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M�fia do apito prejudica arbitragem
WELLINGTON SANTOS FERNANDA MEDEIROS Repórteres ?Fique de olho no apito, que o jogo é na raça e uma luta se ganha no grito. E se o juiz apelar, não deixe barato, ele é igual a você e não pode roubar...? Esse é um dos trechos da música Camisa Molhada, do compositor Carlinhos Vergueiro, em parceria com o cantor e compositor Toquinho, e que bem poderia ilustrar o momento vivido no futebol brasileiro, em função do escândalo da Máfia do Apito, com o objetivo de ?fabricar? resultados, que estourou semana passada e deixou perplexa a opinião pública. Os pivôs da história escandalosa da máfia é o árbitro Edílson Pereira de Carvalho e o empresário Nagib Fayad, o Gibão, acusados no esquema de manipulação de resultados, que pode anular nada mais nada menos que 11 partidas válidas pelo Campeonato Brasileiro da Série A, além de apurar a suspeita de partidas do Campeonato Paulista e até da Série B. O árbitro Edílson Pereira de Carvalho, réu confesso das fraudes, chegou a apitar, inclusive, uma partida válida pelo Campeonato Alagoano, mais precisamente na decisão final da Copa Alagoas deste ano, no dia 26 de junho, entre ASA e Coruripe. O resultado foi 0x0. Surpreendidos e revoltados com as denúncias envolvendo um colega de profissão com uma máfia na arbitragem para favorecer equipes e modificar resultados, os árbitros alagoanos se posicionaram e emitiram suas opiniões sobre o assunto. Para o presidente da Comissão Estadual de Arbitragem de Futebol (Ceaf-AL), o ex-árbitro Sebastião Canuto, o árbitro Edílson Pereira ?esqueceu? que faz parte do maior quadro de arbitragem, o quadro da Fifa. ?Ele esqueceu desse importante detalhe da carreira dele, ao participar dessa grande sujeira. É lamentável. A arbitragem brasileira está de luto?, opinou Canuto. O presidente da Ceaf-AL lembrou de uma outra atitude não correta praticada por Edílson Pereira: ?Houve um caso em que ele [Edílson] fraudou o próprio certificado de conclusão do 2º Grau. Isso foi mais ou menos há cinco anos. A CBF descobriu e ele foi afastado. Então, ele fez o curso e voltou para o quadro de arbitragem da Federação Paulista de Futebol. Se naquela época ele tivesse sido banido do futebol, esse escândalo não teria acontecido?, declarou, acrescentando que durante o tempo em que foi árbitro de futebol (desde 1969) nunca viu um caso tão escandaloso como esse que foi descoberto agora. ?Lembro que em 1972/73, não recordo bem o ano, houve um problema envolvendo árbitros do Rio de Janeiro e eles foram expulsos pela CBF. Depois desse episódio, eu nunca mais vi um problema como esse. É um tipo de acontecimento grave, que só deixa mazelas e coloca toda a arbitragem sob suspeita?. CSA x ASA O presidente do Sindicato dos Árbitros de Futebol de Alagoas (Sindafal), árbitro Flávio Feijó, afirmou que a categoria vê todo esse escândalo com indignação. ?Nossa classe, independentemente de qualquer coisa, já é tachada com adjetivos pejorativos. E esse escândalo só faz aguçar mais a ira e a desconfiança de torcedores e dirigentes para conosco?, afirmou Feijó. Ele é presidente do Sindafal desde abril deste ano e tem oito anos de arbitragem, sendo quatro anos como membro do quadro da CBF. Foi Flávio Feijó quem atuou como quarto árbitro no jogo Coruripe 0x0 ASA, comandado por Edílson Pereira. Mas Flávio lembra uma outra partida comandada por Edílson, em Maceió: ?Foi aquela da decisão do Campeonato Alagoano de 2000, entre CSA x ASA, no Estádio Rei Pelé, com vitória do clube alvinegro, por 1 a 0, e gol assinalado por Jaelson?, recorda, acrescentando que neste jogo também atuou como quarto árbitro. Flávio Feijó pensa da mesma forma que Sebastião Canuto, ao dizer que Edílson Pereira deveria ter sido afastado para sempre da arbitragem, após o episódio do diploma do 2º Grau. ?Foi falsidade ideológica e ele deveria ter sido punido severamente?.