meninos do juvenil do CSA, com o nome fictício de ?Zico?, para evitar possíveis represálias a ele. Zico relata a situação que enfrenta três vezes por semana, quando vai treinar, ao mesmo tempo mostrando o calção com um rasgão entre as pernas e a camisa completamente desbotada. Nesse instante, mais cinco juvenis revelam que assim como Zico, freqüentam o Mutange três vezes por semana, na esperança de seguirem a carreira de jogador. ?A gente só treina depois que os juniores nos cedem apenas três bolas. E não temos direito nem a vales-transporte?, disse um dos garotos, que mora distante do campo do CSA. A maioria dos meninos do juvenil é pobre e mora nas imediações dos bairros do Mutange e Bebedouro. Melhora Essa é a segunda vez que a Gazeta vai ao Mutange e constata a situação precária nas categorias de base. Há três meses, conforme publicado na edição do dia 17 de abril, os juniores do CSA estavam passando por situação vexatória: faltavam uniformes, bolas, água para beber, lanche e televisão para os garotos que moram na concentração. ?Hoje, após aquela reportagem, a situação melhorou. Todos os uniformes e coletes são novos e passamos de três para 12 bolas, além de termos um lanchinho?, atestou um dos atletas juniores, que não quis se identificar. Atualmente moram sete jogadores do juniores na concentração: o goleiro Márcio, o lateral-direito Acácio, o lateral-esquerdo Tiago, o meia Jackson e os atacantes Alex, Nonô e Cristóvão. Eles dormem, segundo informaram, em um quarto com seis camas posicionadas umas ao lado das outras. ?Como falta uma cama, a gente tem que juntar todas para que um companheiro nosso não fique sem ter onde dormir?, disse um dos atletas. ### Juniores promovem rebelião e ganham novos uniformes O material de treino melhorou, a exemplo de camisas, calções e meiões. Mas de acordo com os próprios atletas, um detalhe importante deve ser destacado: só foram comprados materiais novos porque eles (atletas) se reuniram e resolveram fazer uma pequena ?rebelião? no Mutange. ?Rasgamos os uniformes antigos e penduramos nos alambrados. Eles estavam velhos, desbotados, mofados, rasgados e não prestavam para usar. Ameaçamos não treinar e exigimos material novo, que fosse comprado ao menos um uniforme decente?, revelou um jogador júnior, com o nome fictício de ?Dudu?, pedindo para não ser identificado. E mais: segundo os garotos, parte dos uniformes novos só chegou ao clube graças ao treinador da equipe, Tanemburgo Menezes. ?Ele quem comprou os coletes e os meiões, tirou dinheiro do próprio bolso. O professor também sempre traz água mineral para nós ou então manda comprar com o dinheiro dele?, afirmou outro atleta. Os jogadores também disseram que quando houve o episódio em que eles rasgaram ?o que ainda existia dos uniformes?, a diretoria do amador ameaçou descontar R$ 28 de cada um. Cada atleta da categoria juniores do CSA recebe um salário mínimo (R$ 300). ?Se já recebemos pouco, como eles ainda quiseram descontar do nosso salário??, reclamou um terceiro atleta, que também estava no grupo entrevistado pela reportagem da Gazeta. Ainda de acordo com eles, o valor só não foi descontado por causa do técnico Tanemburgo, que pediu aos dirigentes para não fazerem isso. União O técnico Tanemburgo afirmou que a situação em termos de estrutura física e de material para treinamentos melhorou, mas ainda não é a ideal. ?Quando cheguei aqui encontrei a diretoria do amador meio dispersa, mas agora está mais tranqüila. Porém, falta chegar mais apoio de toda a direção, pois nem todos ajudam?, opinou o treinador do juniores. E prossegue: ?Acho que deveria haver mais união entre a diretoria do amador e a de futebol profissional?, disse, acrescentando que os atletas juniores têm que ser vistos com maior atenção pela diretoria, pois, segundo ele, já possui garotos com condições de servir ao time profissional. Ele confirmou que quando assumiu o time só existiam quatro bolas para os garotos treinarem. ?Depois o quadro melhorou. Conseguimos mais bolas e o material velho foi eliminado?, afirmou. Questionado se foi ele, realmente, quem comprou parte dos uniformes, Tanemburgo limitou-se a dar um sorriso. O coordenador-geral das divisões de base do CSA, Eriberto Lessa, justificou os problemas ainda existentes no juvenil. ?Esse trabalho não é imediatista, porque queremos implantar uma filosofia multidisciplinar nas categorias de base do CSA?, explica. ?Queremos valorizar o lado científico, que passe pelo psicológico, humanístico e fisioterapeuta, para que o clube tenha condições de, no futuro, ter uma estrutura digna de um clube tradicional e quase centenário?, completou Eriberto, formado em Educação Física e com mestrado na Unicamp na área de futebol. |WS/FM ### Dirigente admite que base tem dificuldades Quando Tanemburgo assumiu o juniores do CSA, o cargo de vice-presidente de futebol amador estava vago, com a saída do então vice-presidente José Francisco (Zequinha). Só foi preenchido nas eleições de 22 de junho, quando o presidente Gino César foi aclamado e foram definidos nomes para os cargos vagos. Agora, o vice-amador do CSA é Elmo Dorta. Ele admitiu que a estrutura das categorias de base do CSA não andam bem. ?O problema é geral, atinge todas as divisões de base do clube, sobretudo com a falta de material para treinamento. Isso ocorre pela falta de recursos. Quando sobra alguma verba, a gente compra o que está faltando, aos poucos?, disse. Dorta afirmou que a situação estava pior, mas agora está melhorando. ?Resolvemos o problema da falta de material dos juniores, as novas acomodações para eles estão quase prontas e devem ser inauguradas em breve. Também estamos ajeitando o juvenil?, afirmou. Ele negou que tivesse havido a ?rebelião? dos jogadores juniores. ?Desconheço. O que ocorreu foi que eles reclamaram que o material estava ruim, mas não rasgaram?. Para dotar a base de melhor estrutura, de forma emergencial, seriam necessários R$ 4 mil. ?Se tivéssemos esse dinheiro agora daria para ajeitar o departamento? disse. Já as despesas mensais com o amador, segundo ele, chegam a R$ 12 mil, sendo R$ 10 mil para pagar os salários dos funcionários das três categorias: infantil, juvenil e juniores e R$ 2 mil para comprar material e outras despesas. |WS/FM