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Nº 5714
Esportes

Sele��o viaja em busca do pentacampeonato

Rio de Janeiro - A Seleção Brasileira parte neste domingo em vôo fretado em busca de um sonho: manter a hegemonia do futebol mundial. Às 22 horas, deixa o Rio o avião da Varig, que seguirá para Barcelona, com escala em São Paulo, com quase metade do grupo

Por | Edição do dia 12/05/2002 - Matéria atualizada em 12/05/2002 às 00h00

Rio de Janeiro - A Seleção Brasileira parte neste domingo em vôo fretado em busca de um sonho: manter a hegemonia do futebol mundial. Às 22 horas, deixa o Rio o avião da Varig, que seguirá para Barcelona, com escala em São Paulo, com quase metade do grupo de Luiz Felipe Scolari convocado para a Copa da Coréia do Sul e do Japão. Os demais se juntarão à equipe na Espanha. Por mais que Scolari tenha construído nos últimos meses discurso de apologia à coletividade, minimizando os destaques individuais da Seleção, não há como negar o óbvio: o Brasil levará para o Mundial três estrelas: Rivaldo, Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho. No Aeroporto Internacional do Rio, a presença de Ronaldo deve servir como “injeção de ânimo” ao grupo. Mas, longe de qualquer figura de linguagem, uma injeção de verdade será aplicada nos atletas antes do embarque: a contra o sarampo, doença erradicada do País, mas que apresenta surtos em países da Ásia. Depois da Espanha, a delegação passará pela Malásia, chegará à Coréia do Sul em 26 de maio e, classificando-se para a segunda fase do Mundial, seguirá para o Japão em 14 de junho. A ênfase de Scolari em tentar padronizar a importância de cada um dos 23 convocados contrasta com a própria história do futebol do Brasil em Copas do Mundo - o único quatro vezes campeão do torneio. Craques Em 1958, na Suécia, onde o Brasil conquistou o primeiro título, havia Pelé, com 17 anos, Nilton Santos, Didi, Vavá e Mané Garrincha, com suas pernas tortas, sua mania de não respeitar a ordem do técnico e sempre aplicar mais um drible, sua irreverência que poderia até passar em alguns momentos por indisciplina. Tratava-se, no entanto, de genialidade. No bicampeonato, em 1962, no Chile, Garrincha brilhou mais uma vez, assim como Amarildo. O terceiro título veio graças a uma equipe repleta de craques: tinha Pelé, no auge de sua forma, Jairzinho, Tostão, Gerson, Rivelino, Clodoaldo, Carlos Alberto Torres. Todos encantaram o mundo em 1970. Para fechar esse ciclo de triunfos estupendos, coube a Romário, em 1994, o papel de protagonista. Com a petulância de um craque debochado, disse ao sair do Brasil que traria a taça para o País. Cumpriu com a palavra. Desequilibravam Até nas duas vezes em que a Seleção Brasileira foi vice-campeã do mundo havia jogadores no time, cuja função era a de desequilibrar. Em 1950, Zizinho e Jair da Rosa Pinto podem ser citados como exemplos. Em 1998, na Copa da França, ninguém esqueceu ainda do desempenho de Ronaldo até o dia da convulsão, que coincidiu com a data do jogo final do torneio. “Sempre haverá o craque no nosso futebol e ele sempre será valorizado”, observou Zagallo, que aposta em Ronaldo como destaque da primeira Copa asiática. O jogador não teve êxito nos últimos quatro anos. Sofreu duas lesões gravíssimas e problemas musculares. Ficou fora de atividade bastante tempo e esteve sob a ameaça de encerrar precocemente a carreira. Recuperou-se recentemente. Mas sua produção representa uma incógnita. Está bem fisicamente, não há discussão quanto à sua capacidade técnica. No futebol, porém, toda lógica é contestável. Talvez o mesmo possa se dizer agora de Rivaldo, outro jogador que já desfrutou do título de melhor do mundo, eleito por comissão da Fifa. No Barcelona, ganhou notoriedade por atuações espetaculares. Na Seleção, conseguiu ser o Rivaldo que toda a Europa conhece apenas uma ou outra vez. Rivaldo reclama de dores no joelho direito há mais de dois meses. Nesse período, submeteu-se a infiltrações para poder jogar. Esteve afastado das últimas partidas de seu clube e vem demonstrando preocupação com relação à Copa do Mundo. Chegou a pôr em dúvida mais de uma vez se estará em boas condições de disputar a competição. Para o capitão do tricampeonato, Carlos Alberto Torres, é um erro querer induzir o grupo a uma idéia “de mesmice”. “Copa do Mundo é a reunião de estrelas; e sempre foi decidida pelos melhores”, afirmou. “Os craques fazem a diferença, é assim que funciona”. Torres acredita que Ronaldinho Gaúcho possa ser a referência do Brasil no Mundial, embora também manifeste confiança em Ronaldo e Rivaldo.

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