Esportes
Santos vai ao STJD para anular partida
Atual campeão brasileiro, o Santos continuará na competição. Ontem, em entrevista coletiva, o presidente Marcelo Teixeira confirmou a permanência no torneio e reiterou que tentará a anulação do jogo contra o Corinthians, realizado na quinta-feira, na Vila Belmiro. A partida, remarcada devido ao escândalo da arbitragem protagonizado por Edílson Pereira de Carvalho, foi vencida pelo Timão por 3 a 2. No ?jogo real?, realizado em 31 de julho, o time da Baixada ganhou por 4 a 2. STJD O Santos ameaçava deixar o Campeonato Brasileiro após os incidentes de quinta-feira, na Vila Belmiro. Após o terceiro gol do Corinthians, os torcedores santistas invadiram o campo e o jogo foi interrompido aos 44min do segundo tempo, por falta de segurança. ?Não vamos cometer os erros de alguns dirigentes, que impõem condições?, disse, referindo-se ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), que decidiu anular as 11 partidas. ?Somos os atuais campeões brasileiros e honraremos todos os nossos compromissos dentro de campo?, completou. A diretoria do Santos manterá o pedido de anulação da decisão do STJD, que deve ser julgado na próxima quinta-feira. Além do time do Santos, outros quatro clubes brigam na Justiça Desportiva para anular os jogos remarcados: Ponte Preta, Internacional, Figueirense e Cruzeiro. Nesta semana, o pedido de efeito suspensivo foi negado pelo próprio STJD. ?O Santos irá encerrar todas as discussões na esfera esportiva?, frisou Marcelo Teixeira, negando a possibilidade de recorrer à Justiça comum. Em relação à provável interdição da Vila Belmiro, Teixeira disse que esperava apenas que a decisão não afetasse o jogo de amanhã, contra o Goiás, uma partida decisiva para a equipe santista, que com a derrota para o Corinthians afastou-se do título do Brasileirão e da Copa Libertadores, que classifica os quatro primeiros colocados. Torcida Segundo o dirigente, todos os ingressos já foram distribuídos aos torcedores. ?Espero que seja feita Justiça. O Santos tem um compromisso com os seus torcedores. Caso o STJD vete o nosso estádio, eles terão que arcar com as conseqüências?, bradou, referindo-se ao código de defesa do consumidor e torcedor. Teixeira finalizou a entrevista ressaltando que a torcida teve um comportamento fora dos padrões devido à anulação da partida do dia 31 de julho. ?Não ficaram revoltados por causa da derrota, e, sim, pelo fato de terem anulado um jogo que ganhamos com legitimidade?. ### Teixeira responsabiliza Cléber Abade O presidente do Santos, Marcelo Teixeira, não poupou críticas ao árbitro Cléber Wellington Abade, que apitou o clássico contra o Corinthians, vencido pelo arqui-rival por 3 a 2. Segundo Teixeira, devido ao escândalo que envolve a arbitragem brasileira, Abade ?não tinha tranqüilidade suficiente? para apitar um clássico desse porte. ?A arbitragem brasileira passa por um momento de instabilidade. O Abade quis passar uma tranqüilidade que ele não tinha?. Má arbitragem O mandatário santista surpreendeu ao reconhecer que o árbitro prejudicou ambas as partes. ?Nós tivemos uma arbitragem que prejudicou Santos e Corinthians. Ele não era um juiz em condições de apitar uma partida desse nível. Aí vocês me perguntam: Então quem é capaz? Eu fico sem resposta, ainda mais quando o melhor árbitro do Brasil é suspenso por ter prejudicado o Vasco?, disse, referindo-se ao gaúcho Carlos Eugênio Simon, que foi suspenso pela Comissão de Arbitragem da CBF, ao ter um desempenho ruim no empate, por 3 a 3, entre Vasco e Figueirense, uma das 11 partidas que foram remarcadas. O presidente do Santos aproveitou para provocar o STJD e a CBF, já que, no seu ponto de vista, todas as partidas remarcadas que foram disputadas novamente tiveram vários erros de arbitragem. ?Temos que refletir sobre o péssimo momento da arbitragem. Todas as partidas repetidas estão tendo péssimas atuações dos juízes, que não estão tendo condições psicológicas de apitá-las?, disse. Defesa O presidente da Comissão Nacional de Arbitragem da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Edson Rezende, isentou ontem o árbitro Cléber Wellington Abade dos incidentes ocorridos no clássico entre Corinthians e Santos. ?No meu ponto de vista, o juiz Cléber Abade não teve qualquer influência no resultado do jogo. A partida foi tensa em razão da rivalidade das duas torcidas e das duas equipes?, defendeu Rezende. O cartola Edson Rezende descartou ainda um afastamento temporário do árbitro Cléber Abade, que precisou sair escoltado pela polícia depois da partida disputada na Vila Belmiro, em Santos-SP. ### Criticado, Luiz Zveiter se afasta do STJD O presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Luiz Zveiter, está desde a última segunda-feira afastado de suas funções no órgão. Segundo Luiz Zveiter, o motivo para o afastamento, em plena crise do escândalo de arbitragem que anulou 11 partidas do Campeonato Brasileiro, é, segundo ele, a sua necessidade de atuar como desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. ?Tenho que continuar a atuar na Justiça comum, que é de onde recebo para trabalhar. Tirei essas duas semanas para poder fazer isso, se não é impossível?, afirmou o desembargador. O cargo será ocupado durante essas duas semanas por Nelson Tomaz Braga, desembargador trabalhista. Thomaz Braga era o nome de preferência de Ricardo Teixeira, presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para assumir a presidência do STJD, em 2004. Fuga da crise Luiz Zveiter afastou qualquer possibilidade de vincular seu afastamento à polêmica criada pelo Vasco, que decidiu entrar na Justiça comum contra a CBF reclamando ressarcimento pela atuação de Carlos Eugênio Simon no jogo remarcado contra o Figueirense, que terminou em um empate de 2x2. ?Isso não tem nada a ver. Eu não tenho nada a ver com o Vasco?, afirmou Zveiter, que se manteve na presidência do STJD graças a um recurso do clube do Rio de Janeiro na Justiça comum, no início de 2004. Mais críticas O presidente do Internacional, Fernando Carvalho, reforçou a crise do futebol brasileiro a criticar, ontem, as posições do presidente do STJD, Luiz Zveiter, e a suposta omissão do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira. ?Nos sentimos atingidos e os torcedores acabaram se rebelando, como ocorreu na realização de Santos e Corinthians?, afirmou. O presidente do STJD, Luiz Zveiter, não agiu de maneira correta e os protestos de várias correntes, incluindo de magistrados, tornam as coisas bem claras?, ressaltou. Bastante irritado, o dirigente do Internacional também acusou a CBF de omissão: ?O momento é muito delicado e eu vejo a CBF muito tranqüila em relação ao caso. Se continuar do jeito que está, o campeonato pode virar um caos?, encerrou Carvalho.