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Augusto Farias d� a receita para o CSA

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| WELLINGTON SANTOS Repórter ?Sou dirigente de ir meia-noite para a concentração do clube e ir olhar nos quartos para ver se o jogador realmente está lá. Se tiver treino às 8 horas da manhã e o atleta chegar atrasado, mando fechar o portão e depois o jogador será multado?. E tem mais: ?Jogador de baladas, andar de tanguinha para se queimar e desfilar na Ponta Verde, isso não vai existir. Tem que vir como um profissional de futebol. Isso é para as folgas?, completou. Essas afirmações podem parecer pouco comum nos dias de hoje, mas não para Augusto César Farias, vice-presidente de Futebol do CSA, e nem para boa parte da torcida azulina, que verá no próximo campeonato a volta da ?velha raposa? e de sua filosofia para comandar o departamento mais estratégico do clube azulino, depois de dois anos de jejum da Primeira Divisão. Para os saudosistas, Augusto Farias encarnará o tempo em que ele rivalizava e motivava jogos e clássicos na imprensa com dirigentes rivais, como Waldemar Correia e Oswaldo Gomes de Barros, na década de 80, ambos dirigentes contemporâneos do CRB. ?Agora é com o Gustavo Feijó?, brinca. ?Mas isso sempre foi dentro de um respeito e assim será?, completa. Ele retornou ao futebol azulino este ano na Segunda Divisão do Campeonato Alagoano, depois de passar quase 15 anos alheio aos problemas do futebol. Em seu currículo como dirigente do CSA constam mais de seis títulos estaduais e três vice-campeonatos da antiga Taça de Prata, espécie de Segunda Divisão do futebol brasileiro entre as décadas de 70 e 80. ?Não conheço nada na vida que dê certo se não for com disciplina. Minha filosofia é essa. Se é antiga, deu certo de novo este ano?, avalia. A estrela de LOuruz Mas um de seus maiores orgulhos foi a participação do CSA em 1981 no Campeonato Brasileiro, chamada ?Taça de Ouro? com o hoje remanescente treinador Walmir Louruz, quando o time marujo conseguiu a melhor colocação de um clube alagoano na Primeira Divisão do futebol nacional: 13º lugar, na frente de muito clube tradicional. E foi confiando na estrela de Walmir Louruz, que o vice-presdiente de futebol foi buscá-lo outra vez para comandar o time no próximo ano, mesmo sabendo que o treinador havia muito tempo fora do Brasil. ?Eu conheço a filosofia de trabalho do Walmir e isso facilita?, justifica. Augusto credita o sucesso do treinador à empatia que o CSA tem com a magia gaúcha que desembarcou em 1974. ?O CSA trouxe uma safra de grandes jogadores naquela época e o Walmir estava naquele time como zagueiro?, diz ao lembrar lendas como Ferreti, Ênio Oliveira, Espinosa e Ney Conceição. ?Outro campeonato inesquecível foi o de 86, quando o CSA conseguiu ficar em sexto na fase de classificação. Tínhamos jogadores como André, Nívio, Paulo César e Marcelo. E um jogo inesquecível foi aquele 1x0 em cima do Palmeiras, na nossa classificação para a 2ª fase, gol de André?, recorda-se. Nesse ano, novamente o gaúcho Walmir Louruz foi o comandante azulino. disciplina Nesse ano também Augusto e Walmir Louruz tiveram que contornar um grande imbróglio. O zagueiro Marcelo, um consagrado zagueiro e ídolo da torcida do CSA, havia cometido um gesto de indisciplina antes de um clássico. Louruz ficou no dilema se tirava ou não o atleta do jogo. Augusto soube da história, foi aos vestiários e sentenciou. ?Pode sacá-lo do time!?. Naquele dia o CSA não só ganhou a partida, como Marcelo levou uma multa violenta. ?Foi sempre com esse estilo que conseguimos vencer. O futebol mudou, eu sei, mas eu acredito que sem disciplina você não chega a lugar nenhum. O treinador não pode se expor com o jogador. Esse trabalho tem que ser do dirigente. Agora é o seguinte: quem manda tem que cumprir rigorosamente o que assinou com o profissional?, atesta. Ano político Questionado se sua volta ao CSA seria por interesse numa possível candidatura a deputado federal e se isso não se conflitaria com o medo e a desconfiança da torcida por uma nova tragédia de queda para uma divisão inferior, Augusto Farias garante que não. ?O fato de ser ano político motiva, dá mais responsabilidade sim, mas eu faço por amor ao CSA. Gostaria que todo ano fosse político, mas eu quero lembrar que só me candidatei a um cargo eletivo depois de quase 10 anos de vida dentro do CSA, em 1990, pois entrei na diretoria em 1980?, conta. Bastidores e FAF Indagado sobre o fato de haver muitos políticos envolvidos nos clubes que disputarão o Alagoano e se não temeria pelos bastidores - os casos de jogadores irregulares - a estrutura pífia e ainda amadora da Federação Alagoana, Augusto Farias defendeu a cúpula da FAF, ressaltando a honestidade do presidente da entidade, Raimundo Tavares. Mas fez um alerta: ?Ele é meu compadre, é ético e o CSA foi rebaixado na sua gestão. A FAF terá que ter muito equilíbrio. Mas a FAF não pode trabalhar como se fosse barracão de usina, com uma máquina de datilografar. Acho que isso preocupa demais. Mas a CBF precisa ajudar a Federação?, disse. Augusto Farias avalia que o CSA hoje é o quinto na corrida pelo título dentro dos times mais tradicionais do Estado que brigarão pelo Campeonato Alagoano de 2006. ?Digo isso porque o CRB tem quase trinta jogadores em seu plantel, tem uma base, está contratando e tem cinco atacantes e nós não temos nenhum atacante ainda. O Coruripe está também com uma base. Possui o Edson Di, que eu gostaria de ter no meu time e que o CRB também quer?, diz ao acrescentar: ?O Corinthians Alagoano também tem uma base boa, mesclando os juniores e cinco ou seis jogadores experientes e o ASA é uma realidade, não é campeão do Estado à toa?. E arremata: ?Se o campeonato começasse hoje, eu não teria um time para entrar em campo?, finaliza.

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