Esportes
CSA: campe�o em meio a racha diretivo
WELLINGTON SANTOS FERNANDA MEDEIROS Repórteres Depois de todas as comemorações e desabafos, o dia da ressaca ou ?day after? da conquista do inédito título da 2ª Divisão do Alagoano pelo CSA foi marcado, ontem, por reflexões e resquícios de mágoas do ?racha? que agitou os bastidores azulinos antes, durante e, principalmente, após a conquista, que o levou de volta à 1ª Divisão, após dois anos na Segundona. Com a voz ainda embargada em função da comemoração, o presidente-executivo do CSA, Gino César, foi claro ao ressaltar: ?Vou continuar o meu mandato até dezembro. Assim como na conquista desse título, o processo no CSA tem que ter a participação de todos. É preciso deixar claro que todos contribuíram para o ótimo desfecho?. Questionado sobre o tom de dasabafo e de ?racha? usado pelos diretores Augusto César Farias e Carlos Alberto Andrade, e até de um certo desprezo por parte do empresário e deputado João Lyra, ao citar na imprensa, várias vezes, que o título ?deve-se ao Augusto e ao Carlos Alberto?, após a partida vitoriosa por 1x0, contra o Teotônio, no domingo, Gino refletiu: ?É natural que as pessoas após uma conquista, pelo extravasamento das emoções, sintam-se donas daquele objetivo alcançado. Mas volto a frisar que não podemos esquecer que todos contribuíram para isso. O CSA é maior que qualquer intenção pessoal desse ou daquele dirigente?, completou o presidente azulino. eleições Questionado se o término da competição e o conseqüente título antecipou as eleições no CSA, com o lançamento da chapa liderada por João Lyra, Gino César disse que o momento é de reflexão. ?Quanto a essa questão, independentemente do lançamento de um grupo ou de outro, é preciso ficar claro que não deve existir veto. O CSA precisa se arrumar para 2006, a torcida vai exigir uma seqüência de títulos e, evidentemente, o grupo que assumir o clube precisa contar com investimento empresarial forte para viabilizá-lo?, disse Mágoas Já por parte do diretor de futebol e integrante do Departamento Autônomo de Futebol azulino, Carlos Alberto Andrade, cuja liderança e sustentação financeira foram assumidas pelo empresário João Lyra e coordenada pelo ex-deputado federal Augusto Farias, o sentimento de desabafo esteve sempre no tom. ?Esse pessoal [da diretoria-executiva] nunca aceitou a gente no do clube. Não vamos tapar o sol com a peneira. Sempre foi assim, desde quando assumimos o futebol do CSA?, afirmou Andrade. E foi além: ?Mas essa conquista foi uma resposta que demos a eles. Por isso, oferecemos esse título a Ricardo Coelho, Lumário Rodrigues, Marcelo César e Gino César?, emendou, em tom de desabafo. O sentimento de Andrade e do próprio Augusto Farias é decorrente, sobretudo, do episódio ocorrido após o jogo com o Bandeirante, quando o CSA perdeu por 3 a 0 e um grupo de conselheiros liderado por Ricardo Coelho ?pediu a cabeça? de Carlos Alberto. Inclusive, esse fato foi citado por Augusto Farias, como ?o pior de toda a competição?. Apesar de o grupo de conselheiros ser ligado a Gino César, ele não participou da manifestação contra o dirigente azulino. Porém, segundo Andrade, a atitude de Gino César teria sido só de fachada. ?Ele sempre foi contra mim e contra o Augusto?, afirmou. ?Não fico? Interrogado sobre a existência de uma briga política dentro do clube, Carlos Alberto Andrade limitou-se a responder: ?Não existe briga política. O que existe é o fato de Gino ser contra nós?. E prosseguiu: ?Nossa obrigação em colocar o CSA de volta à 1ª Divisão foi cumprida. Agora, em relação à nossa permanência ou não no clube, vai depender