Esportes
�rbitros querem entrar na justi�a comum
WELLINGTON SANTOS FERNANDA MEDEIROS Repórteres A pancadaria envolvendo atletas, árbitros e dirigentes no fim do clássico entre CSA e CRB, na quarta-feira, teve seus primeiros desdobramentos durante todo o dia de ontem. Até o fechamento desta edição o Sindicato dos Árbitros de Alagoas (Sindafal) prometia medidas severas contra cinco atletas do CRB, um supervisor, também do Galo, e o preparador físico do CSA. ?Se a Lei permitir, vamos entrar com uma ação na Justiça Comum para pedir a punição de todos eles?, afirmou o presidente do Sindafal, árbitro Flávio Feijó. NA DELEGACIA Depois do jogo, os árbitros Charles Hebert, Antônio Lacerda e André Romeiro foram à Delegacia de Plantão (Deplan 1) prestar queixa dos atletas do CRB, Saulo, Aldivan, Tiago, Cristiano, do supervisor do Galo, Mauro Ramos, e do preparador físico do CSA, Canela, que segundo os árbitros teriam participado das agressões sofridas por eles ao final do jogo. ?Os árbitros saíram da delegacia por volta das 2h da madrugada, fizeram o Boletim de Ocorrência e de lá foram ao Instituto Médico Legal (IML), fazer exame de corpo de delito?, informou o presidente da Comissão Estadual de Arbitragem (Ceaf-AL), Sebastião Canuto. De acordo com ele, o árbitro Charles Hebert foi agredido pelos atletas regatianos Tiago, Saulo e Aldivan, e pelo supervisor Mauro Ramos. Já o assistente Antônio Lacerda, segundo Canuto, foi agredido pelo atacante Cristiano, com uma tesoura voadora que o levou ao chão. ?Isso foi o que o árbitro agredido nos relatou e também o Charles Hebert?, explicou Canuto. Quanto a um dos quartos árbitros da partida, no caso, André Romeiro, foi agredido pelo preparador físico do CSA, Canela, que estava no banco de reservas. ?O André foi amenizar um tumulto que estava acontecendo no banco do CSA, após o segundo gol azulino, e acabou sofrendo uma agressão do preparador físico deles?, disse o presidente da Ceaf-AL, acrescentando que todos esses episódios foram relatados na súmula da partida. Tesoura voadora O árbitro Charles Hebert, em entrevista à Gazeta de Alagoas, contou o que aconteceu: ?Eu fui empurrado pelos atletas Saulo e Aldivan. Quando me afastei deles, o Tiago veio por trás e me deu uma tesoura voadora, que não chegou a me atingir em cheio, mas mesmo assim eu caí. Quando eu estava no chão, o Mauro Ramos me deu um chute nas costas?, declarou Hebert. ### Suspensão pode ser de 120 a 540 dias O presidente do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD-AL), Breno Lins, afirmou que os atletas do CRB que agrediram os árbitros após o jogo do Galo com o CSA, podem ser punidos com a suspensão de 120 até 540 dias. A penalidade está determinada no artigo 253, do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que diz o seguinte: ?Praticar agressão física contra o árbitro ou seus auxiliares, ou contra qualquer outro participante do evento desportivo?. A pena será ?a suspensão de 120 (cento e vinte) a 540 (quinhentos e quarenta) dias?. E mais: no parágrafo 1º diz que ?se da agressão resultar lesão corporal grave, a pena será de suspensão de 240 (duzentos e quarenta) a 720 (setecentos e vinte) dias.? ?É bom esclarecer que a suspensão impede que o atleta punido participe de quaisquer atividades no futebol. Ou seja, ele não poderá disputar qualquer competição, mesmo que seja transferido para outro clube ou país. Se isso acontecer, ele não terá condições de jogo?, afirmou Breno Lins. Ontem, o presidente do TJD-AL solicitou a órgãos de imprensa imagens das agressões sofridas pela arbitragem. O presidente da Comissão Estadual de Arbitragem (Ceaf-AL), Sebastião Canuto, lamentou o ocorrido e disse que a súmula do jogo, o Boletim de Ocorrência e as fitas com imagens do tumulto vão ser encaminhados ao TJD-AL. ?E, com certeza, dentro do que prevê o CBJD, isso terá desdobramentos?, afirmou. Segundo Canuto, o supervisor do CRB, Mauro Ramos, também se dirigiu a ele ?para tomar satisfação?, após o jogo. ?Ele [Mauro] agrediu o Charles Hebert e ainda veio querer tirar satisfação comigo?, disse. |WS e FM ### Diretoria do Galo em fogo cruzado Se por um lado o Sindicato dos Árbitros prometia ir até às últimas conseqüências para punir os agressores, a diretoria do CRB, por outro, se mobilizava para contra-atacar num verdadeiro fogo cruzado. ?Se eles vão tomar as providências deles, nós também estamos tomando as nossas? resumiu o diretor de Futebol alvirrubro, Ednilton Lins, ontem. Os atletas Cristiano e Aldivan, por exemplo, tomaram o mesmo procedimento dos árbitros. Depuseram em uma delegacia da capital e foram fazer o exame de corpo de delito para comprovar que também sofreram agressões. Uma da versões de bastidores davam conta que o atacante Cristiano teria sido, antes de agredir o assistente Antônio Lacerda com uma tesoura voadora, agredido primeiro pelo árbitro-assistente. Exames As informações davam conta que os dois atletas acusados pelos árbitros estavam com hematomas no rosto e na cabeça, que teriam sido causadas por coronhadas protagonizadas pelos assistentes. A Gazeta tentou entrar em contato com o atacante Cristiano, mas não conseguiu ouvir sua versão sobre o caso. Fitas A diretoria regatiana também já se mobilizava para requisitar fitas com os trechos em que apareciam cenas para tentar comprovar que os atletas também teriam sido agredidos. Um dos principais acusados pelas agressões, o supervisor Mauro Ramos, não compareceu ontem à Pajuçara para dar sua versão sobre as cenas. A Gazeta tentou entrar em contato com ele, mas não conseguiu.