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MP re�ne FAF e cartolas para exigir lei

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WELLINGTON SANTOS FERNANDA MEDEIROS Repórteres Como já era de se esperar, os últimos acontecimentos registrados em jogos da 2ª Divisão do futebol alagoano foram parar, mais uma vez, no Ministério Público (MP). A semana foi marcada por acusações que terminaram numa reunião realizada, na sexta-feira, no MP, entre dirigentes de clubes, da Federação Alagoana de Futebol (FAF) e promotores do órgão. Numa das confusões, a reunião no MP serviu como uma retratação do presidente em exercício da FAF, Raimundo Soares, por ter declarado na imprensa, por ocasião do jogo entre Teotônio x CSA, domingo passado, que a aprovação do Estádio O Medalhão era ?uma ordem judicial e caberia à FAF cumprir?. Ele negou ao MP que tivesse dado esta declaração, mas uma gravação veiculada na Rádio Difusora mostrou as palavras que o dirigente havia dito quando o estádio foi liberado: ?Recebemos a documentação [do MP] dando ordem de cumprimento e a Federação não tem o que discutir. Ordem que vem judicialmente a gente tem que acatar?. O problema é que essa declaração de Soares causou um profundo mal-estar entre os promotores, porque, na interpretação deles, a FAF estava se isentando das responsabilidades e colocando o MP no ?fogo?, caso acontecesse algum problema maior no estádio. A questão logo foi politicamente contornada pelo presidente licenciado da FAF, Raimundo Tavares, que tratou de explicar, ainda, na sexta-feira, depois de ouvir a declaração na Difusora, que o ?presidente Raimundo Soares se expressou mal, mas não teve a intenção de prejudicar ninguém, pois se trata de um homem de bem?, frisou Raimundo Tavares, afirmando que a Federação é, de fato, a responsável. Os promotores Max Martins e José Arthur Melo esclareceram que não é papel do MP aprovar ou desaprovar estádios, mas exigir que se cumpra o que está na lei, principalmente na parte referente ao Estatuto do Torcedor. ?Se a Federação diz que as vistorias foram feitas com os órgãos responsáveis pela parte técnica, cabe-nos ter o laudo garantindo a realização do evento por parte da FAF. Se depois aparecer alguma denúncia e o MP for provocado, aí cabe uma atitude do MP?, explicou Max Martins. Termo Ainda na sexta-feira, Raimundo Soares afirmou, conforme o Termo de Audiência, a que a Gazeta de Alagoas teve acesso, que: ?Foi um equívoco muito grande dos órgãos de comunicação, visto que nunca disse que o MP havia dado qualquer autorização (...)?, disse, ao querer se eximir da declaração. Os promotores do Núcleo de Defesa do Consumidor do MP, José Arthur Melo, Max Martins de Oliveira e Denise Guimarães se reuniram ainda para discutir com os dirigentes da FAF e do Teotônio e Ipanema, os problemas relacionados aos tumultos na partida em Teotônio Vilela, entre Teotônio x CSA. No mesmo Termo de Audiência consta, ainda, que o dirigente do Teotônio Ednilton Lins havia dito: ?A notícia que foi veiculada pela imprensa alagoana, informando que durante o jogo de Teotônio e CSA teria existido um ônibus circulando o estádio O Medalhão, onde os passageiros desse veículo estariam atirando pedras para dentro do estádio, o mesmo esclarece que tal informação não é verídica em razão do grande policiamento existente no dia do jogo (...)?. ### PM de olho nas torcidas organizadas A Gazeta de Alagoas ouviu dirigentes das torcidas Mancha Azul e Comando Vermelho, as duas maiores organizadas de CSA e CRB, respectivamente. Justamente por isso, são as que mais ?dão trabalho? à policia, pois são tidas como as ?mais violentas?, na visão de torcedores. As duas juntas somam mais de seis mil componentes, segundo dados não oficiais. A Mancha tem cerca de 3.200 componentes. Já a CV possui cerca de 3.000. Mas esses números ainda não foram atualizados pela direção das facções. ?Nosso último cadastro foi feito em 2002. Mas a torcida cresceu desordenadamente nos últimos anos e vamos recadastrar?, afirmou Francisco Rodrigues, diretor da Mancha. ?Na verdade, não temos ainda um cadastro. Os três mil componentes são apenas uma média de componentes da CV?, explica