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Rivalidade de torcidas provocou mortes

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| GILVAN FERREIRA Repórter As duas maiores torcidas organizadas de Alagoas, Mancha Azul, do CSA, e Comando Vermelho, do CRB, foram criadas na década de 90, e ao longo dos anos conquistaram a maior parcela de torcedores e se transformaram nos símbolos das duas maiores equipes do futebol alagoano. A Mancha Azul, criada em outubro de 1992, surgiu da união das torcidas Dragões Azulinos e Força Jovem, que comandavam a maior parcela da torcida do CSA. Atualmente, a Mancha Azul tem mais de dois mil associados cadastrados. A torcida Comando Vermelho foi formada em agosto de 1993, quando três torcedores do regatas decidiram levar para o estádio um grupo de torcedores do clube. Hoje, a Comando tem uma relação de mais de 3,5 mil torcedores. Rival dentro de casa A rivalidade serve como combustível para a manutenção das organizadas, que vêm aumentando ao longo dos anos, provocando uma onda de violência dentro e fora dos estádios, inclusive crimes de homicídios. Segundo a Polícia Militar, no ano passado, um grupo da Mancha assassinou um jovem, dentro de um palhoção no bairro da Ponta Grossa, por estar usando uma camisa vermelha. A violência também atinge os torcedores do próprio time. Segundo o presidente da Comando Vermelho, Bruno Tenório, durante um período houve rivalidade da Comando com a Nação Alvirrubra, que era acusada de ?adotar? torcedores do CSA nas suas fileiras. ?A Nação Alvirrubra era inimiga da gente, inclusive tinha até briga no Rei Pelé. Eles levavam integrantes da Mancha para brigar com a gente?, revela Tenório. A Mancha Azul nunca encontrou grande rivalidade com outras torcidas do CSA. ?Nós sempre tivemos o maior número de torcedores. É tanto que hoje de torcida do CSA só tem a Mancha e a charanga do Zé Emílio [torcedor símbolo do CSA], a Azul Fiel?, minimiza o presidente da Mancha Azul, Marcelo Rocha. Os dirigentes das duas torcidas sugerem que enfrentam dificuldades financeiras e não contam com o apoio dos dirigentes dos clubes. Na Comando Vermelho, os recursos para manutenção da torcida vêm da venda de produtos da organizada, como camisas, bonés e souvenirs e das carteiras de sócio, que custam R$ 5. O presidente da torcida do CRB, que tem sede em um minishopping, na Pajuçara, garante que não recebe nenhum apoio financeiro da diretoria ou conselheiros do regatas. ?A gente sobrevive da venda dos produtos e da carteira do associado, com esse dinheiro a gente paga transporte, compra fogos e paga as viagens. Não temos nenhum apoio financeiro da direção do CRB?, reclama. O presidente da Mancha Azul, Marcelo Rocha, informou que este ano recebeu apoio da atual direção do CSA. ?Nos deram 500 ingressos para vendermos nos jogos da 2ª Divisão, mas pagamos R$ 1,5 por cada um. A gente sobrevive da venda dos uniformes e de alguns recursos que temos com o acesso dos torcedores à lan house e Internet, mas parte desse dinheiro serve para pagar o aluguel de R$ 633 da nossa sede?, revela. ### Chefes de torcidas não aceitam críticas Acusados de incitação à violência, com a utilização de símbolos e gritos de guerra, que são utilizados dentro dos estádios, os presidentes da Mancha Azul e da Comando Vermelho tentam minimizar as críticas às duas torcidas. ?A escolha do Mancha Negra, personagem do ladrão de Walt Disney, não teve como objetivo incentivar a violência ou a prática de crime. Outras torcidas também utilizavam o Mancha como símbolo, como a Mancha Verde do Palmeiras, mas não tinham nenhuma relação com o crime. Era até um símbolo inocente. Não acho que o símbolo da gente incentive ou incite a violência?, defende Marcelo Rocha. Sobre as mesmas críticas, Bruno Tenório disse que acha exagerado esse tipo de contestação. A Comando utiliza uma caveira como símbolo, que representa a morte, e tem como grito de guerra ?CRB até a morte!? Em uma pesquisa no site da torcida Comando Vermelho, além de símbolos que, na avaliação dos promotores que investigam as torcidas organizadas, servem como incentivo à violência, é possível encontrar mensagens sublimares de incitação aos torcedores do CSA. ?Paresse (sic) uma Bomba explode na geral... NA C.V. SÓ TEM MORAL...? ou ?Bonde Sinistro, Bonde do Terror!!! Quem entra na Comando é Maconheiro e Pixador!!!? ?Não acho que o símbolo do CRB ou os gritos de guerra incentivem a violência. A gente vai para os estádios fazer a festa e incentivar o time, claro que algumas pessoas vão para brigar, mas a gente da diretoria não incentiva a violência?, esclarece. Ministério Público Nas investigações do Ministério Público já ficou comprovado que os dirigentes das duas torcidas não têm controle sobre os associados. Além disso, foram levantadas várias denúncias que envolvem a venda e o consumo de drogas, entre outros crimes. As informações foram repassadas aos promotores Max Martins, Denise Guimarães e José Athur Melo pela Polícia Militar. ?A Polícia Militar informou que os torcedores consomem drogas em um dos bares do lado da torcida organizada. Além disso, temos informações sobre atos de violência e prática de irregularidades, que devem ser sanadas pelos dirigentes das torcidas organizadas?, revelou o promotor Max Martins. Os dirigentes das duas facções reclamam da atuação da Polícia Militar, que é considerada despreparada para agir nos estádios. ?Nós já sugerimos que o comando da PM criasse um batalhão de eventos, mas eles alegam que não têm efetivo para isso?, diz Marcelo Rocha, da Mancha Azul. ?Os policiais são despreparados. Eles já chegam batendo na gente. Sugerimos até que sempre fossem os mesmos policiais para os jogos. Mas não vão. Aí fica difícil, pois a cada jogo é uma equipe de policiais diferentes. Eles deveriam ser mais preparados?, indica Bruno Tenório. PM Em depoimento no Ministério Público, o comandante do Policiamento da Capital (CPC), coronel Antônio Brito, responsável pelo policiamento no Estádio Rei Pelé, sugeriu que fossem adotadas medidas mais severas para conter o ímpeto de violência das organizadas. ?As torcidas organizadas não têm nada de organizadas. Nós já fomos afrontados várias vezes pelos torcedores. Seria importante a criação de um juizado específico para atender esses tipos de caso e os promotores atuariam nos próprios estádios. O trabalho da PM também ficaria facilitado pela criação de uma delegacia móvel e o plantão de delegados dentro dos estádios nos dias de jogos. Isso facilitaria o nosso trabalho e poderia evitar os casos de violência?, disse Brito, aos promotores. Impunidade Os chefes das duas torcidas também sugerem que os casos de violência são incentivados por causa da impunidade. ?Nós já chegamos a expulsar integrantes da torcida que se envolveram em brigas, inclusive fomos até ameaçados. Eles foram presos, mas depois foram soltos sem acontecer nada a eles?, revelou Marcelo Rocha. ?Eu defendo que o torcedor que for preso por se envolver em atos de violência fique proibido de ir aos estádios e sofra uma punição mais severa?, sugeriu Bruno Tenório.

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