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Sem recursos, Bom Jesus pede socorro

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WELLINGTON SANTOS FERNANDA MEDEIROS Repórteres O Bom Jesus da cidade de Matriz do Camaragibe pede socorro. O time que foi a sensação do 1º turno do Alagoano do ano passado, quando chegou a figurar no 2º lugar na 1ª fase, uma das melhores campanhas da história do clube, faz um campeonato muito ruim no Estadual 2006 e nem de longe lembra o entusiasmo que proporcionou a sua torcida em 2005. Com ajuda de duas prefeituras - a própria de Matriz e a de São Luiz do Quitunde, tendo à frente Cícero Cavalcante, então patrono do clube, o time deitava e rolava no campeonato. E mais: ao tempo que revelava uma equipe coesa e uma consciência tática que impressionava os grandes como o CRB, ASA e Corinthians, do ?Bonja?, como é carinhosamente afagado pela sua fanática torcida, emergia um técnico até então desconhecido que ?operava? um ?milagre? no pequeno clube. Seu nome é Flávio Barros. À época, a Gazeta chegou a fazer uma matéria com as proezas do treinador intitulada O milagreiro do Bom Jesus. O sucesso do treinador fez com que ocorresse o que muita gente esperava. Sua saída antes mesmo de terminar o 1º turno. Barros foi para um time de melhor estrutura e tradição que estava numa situação complicada na competição: o ASA. E não deu outra. A estrela do técnico brilhou de novo e ele acabou sendo campeão de tudo o que disputou, inclusive o título maior. Acabou o encanto Mas voltando ao Bonja, enquanto o treinador ascendia profissionalmente, o inverso e o encanto da então arrumado Bom Jesus estava por ter fim. E o pior ocorreu. Estourou a bomba da ?Operação Guabiru?, realizada pela Polícia Federal, e o patrono, Cícero Cavalcante, e o prefeito Marcos Paulo (Marquinhos), foram acusados de desviar parte dos recursos da merenda escolar para o clube. E não deu outra. O time do Bom Jesus praticamente se desfez, e toda a estrutura ruiu. O time terminou a duras penas o campeonato. Recursos pela metade O atual presidente do Bonja, o empresário do ramo de confecções, Edvaldo Lins da Silva, o Panga, reconhece que a situação do clube, este ano, é bem diferente de 2005 porque, segundo eles, os recursos que o Bonja recebia naquele ano caíram pela metade. ?Ainda recebemos ajuda financeira do Cavalcante e do prefeito Marquinhos, que colabora com o clube de forma particular. Não exigimos nada deles, pois a ajuda que nos dão não é uma obrigação, mas é uma ajuda?, disse o presidente, que foi eleito em outubro de 2005, acrescentando que o clube também conta com apoio financeiro do prefeito de Japaratinga, Bruno Loureiro. Além deles, o Bom Jesus tem o patrocínio da Construtora Lacerda e da Usina Camaragibe. ?Mesmo com esses recursos, não dá para cobrir todas as despesas do clube?, afirma o vereador Geraldo do Dino, que também responde pelas categorias de base do Bom Jesus. Segundo ele, as despesas do clube, incluindo os funcionários, os jogadores, concentração, alimentação, entre outras, chegam a R$ 40 mil mensais. ?Mas não sabemos quanto era gasto na diretoria passada, porque eram outros dirigentes, mas deveria ser bem maior?, afirmou, acrescentando que a busca agora é por recursos para a realização de reformas no Estádio Edvanil Navarro. ?Não queremos fugir da realidade do clube. Nós temos os pés no chão?, afirmou Geraldo do Dino. ### Diretoria manteve base do ano passado Do elenco de jogadores do ano passado, foram mantidos, no início deste Campeonato Alagoano, os goleiros Dinho e Pavão, os laterais Darlan e Zé Sérgio, os meias Roldão, Adriano Cabeça e Cabeia, o atacante Valmir e o técnico Joécio, que naquele ano era jogador. Mas Joécio não demorou muito tempo à frente do time, foi substituído por Canhoto. De fora, vieram os zagueiros André, Wellington Madeira, Washington e Luizão, o goleiro Índio, os atacantes Beto, André Vieira e Alex Olinda, e os meias Orlando, Alex Alagoano, Télio e Jesiel, todos do futebol de Sergipe, Pernambuco e Paraíba. Segundo o presidente Panga, a folha dos jogadores chega em torno de 22 mil reais. ?Às vezes, temos de tirar do próprio bolso. Não podemos deixar faltar remédios e alimentação, por exemplo, para os atletas?. Sobre o Estádio Edvanil Navarro, que segundo a comissão de vistorias da Polícia Militar de Alagoas, tem capacidade para 1.500 torcedores, na opinião dos dirigentes do Bom Jesus, está em boas condições para receber os jogos do Estadual. ?O que vemos por aí, em outros estádios, como de Palmeira dos Índios [Juca Sampaio] e o da Pajuçara [Severiano Gomes Filho] os gramados são bem piores que o nosso?, afirmou Geraldo do Dino. De acordo com os dirigentes, a decadência do Bom Jesus começou no segundo turno do campeonato passado, quando ficou na última colocação, com nove pontos. Para Panga, a Operação Guabiru não influenciou na campanha do time. ?Com a forma de disputa do campeonato os clubes já sabiam quem seria o rebaixado e não tiveram mais motivação, pois não almejavam mais nada?, disse. Poucas palavras Para o prefeito de Matriz do Camaragibe, Marcos Paulo Nascimento, o Marquinhos, além do apoio dado por ele, o clube tem a ajuda de vários comerciantes da cidade. ?São essas pessoas que estão nos ajudando?. Ele não quis falar muito à reportagem da Gazeta sobre a situação atual do clube, mas falou sobre as obras que pretende fazer no estádio: ?Para este ano, vamos tentar viabilizar recursos com a bancada federal, sobretudo para a construção de arquibancadas?, disse Marquinhos, que prefere não ser chamado de patrono do clube. |WS e FM

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