Esportes
Porto Real surge no futebol de Alagoas
FERNANDA MEDEIROS WELLINGTON SANTOS Repórteres Mais um clube está surgindo no futebol de Alagoas: é o Porto Real. Até aí tudo bem. Mas a polêmica surge porque a formação do caçula é em decorrência, segundo seus fundadores, de um ?racha? no quase centenário CSA e um dos maiores clubes do futebol nordestino, que completa, na quarta-feira, 92 anos de história. E mais: conforme os dirigentes da nova equipe, o causador da discórdia e do ?racha? para a formação de outro clube foi o ex-presidente do CSA Ricardo Coelho. Eles alegam que foram praticamente ?convidados? a sair do CSA por Coelho, que recentemente renunciou ao cargo, agora ocupado por Gino César. O caçula (também azul e branco) já nasce com estrutura de time grande e ambição de ser um dos maiores exportadores de craques em Alagoas. De início, a equipe só disputará campeonatos das categorias de base: infantil, juvenil e juniores. Mas futuramente pretende chegar ao profissional, disputando a 2ª Divisão do Alagoano, e, conseqüentemente, a 1ª Divisão. ?No CSA não deixaram a gente trabalhar. Então, resolvemos juntar um grupo de desportistas e colocar nosso projeto em prática?, explica o presidente do Porto Real, Hélder Vasconcelos Júnior, conselheiro do CSA e ex-presidente do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD-AL). Além dele, fazem parte do clube os azulinos Silvio Targino e Alexandre Targino (pai e filho, e primos de Hélder), ambos ex-diretores do CSA. Também compõem a direção do Porto Real o regatiano José Serafim, vice-amador da Federação Alagoana de Futebol (FAF), e Maurício Firmino, conselheiro azulino, entre outros. ?Continuamos torcendo pelo CSA, mas o projeto que queríamos implantar no Mutange não foi aceito pelo senhor Ricardo Coelho?, lamenta Alexandre Targino. ?Fofoqueiros? Tal projeto citado por eles foi criado no ano passado para implantação nas divisões de base do CSA. ?Formamos um grupo de dez pessoas para administrar o amador do CSA. As despesas com esse setor seriam por nossa conta. O dinheiro obtido com a transação de qualquer jogador seria dividido em 50% para o grupo e 50% para o CSA?, explica Sílvio. E prossegue: ?Mas o Ricardo Coelho não quis, achando que íamos negociar atletas sem o aval da presidência. Não precisamos disso, não agimos dessa forma. O que existe no CSA são muitos fofoqueiros, que não ajudam em nada e só levam e trazem fofocas para o presidente?, critica. ### Dirigentes do novo time foram buscar jogadores em SP e PE O Porto Real é formado por jogadores com idades entre 15 e 19 anos. Todos eles, basicamente, vieram do futebol de fora de Alagoas. A maioria é de São Paulo e do Recife-PE. Foram ?escolhidos? por meio de um peneirão realizado nas duas localidades. É o caso do garoto Erick, 15, que completa 16 anos esta semana. Ele veio de São Paulo e nunca jogou em clubes de futebol, ou seja, sempre foi peladeiro. ?Eu sempre joguei na várzea, lá em São Paulo. Agora, vou ter a chance de jogar em uma equipe que disputará competições organizadas por uma federação de futebol?, afirma. Erick é atacante e revela que torce pelo Corinthians paulista. Tem como ídolos Robinho e Ronaldo, ambos do Real Madrid, da Espanha. O meio-campista Douglas, 17, também é de São Paulo, jogava na várzea com Erick, mas, ao contrário do companheiro de peladas, já jogou em um time que disputou competição promovida pela Federação Alagoana de Futebol (FAF). ?Joguei pelo Palmeirinhas [clube da Jatiúca], quando estive em Maceió?, revela o atleta, também torcedor do Timão paulista. Ele tem como ídolo Ricardinho, do Santos-SP. Já o goleiro Wagner, 19, foi descoberto