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No Reginaldo, esporte transforma vidas

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| MARCOS RODRIGUES Repórter A luta diária pela sobrevivência para dezenas de crianças do Vale do Reginaldo, no bairro do Jacintinho, deu lugar a uma outra realidade. Agora eles lutam por medalhas num esporte que ganha adeptos todos os dias. O tae kwon do está fazendo uma revolução na vida de quem antes só tinha como lazer o trabalho nos semáforos para ajudar no sustento da casa. Além dessa realidade, o convívio com os problemas estruturais do bairro e a influência da prostituição, drogas e violência, deixavam poucas saídas para quem queria uma outra vida. A luz no fim do túnel surgiu depois da implantação do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), que é mantido pela Secretaria Municipal de Assistência (Semas). A constatação é do professor de tae kwon do, Gabriel Sales, que trabalha com os garotos há cinco anos. ?Quando cheguei aqui ouvi alguns dizerem que tinham o sonho de virar bandidos. Agora a nossa conversa é sobre competições, treino e futuro?, disse o professor. O próprio Gabriel confessa que antes de conhecer a realidade do bairro o temia pelas histórias que eram contadas. ?Hoje tudo mudou. Não sei mais ficar longe deles. Aqui existem grandes talentos?, admite. O seu envolvimento com os atletas é tanto que as aulas acontecem nos três horários, todos os dias. Interior As aulas são realizadas nos fundos da Igreja do Sagrado Coração de Jesus, que fica localizada no meio do bairro. No galpão com piso de cimento batido, os golpes vão surgindo, aliado ao espírito competitivo. Para pais, moradores e curiosos, pouco importa se virão medalhas. A principal vitória é a do desvio da droga e da violência. A voluntária Maria Cícera Farias, que mora no bairro há 25 anos, não esconde o orgulho de perceber a mudança no comportamento das crianças. ?Já vi muita coisa ruim. Mas com esses jovens tenho certeza de que o futuro será diferente. Eles agora brigam, mas é por medalhas?. ### Alunos ganham medalhas em campeonato Os primeiros resultados já começaram a aparecer. Em um campeonato realizado na cidade do Recife, a equipe alagoana do Peti conseguiu trazer 17 medalhas. O bom desempenho na competição já resultou num convite. No ano que vem, eles irão participar da I Copa Americano Batista, que também será realizada em Pernambuco. O apoio para a participação da competição já está garantido. Segundo a secretária municipal de Assistência, Elizabethe Marques, o Peti-Reginaldo é considerado um dos mais organizados por isso terá o transporte garantido. destaques Entre os destaques do grupo estão atletas como a jovem Hilda Costa, 15. Antiga vendedora de feijão nos semáforos, ela agora é apontada no grupo como uma promessa. ?No Recife consegui vencer minha luta em 25 segundos. Dei golpes que não permitiram a outra atleta ter reação?, diz com orgulho. O jeito tímido esconde a realidade de uma garota que antes tinha a obrigação de conseguir dinheiro para ajudar em casa. Ela conta que quando vendia bem, quase sempre aos domingos, faturava R$ 30. ?Agora a minha vida é o estudo e a luta. Depois quero me formar em Veterinária?, revela a jovem atleta. Na família do estudante George Pereira da Silva, 15, o esporte já contagiou a todos. Sete pessoas, entre primos e irmãos, lutam tae kwon do. Ele revela que até o clima em casa se modificou. As brigas deram lugar a comemorações. ?As medalhas que ganhei guardo com carinho. Gosto da minha vida agora porque sei que terei futuro. Não tenho mais tempo de ficar na rua?, disse George com ar firme. Ele não esconde que antes, para garantir as vendas de feijão, deixava de ir à escola para ficar nos semáforos. |MR

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