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Ex-ponta-direita do CSA pede socorro

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| WELLINGTON SANTOS Repórter A família do jogador Peu (ex-CSA e Flamengo) vive um drama. Ironia do destino ou não, o fato é que poucas pessoas poderiam imaginar que um dia um jogador que fez da velocidade o seu maior instrumento de profissão mal possa caminhar dentro de casa, hoje em dia. Ele é Manoel dos Santos Ângelo, o Manoelzinho ou Mané Caranguejo, como é conhecido, 59, (ex-CSA, CRB, Botafogo-PB e América do Recife nos anos 70). Foi ponta-direita velocista e é o irmão mais velho de Peu e da família que se criou no CSA, juntamente com Jorge Siri e Chico. Hoje o ex-ponta vive às voltas com um turbilhão de dificuldades. Manoelzinho pede socorro, vítima de três Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC), popularmente conhecido por derrame, e que o afastou do emprego onde mantém a família com pouco mais de R$ 500. ?Ele só anda agora se for amparado por alguém dentro de casa. Melhorou um pouco agora, porque antes ele passou um bom tempo só na cadeira de rodas e na cama, dependendo de uma sonda para comer e fazer necessidades?, explica a companheira de Manoelzinho, Salvalina dos Santos Ângelo. E o que é pior: ?Manoelzinho pouco lembra das pessoas e de fatos do seu passado no futebol?, completa Salvalina. Para agravar o problema, Manoelzinho depende do atendimento público para amenizar o sofrimento. ?Mas até isso está suspenso?, diz ela. ### Pior crise do ex-atleta foi em abril Manoelzinho teve a última das três crises e a pior delas no dia 4 de abril deste ano e ficou na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por mais de quinze dias, entre a vida e a morte. ?Foi muita luta para cuidar dele, porque seu estado já era de coma. O Mané só melhorou quando foi medicado para evitar o coágulo no cérebro?, relata Salvalina. Depois do hospital, o ex-atleta passou o restante dos dias ?escravizado? numa cama, até melhorar um pouco para poder ser fotografado e balbuciar algumas palavras para a reportagem da Gazeta de Alagoas. ?Até logo! e obrigado!? foram as únicas palavras que Manoelzinho pronunciou durante a entrevista em sua casa, no bairro do Bebedouro. ?Andar sozinho, por enquanto, nem pensar?, diz Salvalina, sem perder, no entanto, a esperança de ver o marido dar a volta por cima. ajuda Questionada como tem se virado para comprar remédios para medicar o marido e cuidar da casa, Salvalina resumiu: ?A gente tem feito o que pode e o que não pode, porque a família, mesmo pouco, dá a sua contribuição?, relatou a esposa que teve quatro filhos (três mulheres e um homem), dos quais três são desempregados. ?O meu filho é soldado e faz o que pode?, diz Salvalina. Mágoa Perguntada se já pediu ajuda ao CSA, time onde Mané Caranguejo foi criado pela mãe e o pai, juntamente com os outros irmãos, Salvalina é enfática: ?Que Deus abençoe o CSA, mas de lá eu não quero pedir nada, porque o Manoelzinho começou a ficar doente depois que demitiram ele?, revelou, ao lembrar da época em que atuou como treinador da equipe juniores do clube. |WS ### Pernas Tortas que lembram a expressão triste de Garrincha Numa época em que a velocidade, dar dribles e ir à linha de fundo eram uma obrigação de qualquer ponta que se prezasse, Manoelzinho cumpriu bem seu papel, pelo menos essa é a avaliação de Lauthenay Perdigão, diretor do Museu dos Esportes e historiador do futebol alagoano. ?O Manoelzinho sempre foi um jogador útil nos clubes a que serviu, muito embora nunca tenha se estabelecido como um jogador de grande destaque?, opinou Lauthenay. Ele ressalta que em termos de jogadores diferenciados o adjetivo serve muito mais para os irmãos de Manoelzinho, Peu e Jorge Siri, que tiveram maiores destaque de mídia dentro do futebol. Outro que chegou a estourar logo no início da carreira foi o irmão caçula da família de Peu, Chico, também criado dentro do CSA, mas depois acabou não tendo a mesma regularidade e terminou a carreira praticamente no ostracismo. ?Mas de fato o Peu e o Jorge Siri eram bem mais habilidosos, mas isso não invalida a importância do Mané no contexto da família na história do futebol alagoano e notadamente no CSA?, completa Perdigão. Pernas tortas Assim como disse Lauthanay, Manoelzinho não teve o mesmo destaque da dupla Peu-Jorge Siri, mas para quem se depara com a figura dele hoje e talvez o tenha conhecido na época em que corria pela ponta-direita, é quase impossível não compará-lo com o mito Mané Garrincha, ex-Botafogo e seleção brasileira. A comparação não é em termos de futebol nem de fama, mas de aparência física. Atualmente, Manoelzinho tem as pernas tortas e um semblante que em muito lembra a expressão melancólica do ?Anjo das Pernas Tortas?, que morreu pobre e engolido pelo vício do álcool. Bons frutos Manoelzinho, assim como toda a família Santos Ângelo (Jorge Siri, Peu e Chico), foi criado dentro do Mutange e do mangue do campo que beira a lagoa. Enquanto a mãe, dona Maria dos Santos Ângelo era funcionária-lavadeira do clube, o então menino Manoelzinho brincava de bola nos rachas ao pé das fruteiras do velho campo do CSA. Das brincadeiras de moleque, Manoelzinho e o restante dos irmãos se transformaram em jogadores profissionais e seguiram a saga até o fim da carreira. Das fruteiras do Mutange saíram Jorge Siri, ídolo no CSA e em outros clubes; Peu saiu de Alagoas e brilhou no Flamengo de Zico, mesmo na reserva; Chico teve um estalo, mas foi irregular e Mané Caranguejo hoje agoniza e pede socorro. |WS

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