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Baianos tentam anular jogos da S�rie B

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O presidente da Federação Bahiana de Futebol (FBF), Ednaldo Rodrigues, entrou com uma representação ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), solicitando a anulação dos jogos da Série B apitados pelo árbitro paulista Paulo José Danelon, envolvido no esquema de manipulação de resultados dos jogos do Campeonato Brasileiro e do Paulista. A anulação dos jogos poderia beneficiar o Vitória e o Bahia, que assim teriam chances de não caírem para a Terceira Divisão no ano que vem. O presidente do Vitória, Ademar Pinheiro Lemos Júnior, disse que apoiará todas as iniciativas da FBF com a finalidade de esclarecer a atuação da ?máfia do apito?. Esquema Paulo José Danelon apitou quatro jogos da Série B e, em um deles, Portuguesa 0x4 Ituano, a revista Veja, em sua edição da semana passada, garante que houve armação. De acordo com a revista Veja, 72) ?o jogo Portuguesa 0x4 Ituano, realizado no dia 10 de junho, teve seu resultado acertado entre Danelon e Fayad (o empresário Nagib Fayad) em um bar de Piracicaba, às margens do Rio Piracicaba?. ?Para favorecer o Ituano, o juiz (Danelon) recebeu R$ 10 mil do empresário?. O árbitro paulista Danelon está envolvido no escândalo da ?máfia do apito?, com seu colega Edílson Pereira de Carvalho, já afastado da CBF e da Fifa, e o empresário Nagib Fayad, que confessou ter pago R$ 40 mil ao árbitro (Edílson) para que ele fraudasse resultados de jogos. Danelon apitou jogos da Série B e, com uma decisão do STJD anulando os jogos, o Vitória e o Bahia passariam a ter chances de não caírem para a Terceira Divisão. Anulação O advogado da Federação Bahiana de Futebol, Manfredo Lessa, que dá assistência jurídica aos dois clubes, foi quem deu entrada no pedido de anulação dos jogos. O presidente do STJD, Luiz Zveiter, afirmou que vai estudar a documentação, mas que não garante a anulação das partidas, pois cada caso é um caso, segundo ele. Os baianos querem que sejam anulados os quatro jogos apitados por Danelon: Guarani 2x1 Santo André; Ituano 2x1 Marília; Portuguesa 0x4 Ituano; e Paulista 4x0 Guarani. Caso sejam realizados novos jogos e o Paulista ou o Ituano não ganhem, o Vitória e o Bahia poderiam ultrapassarem as duas equipes, escapando do rebaixamento para a Série C do Brasileiro. ### FAF e CRB não acreditam em mudanças A possibilidade de anulação das quatro partidas apitadas pelo árbitro Paulo José Danelon, pelo STJD, não atingiria a equipe do CRB, que terminou a Série B na 12ª colocação, fora na zona de rebaixamento. O árbitro paulista não apitou nenhuma das 21 partidas do CRB na Segunda Divisão. Para o presidente da Federação Alagoana de Futebol (FAF), Raimundo Soares, apesar da forte pressão das equipes da Bahia, ?dificilmente? haverá mudanças na Série B. Soares lembra que, até agora, nenhum dos árbitros que apitou as partidas do CRB na Série B teve o nome citado no escândalo. Ele sugeriu que caso seja tomada alguma medida que prejudique o CRB, a Federação Alagoana vai atuar para preservar os direitos da equipe regatiana. ?Não acredito que haverá mudanças na Série B. E mesmo que acontecesse, o CRB não seria prejudicado, pois nenhum dos jogos do CRB foi apitado por árbitros envolvidos nesse esquema. Apesar de toda essa pressão das equipes do futebol baiano, acreditamos que não haverá nenhuma mudança, mas se percebermos que há algum risco para o CRB, vamos agir imediatamente, inclusive indo ao Rio de Janeiro [sede do STJD] para acompanhar o processo e defender os interesses do CRB?, afirmou Soares. Se as quatro partidas comandadas pelo árbitro Paulo José Danelon forem anuladas, as equipes do Paulista, que venceu o Guarani por 4x0; e do Ituano, que venceu a Portuguesa por 4x0 e o Marília por 2x1, teriam que repetir os jogos e em caso de derrotas seriam rebaixadas para a Série C. Vitória e Bahia, rebaixados, assumiriam as vagas das duas equipes paulistas. Tranqüilo ?O CRB está absolutamente tranqüilo quanto a isso, porque até agora só se fala em suposições na Série B e, mesmo assim, com esses quatro clubes citados, que tiveram a participação direta do árbitro. A gente não tem nem por que se preocupar em relação a essas notícias?, opinou o vice-presidente de Futebol do Galo, Gustavo Feijó. O CRB terminou a Série B na 12ª posição e foi o responsável indireto pela caída do Vitória na última rodada, já que seu triunfo diante do Criciúma por 2x1 influenciou na derrocada do time baiano, que esperava um empate ou mesmo derrota do Galo. GF/WS ### Árbitro acusa Nabi Chedid, vice da CBF Em depoimento sigiloso ao STJD, o árbitro Edílson Pereira de Carvalho afirmou que Nabi Abi Chedid, vice-presidente da CBF, tentou influenciar a arbitragem em benefício de outros dirigentes. A informação é do jornal Folha de S. Paulo, que noticia que Edílson Pereira não citou o nome de Nabi Abi Chedid nos depoimentos à Polícia Federal e Ministério Público de São Paulo. O dirigente não teria participação no esquema de resultados fabricados que envolvia um site de apostas. A atuação de Nabi, segundo depoimento de Edílson ao STJD, aconteceu para atender a interesses de dirigentes e clubes. A família do vice da CBF mantém relação próxima com o Bragantino, que assegurou, nesta temporada, vaga na elite do Paulistão. Mesmo assim, o presidente do STJD, Luiz Zveiter, afirmou que enviou cópia do depoimento do árbitro aos promotores paulistas. ?Tudo o que nós apurarmos pode ajudá-los, assim como estamos usando também a investigação deles?, declarou, acrescentando que o órgão irá ouvir todos os envolvidos no caso. ### Paulista: anulação de jogos fere estatuto As soluções mais cogitadas pelo TJD de São Paulo para resolver a questão dos jogos apitados por Edílson Pereira e Paulo Danelon poderão ser contestadas pela torcida. A possibilidade de anular jogos do Paulistão deste ano sem remarcá-los ou de realizar um playoff ent re os clubes que podem ser rebaixados contrariam o que diz o Estatuto do Torcedor. Conforme o inciso 5 do Art. 9, não é permitida a alteração do regulamento do campeonato após sua divulgação definitiva. Neste caso, não seria possível aplicar nenhuma das soluções cogitadas pelo TJD, sem que isso não resultasse em ações contra a Federação Paulista. Se optassem pelo playoff entre os possíveis rebaixados, a FPF teria que incluir um jogo extra no regulamento que não fora previsto antes de sua formulação. Em caso de anulação de jogos, alguns clubes ficariam com menos jogos disputados. E isto modificaria o regulamento do Paulista, que previa que os clubes deveriam jogar entre si, somando 19 partidas, cada um.

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