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Nº 5751
Esportes

Reservas: eles ganham ou perdem a Copa

Belo Horizonte - A exemplo do que aconteceu na França, há quatro anos, Ronaldo é novamente a maior esperança do Brasil na Copa do Mundo. Mas nem sempre foi assim. Em 1994, nos Estados Unidos, o jogador, aos 17 anos, ainda era uma promessa e sagrou-se camp

Por | Edição do dia 11/05/2002 - Matéria atualizada em 11/05/2002 às 00h00

Belo Horizonte - A exemplo do que aconteceu na França, há quatro anos, Ronaldo é novamente a maior esperança do Brasil na Copa do Mundo. Mas nem sempre foi assim. Em 1994, nos Estados Unidos, o jogador, aos 17 anos, ainda era uma promessa e sagrou-se campeão sem jogar. A participação dele limitou-se a torcer por seus companheiros. Ronaldo, em 94, engrossou aquele grupo de jogadores que tem a honra de servir a Seleção Brasileira em um Mundial e o privilégio de ver a Copa no banco de reservas. Para a torcida, alguns desses atletas caem no esquecimento. Mas para o elenco, eles podem ser fundamentais para a conquista do título, ou a perda dele. A lista de jogadores que já passaram por esse “time” é extensa e conta com nomes importantes na história do futebol brasileiro. Leão, Dario Peito de Aço, Ado, Zé Maria, Ademir da Guia, Wendell, Polozi, Zé Sérgio, Edinho, Gilmar Rinaldi, Ricardo Rocha, Dida e Carlos Germano estão nesta lista. Até craques do porte de Rivelino, Zico e Reinaldo já tiveram seus dias de coadjuvante. O ex-goleiro Leão conheceu os dois lados da moeda: foi reserva nos mundiais de 70 e 86, ambos no México, e titular nas Copas de 74 e 78, na Alemanha e na Argentina. “Em 70 eu era um garoto de 19 anos e participar da Copa foi importante porque serviu para assimilar o que era um Mundial e assegurar as oportunidades futuras, que realmente aconteceram”, afirma o ex-jogador. Leão ou “ovelha negra” A suplência não teve o mesmo gosto em 1986, quando Telê Santana levou Leão, então com 37 anos. “Ele me levou para suprir a injustiça de 82, quando me deixou de fora, mas não me colocou para jogar”, recorda o goleiro, que não esconde sua insatisfação durante aquela competição. “Se era para eu não jogar, devia ter levado um jovem para adquirir experiência. Como me levou, não podia me deixar de fora”, comenta. O goleiro se lembra dos momentos difíceis que passou no México, quando se revezava com Paulo Vítor na reserva de Carlos, considerado por ele “um bom goleiro”. “Naquele momento eu já sabia o que eu queria e eu queria era jogar. Foi difícil aceitar a reserva porque eu tinha olhos críticos e não de entusiasmo”, comentou Leão, que teve problemas de relacionamento com companheiros como Sócrates e Casagrande, e foi considerado uma espécie de “ovelha negra” daquela grupo. Mas Leão observa que a amarga reserva em 86 trouxe um ganho enorme à sua vida. “Aquela Copa foi fundamental para a minha decisão de parar de jogar”, revela o ex-goleiro. “Percebi que poderia contribuir de outra maneira com o futebol e amadureci a idéia de ser treinador”. Em 1987, ele deixou de jogar no Sport e assumiu o cargo de técnico do clube pernambucano, iniciando a nova carreira. Despreendimento Se Leão transformou-se em dor de cabeça para Telê Santana em 1986, outros reservas acabaram se tornando aliados dos treinadores. Neste caso, enquadram-se o ex-goleiro Gilmar Rinaldi e o ex-zagueiro Ricardo Rocha, que na Copa de 94, mesmo sem jogar, tiveram papel importante na conquista do tetracampeonato. Gilmar, juntamente com Zetti, já saiu do Brasil sabendo que Taffarel seria o titular. Já Ricardo Rocha começou jogando, mas se contundiu e atuou apenas contra a Rússia. Apesar dos motivos diferentes, os dois jogadores assumiram os papéis de “gurus” dos companheiros, orientando os menos experientes e ajudando a unir o grupo em torno de um objetivo comum: a conquista do título. Vinte e quatro anos antes, em 1970, numa outra campanha vitoriosa da seleção canarinha, foi a vez do então atacante Dario José dos Santos, o folclórico Dadá Maravilha, assumir o papel de animador dos companheiros. Nas seis partidas disputadas pela equipe treinada por Zagallo, e que tinha Pelé, Tostão, Jairzinho, Gérson, Rivelino e companhia limitada, o Peito de Aço ficou no banco apenas uma vez, contra a Romênia. “Eu dei tanta ajuda àquele grupo, tive tanta importância, que estrelas como Tostão, Pelé e Rivelino já deram entrevistas destacando a minha participação, pelo bom humor e por ajudar a manter o astral do grupo sempre elevado”, comentou Dadá. O ex-artilheiro lembra que tinha muita vontade de jogar e que estava preparado para marcar gols. “Mas a alegria do Dadá colocava o astral do grupo lá em cima”, recordou. O motivo de não ganhar uma chance é que incomodou Dario. “O Zagallo me explicou na época que não me colocou para jogar para não reforçar aquela história de que eu tinha sido convocado por determinação do presidente (Emílio Médici). Fiquei chateado, mas entendi e mantive o astral”, afirmou. Dadá considera que Zagallo acertou ao definir os seus titulares, medida que contribuiu para unir mais o grupo. “Ninguém reclamou, estava todo mundo irmanado para ganhar”, destacou. Ele observa que não tinha nem jeito de reclamar da reserva de Pelé e Tostão. Irreverente, como sempre, Dario diz que ficar no banco dos dois e do Romário, por exemplo, não é motivo de vergonha. “O duro é ficar na reserva do Luizão”, brincou. A franqueza dos treinadores é indispensável, segundo Dario, para manter um grupo unido, evitando o descontentamento dos que não jogam. Ele defende a definição com antecedência do time titular. “Já está passando da hora de o Felipão dar o time titular dele, afinal, time bom é aquele que é escalado pelos torcedores”, comentou, lembrando que esse é um dos fundamentos para se criar amigos no banco de reservas, e não inimigos.

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