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Nº 5730
Esportes

Didinha: por amor ao time do cora��o

| FERNANDO VINÍCIUS Repórter Matriz de Camaragibe - Ele não tem profissão definida e só estudou até a 4ª série do antigo primário, hoje ensino fundamental. No seu registro de nascimento está escrito Elivan Rodrigues, mas ninguém o conhece por esse nome

Por | Edição do dia 26/03/2006 - Matéria atualizada em 26/03/2006 às 00h00

| FERNANDO VINÍCIUS Repórter Matriz de Camaragibe - Ele não tem profissão definida e só estudou até a 4ª série do antigo primário, hoje ensino fundamental. No seu registro de nascimento está escrito Elivan Rodrigues, mas ninguém o conhece por esse nome em Matriz de Camaragibe, onde nasceu e vive. Conhecido por seu amor ao Bom Jesus, Didinha agora é a mais nova celebridade local desde que evitou o que seria o segundo gol do ASA, dia 19 deste mês, no jogo em que o Bonja foi rebaixado para a 2ª Divisão. O dublê de zagueiro mora com a mãe e o padrasto. Convidado para repetir a cena veiculada em nível nacional, Didinha aceitou de imediato. No Estádio Edvanil Navarro ele é uma espécie de “faz-tudo” da categoria de juniores. “Eu ajudo de todo jeito, levo água para os jogadores, cuido dos uniformes e até em campo eu já entrei este ano para trabalhar como técnico”, explica ele, que substituiu o treinador do time vice-campeão do 1º turno. A história Didinha conta que o Bonja perdia por 1 a 0 quando ele foi para a arquibancada. “Eu demorei a ver o jogo porque estava arrumando as roupas dos juniores. Aí resolvi entrar em campo para ajudar os dois gandulas a devolver a bola mais rápido”, explicou. A vitória garantiria o Bom Jesus na 1ª Divisão, mas o time só conseguiu o empate (1x1). Já nos acréscimos do 2º tempo, o ASA arma um contra-ataque rápido. Lamar corre com a bola dominada e tira o zagueiro da jogada, tocando para Rômulo. O meia-atacante tem o gol praticamente à sua disposição e toca em direção à rede adversária. Ele não percebeu que o gandula já havia entrado no campo e, praticamente em cima da linha, salva o gol que decretaria a derrota do Bonja. O juiz apita o fim do jogo. O Bom Jesus estava rebaixado, apesar do esforço de Didinha. A degola ocorreu porque o Ipanema venceu o Penedense, 1 a 0. Apesar da tristeza que tomou conta da cidade, Didinha tornou-se herói. “Quando eu vi que aquele contra-ataque do ASA poderia acabar em gol, eu me aproximei da trave e já estava esperando para defender a bola”. Consciente que dificilmente poderá voltar a campo como gandula, Didinha não se importa. “Eu faria tudo de novo”, afirma, demonstrando amor pelo clube, onde espera continuar trabalhando nos juniores e na escolinha, ao lado de Adeilton Antônio da Silva, o professor Itinho. “Este aqui tem dedição de 100% ao clube”, assegura o amigo que é responsável pela preparação física da categoria. Nem mesmo a ajuda de custo de apenas R$ 140 desanima Didinha, que completa a renda familiar com trabalhos eventuais. Depois de repetir a cena, ele deixa o campo e segue para a casa que está pintando. Amanhã, volta ao palco onde fez sua fama para acompanhar a reapresentação dos juniores, novo foco das atenções da torcida do Bonja.

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