no Recife. Jogou em equipes como Santa Curz, Sport e Manchete, todos pernambucanos. ?Minha vinda para Alagoas tem tudo para dar certo. O Porto Real tem uma boa estrutura e vou torcer para que eu faça um bom trabalho?, afirma ele, que é torcedor do Corinthians paulista, mas tem como ídolo o goleiro Marcos, do Palmeiras-SP. Wagner já veio a Maceió disputar a Copa Seel de Futebol Juniores, no ano passado, defendendo as cores do Santa Cruz. Experiente O treinador contratado para comandar a garotada do Porto Real foi o experiente Ênio Oliveira, ex-jogador do CSA e que já trabalhou nas divisões de base do clube do Mutange, em várias ocasiões. ?Fomos ver o peneirão realizado em Suzano-SP e trouxemos aqueles garotos que consideramos os melhores. O mesmo trabalho foi feito no Recife?, explica Ênio. Os treinos com bola no Porto Real começam na próxima quinta-feira. Na semana passada, o grupo treinou na praia e fez trabalhos na piscina da sede do clube. |FM/WS ### Gino considera normal criação de clube Sobre os conselheiros ?dissidentes? do CSA, que se juntaram para fundar o Porto Real, o atual presidente azulino, Gino César, disse achar normal a atitude de eles formarem um outro clube, mas desconhece e não concorda que sejam ?dissidentes? do clube azulino. ?Eles não são dissidentes. O Hélder é um conselheiro do CSA, está em dia com o nosso clube. O que aconteceu é que ele está levando uma visão empresarial para outro clube, com o objetivo de formar e empresariar atletas novos, o que é absolutamente normal?, considera Gino César. Sobre os outros azulinos que também fazem parte da diretoria do mais novo clube de Alagoas, o presidente Gino César também não concorda com a expressão ?dissidente?. ?O Alexandre, que inclusive é sócio-remido azulino, e o Silvio Targino também, são todos conselheiros do CSA. Então, não existe essa questão de dissidência?, completou. Questionado se ainda é conselheiro do CSA, Silvio Targino negou. ?Não faço mais parte do Conselho Deliberativo do CSA. Meu nome foi tirado da relação de conselheiros na época em que José Carlos Simões era presidente do Conselho Deliberativo. Do mesmo modo como ocorreu com o Alexandre?, disse Targino. Sílvio está envolvido nas hostes azulinas desde 1974, como dirigente, mas acompanha o clube muito antes dessa época. Inclusive, ele recebeu o título de sócio-benemérito do Azulão do Mutange, do então presidente do Conselho Deliberativo, Napoleão Barbosa, em 1976. Sonho não realizado O ex-dirigente e ex-conselheiro azulino afirmou que o projeto de trabalhar com as divisões de base no CSA é um sonho que não conseguiu realizar. ?Meu sonho era fazer isso no clube do meu coração. Infelizmente não foi possível realizá-lo?, lamenta. Sobre o fato de o grupo investir na criação de uma nova equipe e não no CSA, ele foi enfático: ?Se não deixaram a ge nte investir no CSA, o que podemos fazer? O Ricardo Coelho maculou a nossa imagem, quando deu entrevista numa emissora de rádio, dando a entender que agiríamos de má-fé com o CSA?. A Gazeta de Alagoas tentou ouvir Ricardo Coelho, apontado por Helder Júnior, Alexandre Targino e Sílvio Targino como o pivô de toda a polêmica em torno do investimento que seria feito nas divisões de base do clube do Mutange, mas ele não foi encontrado para falar sobre o assunto. Foram tentados contatos por meio de dois telefones celulares de Coelho, mas os aparelhos estavam fora de área. Lançamento A festa de lançamento do Porto Real, cuja sede está localizada próximo ao Aeroporto Zumbi dos Palmares, será realizada no próximo dia 17. Segundo os dirigentes, o novo clube alagoano já possui 50 conselheiros e 25 suplentes. WS/FM