de uma conversa com o deputado João Lyra. Na minha opinião, se o grupo do Gino César ficar a gente sai. Mas eu não posso responder pelo João Lyra nem pelo Augusto Farias. Por mim, eu não fico?, declarou. Dois trios elétricos O racha dentro do clube durante a campanha do título da Segundona foi tão evidente que o fato tomou proporções até na comemoração por parte da torcida azulina, após o jogo. De um lado, um trio elétrico patrocinado por Lumário Rodrigues arrastava uma parte da torcida campeã. Do outro, um trio contratado pelo deputado João Lyra puxava um outro cordão de marujos. Às vésperas da partida, o trio elétrico do grupo de Lumário já havia sido criticado por Augusto Farias e Carlos Alberto, pois, segundo eles, teria sido contratado para fazer a festa antes do jogo. Campanha O CSA, apesar do racha administrativo que quase complica no início da campanha, superou os adversários. Obteve nove vitórias, três empates e uma derrota para o Bandeirante. O time marcou 29 gols e sofreu seis. O artilheiro é Marcelo Assu (seis gols). O gol do título foi marcado pelo lateral Rogerinho, e o CSA levou para o Mutange o Troféu Jornalista João José, ex-editor de Esportes da Gazeta de Alagoas, falecido em junho. ### Treinador fica para Alagipe, diz Andrade O potiguar Ferdinando Teixeira, 59, técnico campeão à frente do CSA, na 2ª Divisão do Alagoano, deverá ser o treinador da equipe para a disputa da Copa Alagipe, caso o Departamento Autônomo de Futebol Profissional do CSA permaneça no clube. Essa é a garantia que o diretor de futebol Carlos Alberto Andrade dá à torcida azulina. ?Se o nosso grupo [do deputado João Lyra e de Augusto Farias] ficar no CSA, o Ferdinando será o nosso treinador, com certeza?, afirmou o dirigente, ontem, à Gazeta de Alagoas. O próprio treinador admitiu a possibilidade de permanecer no clube, caso esse grupo de dirigentes seja mantido. ?Mas vamos conversar. Ainda não falamos nada sobre isso?, declarou Ferdinando, que tem contrato com o CSA até domingo, quando se encerra a 2ª Divisão. Segundo o treinador, hoje haverá uma conversa entre ele e Carlos Alberto, para discutir o trabalho desta semana no clube e, possivelmente, a Copa Alagipe estará em pauta. Inclusive, ele afirmou que a decisão sobre esse assunto terá de acontecer logo, pois do grupo que foi campeão, há oito jogadores cogitados por vários clubes brasileiros, entre eles o meia Chiquinho, pretendido pelo Baraúnas-RN. O técnico Ferdinando Teixeira também foi cogitado por clubes como Ceará, Sport-PE e Baraúnas-RN, no decorrer da competição, mas ele garantiu que de domingo para cá não foi procurado por nenhum clube. ?Não recebi proposta de ninguém?, disse. Contrato Ainda sobre a Copa Alagipe - o CSA estréia nessa competição no próximo dia 18, contra o Sergipe, em Aracaju-SE - o dirigente Carlos Alberto Andrade frisou que os jogadores do elenco atual poderão participar, pois vários deles têm contrato com o clube até o fim deste mês e dos meses de setembro e outubro. Descanso Após a conquista do título da 2ª Divisão do Alagoano, os jogadores tiveram um dia de folga, ontem. E ?ciumeiras e mágoas à parte?, o grupo segue com a programação normal de treinamentos. A reapresentação será na tarde de hoje, no Mutange. Para o jogo de domingo contra o Ipanema, em Santana do Ipanema, válido pela última rodada da competição, o CSA deverá jogar completo, conforme assegurou o técnico Ferdinando Teixeira. ?Vamos entrar em campo, domingo, com o time completo, com exceção dos jogadores que estão machucados e do Chiquinho, que recebeu o terceiro cartão amarelo?, afirmou o experiente técnico. |WS/FM