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GP Brasil: 34 anos de velocidade, emo��o e hist�ria
Carlos Guilherme Baptistella ROGÉIO ELIAS UOL São Paulo - O primeiro Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1 da história foi disputado em 1972, no dia 30 de março, no circuito de Interlagos, em São Paulo. Foi uma corrida extra-campeonato. Ou seja, não valeu pontos para o Mundial daquele ano. Quatorze pilotos participaram da prova que teve como pole position o brasileiro Emerson Fittipaldi, equipe Lotus/Ford e como vencedor o argentino Carlos Reutemann (Brabham/Ford). Em 1973, o GP do Brasil entrou definitivamente para o calendário da categoria top do automobilismo mundial. A primeira corrida oficial, então, aconteceu no dia 11 de fevereiro novamente em Interlagos e foi a 222° GP válida na F-1. Vinte pilotos participaram, a pole position foi do sueco Ronnie Peterson (Lotus/Ford) e a vitória ficou com Emerson Fittipaldi - também piloto da equipe Lotus/Ford. Jacarepaguá Até 1977, Interlagos foi a sede do GP Brasil. No ano seguinte, a corrida mudou para Jacarepaguá - no Rio de Janeiro. A primeira etapa carioca da F-1 teve Ronnie Peterson como pole position e Carlos Reutemann, da Ferrari, como vencedor. Em 1979, a prova volta para o circuito de Interlagos. Mas, dois anos depois, retorna para a capital fluminense. No início dos anos 90, às vésperas de completar 50 anos, o circuito de Interlagos - inaugurado em 12 de maio de 1940 - passa por uma reforma completa. Seu traçado diminuiu de 7.960 metros para 4.325, tornando-se um dos mais modernos da época. Com isso o GP do Brasil de F-1 muda novamente a sede e volta a ser disputado para São Paulo. O pole position da primeira corrida de retorno foi o brasileiro Ayrton Senna (McLaren/Honda), mas a vitória ficou com o francês Alain Prost. O francês é o piloto que mais venceu o GP do Brasil em toda sua história. Ele conquistou seis vitórias. O alemão Michael Schumacher tem quatro. Schumacher é o maior vencedor do atual traçado do GP. Prost conquistou cinco dos seus triunfos no circuito de Jacarepaguá. Entre as equipes, a britânica McLaren foi a que mais venceu ao longo do tempo. Foram dez vitórias. O motor Ford é o mais vitorioso com oito triunfos. Já, entre os pneus, a Goodyear ganhou 19 provas. Além de Interlagos e Jacarepaguá, outro circuito brasileiro foi palco da F-1. Em 1974, no circuito internacional de Brasília, a categoria disputou o GP Presidente Médici. Também foi uma corrida extracampeonato. A pole ficou com Carlos Reutemann (Brabham/Ford) e a vitória com Emerson Fittipaldi (McLaren/Ford). Quatro pilotos brasileiros venceram o GP do Brasil: Emerson Fittipaldi (1973 e 1974), José Carlos Pace (1975), Nelson Piquet (1983 e 1986) e Ayrton Senna (1991 e 1993). Hoje, dia 25 de setembro, às 14h, acontece a 34ª edição do GP Brasil e, pela primeira vez, a corrida pode ser palco da decisão do Mundial. Cabe ao espanhol Fernando Alonso, 24, não permitir que Kimi Räikkönen marque cinco pontos a mais para que ele saia de Interlagos como o mais jovem campeão da história. Até o momento, o mais jovem campeão da F-1 é Emerson Fittipaldi, com 25 anos. ### Interlagos pode ver título de Alonso Quando a temporada 2005 começou, dia 6 de março, com o GP da Austrália, a pergunta era: Será que alguém vai barrar o heptacampeão Michael Schumacher? A resposta pode ser referendada hoje, 203 dias depois da prova em Melbourne, quando o espanhol Fernando Alonso tem a chance de se sagrar, pela primeira vez, campeão mundial de Fórmula 1, encerrando o domínio do piloto alemão da Ferrari. A pista que consagrou o brasileiro Ayrton Senna (que ajudou na elaboração do traçado original e tem até uma curva batizada em sua homenagem, o famoso ?S do Senna?) pode sacramentar o fim da ?era Schumacher? na F-1. Logo no início do ano, o alemão já deu mostras de que não tinha a mesma força para se manter no topo. O golpe final tem tudo para acontecer hoje, quando, pela primeira vez na história, o Brasil pode assistir à conquista de um título mundial. E mais uma série de recordes batidos. Nunca um representante da Espanha havia vencido um GP até o dia 24 de agosto de 2003, quando Alonso foi o primeiro na Hungria. Desde então, ele criou uma verdadeira ?Alonsomania? em seu país. Caso seja campeão, ele será o primeiro espanhol a ficar com o título. E, ainda, o mais jovem a conquistar o título da categoria, com 24 anos, um mês e 27 dias de idade. Alonso precisa de apenas um terceiro lugar no GP do Brasil para ser campeão. Hoje, são 25 pontos de diferença entre o espanhol, com 111, e o finlandês Kimi Raikkonen, com 86, com 30 pontos em disputa (além do Brasil, ainda faltam as provas no Japão e na China). Se o vice-líder na classificação geral ganhar a corrida, basta Alonso terminar em terceiro. Se o piloto da McLaren, que foi vice em 2003, não terminar a prova, o espanhol será campeão antes mesmo da bandeira quadriculada. Mas a possibilidade de ganhar o