Esportes
Danelon confirma estar envolvido em esquema
O juiz de futebol Paulo José Danelon confessou ontem, em depoimento que durou sete horas na sede da Polícia Federal de São Paulo, que manipulou o resultado de três jogos, todos pelo Campeonato Paulista deste ano, pelos quais ganhou R$ 30 mil (R$ 10 mil por jogo), do empresário Nagib Fayad, o Gibão, que usou os resultados para fazer apostas em sites na Internet. Como aceitou a delação premiada, Danelon não ficou preso. Os jogos onde o árbitro teve participação são Corinthians X Ponte Preta, Guarani X Atlético de Sorocaba e Portuguesa Santista X União São João de Araras. O árbitro foi assediado por Gibão também para manipular outros jogos que apitou, inclusive na série B do Brasileiro, como Marília X Ituano, mas ele não aceitou. Intermediário A PF já sabe a identidade do intermediário, que teria apresentado o empresário Nagib Fayad, o Gibão, ao árbitro Edilson Pereira de Carvalho, na relação que deu origem ao escândalo de resultados arranjados na Série A. O homem, que segundo Edilson Pereira de Carvalho negociou a compra de resultados nos primeiros jogos do esquema, por enquanto não terá a identidade revelada, mas sabe-se que seu primeiro nome é Wanderley. De acordo com Roberto Porto, promotor do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) que investiga o caso, o MP dispõe de outros nomes que possivelmente também estão envolvidos no esquema de fraude de arbitragem. Por outro lado, Nagib Fayad e Edílson Pereira de Carvalho poderiam ser libertados hoje, caso a Justiça não renove o pedido de prisão preventiva, que tem prazo de cinco dias expirado nas próximas horas desta quinta. Os dois acusados podem ser soltos sob o argumento de que estão colaborando com as investigações da PF e do MP. Fayad e Carvalho aderiram ao benefício da delação premiada, previsto em lei. Romildo Corrêa Para desvendar todas as dúvidas e esclarecer qualquer tipo de equívoco, o MP convocará o árbitro Romildo Corrêa para saber se ele tem alguma relação com o Escândalo do Apito. No depoimento de Edilson Pereira, principal peça do esquema, o nome de Corrêa foi citado como tendo sido uma das pessoas convidadas a participar do esquema. Para se defender, o árbitro afirmou que foi procurado por uma pessoa que se apresentou como Wanderley, que tinha o interesse na sua participação na combinação de resultados para jogos de apostas. Segundo Corrêa, ele prontamente descartou qualquer participação. Os promotores já sabem quem é Wanderley, mas preferiram não revelar detalhes sobre a sua identidade. ### Clubes apóiam repetição de partidas Dirigentes de 11 dos 22 clubes da Série A do Brasileiro disseram ser favoráveis à realização de novos jogos nas partidas apitadas por Edílson Pereira de Carvalho, possibilidade levantada pelo STJD na terça-feira. Dois desses clubes, Botafogo e Atlético-MG, defendem a repetição dos 11 jogos feitos pelo árbitro, envolvido no esquema de suborno a juízes para manipular resultados nos jogos do Nacional. ?Quem garante que é uma coisa isolada? São 20 mil horas de gravações. Se for para anular, tem que anular as 11?, disse o presidente botafoguense, Bebeto de Freitas. Clubes ameaçados pelo rebaixamento, como Flamengo, Figueirense e Brasiliense, afirmaram que vão acatar qualquer decisão do STJD. O presidente flamenguista, Márcio Braga, que havia cogitado a possibilidade de virada de mesa, voltou atrás. Em nota, disse que ?o Flamengo aceita o chamamento à união dos desportistas proferido pelo desembargador Luiz Zveiter (...) por acreditar na força moral, na responsabilidade social e na capacidade do presidente do STJD.? O presidente do São Paulo, Marcelo Portugal Gouvêa, declarou que ?as partidas que tiveram interferência da arbitragem em seus resultados devem ser anuladas e repetidas?. ?Eu acho que a repetição seria o mais justo a fazer?, disse o vice de futebol corintiano, Andrés Sanchez. O presidente do Brasiliense, Luiz Estevão, se disse favorável à realização de novos jogos, mas defende a criação de uma comissão para acompanhar as atuações dos árbitros. ?Se ficar somente no Edílson, o futebol perderá uma grande oportunidade de se moralizar?, disse, criticando os juízes Heber Roberto Lopes e Wagner Tardelli.