Bruno Alberto, relações públicas da Comando. Por causa desse crescimento desordenado, será feito o cadastro de todos os componentes e será entregue ao Comando da Polícia Militar, para saber quem faz parte do grupo. ?Dentro de mais ou menos uma semana vamos entregar uma parte do fichário à polícia. No próximo jogo do CSA, talvez a polícia já tenha em mãos esse cadastro?, informou Adelmo Sidney, outro dirigente da Mancha Azul. Quanto ao Comando, Bruno garante que o cadastro está sendo feito, pois é uma exigência da Polícia Militar, com a qual as duas facções têm se reunido às vésperas de jogos decisivos. Segundo os rapazes, essa é uma forma de coibir a ação dos ?vândalos que se infiltram na torcida para criar confusão e praticar atos de violência?, principalmente, à saída dos estádios. Mas como essas pessoas penetram nas facções? Eles explicam: ?A gente vende muitas camisas da torcida, então, não há como controlar porque nem todo mundo é cadastrado. Não podemos deixar de vender nosso material, pois é nossa forma de arrecadar recursos?, diz Adelmo. ?Em nossa sede aparecem pessoas de todas as partes, querendo a camisa da CV. Vendemos para arrecadar dinheiro, mas não temos o controle de quem compra?, reconhece o regatiano Bruno. Drogas Relatos de policiais e torcedores dão conta de que há drogas no meio das organizadas. ?A polícia tem que revistar cada um, não deixar entrar com drogas. Sabemos que existe, mas não podemos ser responsáveis por quem fuma maconha, por exemplo. A ação de revistar e prender quem está com droga é da polícia. A diretoria da Mancha não compactua com essa prática. Quem quer fumar assuma a responsabilidade?, diz Francisco. ?A polícia só revista os torcedores para detectar se estão com armas, mas devia revistar também para flagrar se há drogas. Em caso positivo, prenderia o cara e não soltaria tão cedo?, opina Bruno. WS/FM ### MP vai convocar líderes das duas facções Sobre a questão dos últimos episódios envolvendo as torcidas organizadas, os promotores Max Martins e José Arthur Melo disseram que já está programada a convocação dos líderes das organizadas ao MP. ?Vamos convocá-los para saber o endereço e a razão social de todas, porque o que vem ocorrendo ultimamente não pode acontecer em espetáculos onde as pessoas vão para se divertir e levar a família?, alertou Max Martins. Ele acrescentou que antes irá convocar também os representantes dos órgãos de segurança, como a Polícia Militar. tumultos Durante o jogo CSA x Bandeirante, no Rei Pelé, em 26 de junho, houve grande tumulto nas arquibancadas onde estava a Mancha Azul. A polícia interveio e os torcedores enfrentaram os policiais, gerando medo em quem estava nas arquibancadas e nada tinha a ver com a ?guerra?. Já no jogo entre CRB x São Raimundo, no dia 2 de julho, também foram registradas brigas na Comando Vermelho. E pior: as duas confusões ocorreram em jogos de praticamente uma só torcida. Também foram registradas ocorrências fora do estádio. Sobre esses episódios, os dirigentes das duas facções comentam: ?Somos contra esse tipo de ação, causada por indivíduos que nem sempre fazem parte da facção. Pelo fato de estarem vestindo a camisa da torcida, acabam sujando o nome da instituição?, afirma Bruno, da CV. Segundo ele, o torcedor que fosse pego praticando ato delituoso deveria ser proibido de ir ao estádio, por um determinado tempo. ?A polícia deve prender os brigões e puni-los com rigor. O que não pode é a diretoria da torcida pagar pelos atos praticados por essas pessoas, pois não temos como nos responsabilizar por aqueles que brigam fora do estádio ou a milhares de quilômetros de distância?, emenda o azulino Francisco. Já segundo Adelmo, deveria existir um Juizado de Pequenas Causas no Rei Pelé. ?Ali o cara seria levado e já saberia qual pena iria pegar. Poderia ser com a prestação de serviços à comunidade, pagamento de cestas básicas?, opina. Mas por que existe ?guerra? entre os próprios membros? ?Isso é rixa entre bairros. Então, quando esses torcedores se encontram começa a confusão. Eles levam as intrigas para o estádio?, diz Francisco. |WS/FM

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