título e não ganhar a corrida parece não passar pela cabeça de Alonso. ?Como sempre, vou tentar dar o máximo. Qual é a vantagem de entrar em uma corrida e sonhar apenas em chegar ao pódio? Você não pode fazer isso, você sempre quer o melhor, quer atacar. E é isso que vou fazer?, comentou. Raikkonen, que também venceu seis etapas neste ano (Espanha, Mônaco, Canadá, Hungria, Turquia e Bélgica), sabe que não depende apenas de seu desempenho, por melhor que seja, para seguir na disputa pelo título. ?Com apenas três provas para o fim, só tenho uma escolha, que é vencer no Brasil.? Esta será a quarta vez que Alonso corre em Interlagos, que recebe o GP do Brasil pela 24ª vez. Em 2000, ainda pela Minardi, foi o 18º. Já pela Renault, foi o terceiro, em 2003, e quarto, 2004, na prova de número 50 de sua carreira. No entanto, mesmo terceiro em 2003, ele não pôde subir ao pódio. No final da prova, ele passou sobre um pneu que havia se soltado do carro de Mark Webber e perdeu o controle do carro. Bateu na barreira de pneus de um lado. Depois, atravessou a pista e se chocou contra o muro. Saiu do carro sozinho, mas foi encaminhado a um hospital e ficou sob observação até o dia seguinte. ### Vencedores de 4 equipes diferentes nos últimos anos A pista de Interlagos viu quatro vencedores diferentes de equipes distintas nos últimos quatro anos: David Coulthard (2001-McLaren), Michael Schumacher (2002-Ferrari), Giancarlo Fisichella (2003-Jordan) e Juan Pablo Montoya (2004-Williams). Para quem gosta de superstição, uma vitória do espanhol com a Renault entra no campo do provável. ?Agora estou perto de conquistar o Mundial e estou mais ansioso com a aproximação da corrida como em nenhuma outra?, disse Alonso. Caso confirme a expectativa, Alonso será o 28º piloto a ser campeão em 56 anos de F-1. Dos 27 que já venceram, apenas dois ainda estão em atividade, o canadense Jacques Villeneuve (vencedor em 1997) e Michael Schumacher (com 5 títulos). ### Ferrari está entre otimismo e realismo No ano passado, foi um ?passeio?. Em 18 provas, 15 vitórias, e o heptacampeonato mundial de Michael Schumacher. Em 2005, foi apenas uma vitória, no ainda polêmico Grande Prêmio dos Estados Unidos, que teve apenas seis carros na pista, com o alemão em primeiro. Para a corrida do Brasil, em Interlagos, as opiniões dos dois pilotos são antagônicas. De um lado está o otimista Rubens Barrichello. Do outro, o realista Schumacher. ?Não há razão para ter nenhuma grande expectativa. Eu não posso pensar em nada que possa mudar nossa situação tão drasticamente e de uma hora para outra?, disse Schumacher. ?É simples, sou uma pessoa realista.? Seu companheiro de equipe, no entanto, repete a cena já vista a cada GP do Brasil, quando sempre acredita em vitória. ?Estou com o pensamento positivo e vou entrar na pista para lutar pela vitória. Eu adoraria conseguir um bom desempenho no Brasil. Este é meu objetivo para o fim da temporada?, comentou Barrichello. ?Olhando a situação atual, tanto na teoria como na prática, não temos um carro que é capaz de vencer. Mas tudo pode acontecer e temos de encarar o fim de semana de forma positiva?, disse o piloto brasileiro, que disputa seu último GP do Brasil pela Ferrari, já que competirá pela BAR em 2006. Para Barrichello, só o fato de correr pela escuderia italiana já é motivo para entrar empolgado para o GP. ?Eu não acho que seja uma questão de momento emocional. Com a Ferrari, tive bons momentos e um bom trabalho pelo time?. Desde a morte de Ayrton Senna, em 1994, Barrichello se tornou a principal esperança brasileira de vitória em Interlagos. O piloto da Ferrari chegou em quarto no mesmo ano, e teve como melhor resultado a terceira colocação em 2003. Brasileiros Brasileiro correndo em Interlagos sempre gera uma expectativa. Qualquer piloto do País que corra em casa recebe o apoio da torcida. Dois deles, Felipe Massa e Antonio Pizzonia, estarão no GP do Brasil, mas em situações totalmente antagônicas. Massa está em clima de despedida. Titular da Sauber, ele vai para a Ferrari em 2006, na vaga de Rubens Barrichello. O piloto está tranqüilo e sua principal ?preocupação? é com a ?arquibancada?. ?Vou ter muita pressão correndo em minha casa, mas eu sempre amei estar aqui. Será uma pressão que eu espero sofrer durante todo o tempo em que estiver na Ferrari?, disse. A ansiedade de Massa tem explicação, já que, na prova do ano passado, ele chegou a liderar. E foi a primeira vez que esteve na frente na Fórmula 1. Se de um lado Massa prima pela calmaria, do outro, Pizzonia, da Williams, vive a incerteza. Ele não sabe qual será seu futuro nem nas próximas duas provas, na China e no Japão, quando poderá perder a vaga para Nico Rosberg, filho de Keke. E nem mesmo com um grande desempenho pode garantir sua permanência. ?A pressão é muito grande porque sempre pode ser a última oportunidade, e incomoda um pouco porque eu queria sentar no carro sabendo que ia fazer isso a temporada inteira?, disse.