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�rbitros vivem na escravid�o, diz ex-juiz

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| FERNANDA MEDEIROS Repórter ?Quem quiser saber o que é escravidão vá trabalhar na Ceaf-AL [Comissão Estadual de Arbitragem]?. A declaração surpreendente foi do ex-árbitro de futebol Edésio Fernandes, que se despediu da arbitragem após o jogo CSA x Coruripe, domingo, no Estádio Rei Pelé. E ele se despediu de forma inusitada: ao término da partida, queimou a bandeirinha e a camisa de árbitro assistente que estava usando, em pleno estádio. O motivo, segundo Fernandes explicou à Gazeta de Alagoas, foi: ?Na Ceaf e na Federação [Alagoana de Futebol] é uma escravidão só. A gente não pode falar nada, não pode reclamar nem reivindicar. Quem falar está fora da arbitragem?, denunciou. Sobre o episódio da camisa que queimou, ele revelou que fez como forma de repúdio à Federação e à Ceaf-AL. ?Fiz tudo programado, levei gasolina no bolso. Foi um repúdio contra a política implantada na FAF e na Ceaf-AL de termos de aceitar tudo o que eles querem?, desabafou. Edésio Fernandes tem 42 anos e há 11 anos é árbitro da Ceaf-AL, mas resolveu abandonar a profissão. Ainda tinha três anos para atuar, já que a idade limite é 45 anos, mas ele decidiu se afastar e disse que resolveu abrir a boca. ?Estou deixando a Ceaf-AL e resolvi falar. Não sou mais do quadro da CBF e não concordo com os critérios adotados para permanecer neste quadro?, afirmou. E mais: ?Acho que me tiraram da CBF por marcação, porque eu reivindico em favor da classe. Eles [Ceaf-AL] querem árbitros que possam manipular?. Taxas atrasadas Fernandes denunciou que há taxas de arbitragem em atraso desde 1999. ?São de jogos do amador. Também há taxas atrasadas dos jogos do Dimensão Saúde, de 2005. E deste ano também há sete rodadas em atraso?, afirmou. Segundo ele, se fosse receber esses valores atualizados, hoje chegariam a mais de R$ 3 mil. ?Se eu não receber, vou procurar os meus direitos. Vou correr atrás?, avisou. O presidente do Sindicato dos Árbitros (Sindafal), árbitro Flávio Feijó, afirmou o seguinte sobre essa polêmica: ?O problema do Edésio é particular, não é com a comissão. Ele não se conforma porque saiu do quadro da CBF e aproveitou para fazer tudo isso?. E prosseguiu: ?A arbitragem passou 14 rodadas sem receber dinheiro e ele não disse nada. Foram pagas sete rodadas e só agora ele resolveu falar??. O vice-presidente da Ceaf-AL, Edson Matos, considerou desrespeito e indisciplina a atitude de Edésio. ?Ele queimou o passado bom dele na arbitragem?, opinou. ?Sobre essa história de marcação, eu digo que isso não existe aqui. Todos os árbitros têm o tratamento igual?, completou. O presidente da FAF, Raimundo Soares, lamentou o episódio e resumiu: ?Todos os 11 anos dele na arbitragem foram queimados. Lamentável este ato?.

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