Esportes
O futebol se despede de Tel� Santana
ANTERO GRECO Agência Estado São Paulo - Virou moda, no Brasil, chamar de professor qualquer técnico, mesmo que tenha dirigido apenas quatro ou cinco jogos de equipes juvenis. Mas mestre, daqueles que de fato ensinam, formam jogadores, há poucos. Um dos que mereceram a honraria, o maior de todos nas últimas décadas, foi Telê Santana. Pois o grande mestre do futebol nacional morreu ontem, em Belo Horizonte, aos 74 anos, depois de ficar 28 dias internado no Hospital Felício Rocho. Telê foi internado por causa de uma infecção no abdômen. Seu estado agravou-se durante o período em que esteve no hospital, com o surgimento de infecção também no pulmão, além de problemas nos rins e no fígado. Depois de uma leve melhora no início da semana, a saúde do ex-técnico piorou progressivamente desde a noite de quarta-feira, quando ele deixou de responder aos medicamentos. A morte foi constatada às 11h50 de ontem. A causa, segundo os médicos, foi uma colite isquêmica que evoluiu para falência múltipla de órgãos. Ele estava com a saúde bastante debilitada por um acidente vascular cerebral (derrame) que sofreu em 1996. ### Do Palmeiras para a seleção brasileira Telê teve passagem rápida pelo São Paulo em 73, perambulou por alguns clubes até se firmar no Grêmio, em 77. Na época teve a proeza de quebrar a hegemonia do Inter, ao conquistar o troféu gaúcho e consolidar a fama de disciplinador e defensor obstinado do jogo limpo. ?Futebol é arte, é diversão?, costumava dizer. ?Se tiver de apelar para a força bruta, então coloco em campo um grupo de estivadores?. A trajetória de Telê deu guinada radical em 1979, quando aceitou proposta de treinar o Palmeiras. Com um elenco composto por jogadores experientes (como Beto Fuscão, Jorge Mendonça, Polozi) e jovens (Pedrinho, Baroninho, Pires, Mococa, Jorginho), criou uma equipe que encantou o Brasil, dava espetáculo, aplicou surra histórica de 4 a 1 no Flamengo, no Maracanã, mas caiu nas semifinais do Brasileiro diante do Inter. Aquele Palestra revolucionário foi decisivo para que Giulite Coutinho, então recém-eleito para a CBF, o chamasse para a seleção brasileira. ### Telê foi a luta pela arte e pelo lúdico, afirma Sócrates | Terra ?Estou chocado. Telê significou para mim o mesmo que meu pai: podíamos ser diferentes, como de fato éramos, diferente do que sou, do que penso, mas uma pessoa com quem aprendi muito. No final, até o sofrimento dele foi parecido com o do meu pai, Raimundo?, comentou Sócrates, craque da seleção brasileira da Copa de 82. ?Telê representa muito: para mim, para o futebol do Brasil e do mundo e, em especial, para os cidadãos brasileiros. Ele foi, ele é, um exemplo de integridade. Um homem fiel aos seus princípios e honesto em relação a todos os aspectos da vida?. sepultamento O sepultamento de Telê será hoje, às 11h, no Cemitério Parque da Colina, em Belo Horizonte, local onde seu corpo está sendo velado. ### Amigos relembram bons momentos São Paulo - A morte do ex-técnico Telê Santana, ontem, provocou a comoção de muitos colegas e amigos. Um deles, o treinador da seleção brasileira, Carlos Alberto Parreira, ressaltou as inúmeras qualidades que Telê possuía. ?Ele foi grande por ser bom tanto profissionalmente quanto pessoalmente. Ele deixou uma marca dentro de campo. Teve uma trajetória de um vencedor. Se depender de mim, haverá alguma homenagem a ele na seleção?, disse Parreira. No Morumbi, onde aconteceu um jogo beneficente, vários jogadores e ex-jogadores que trabalharam com Telê Santana falaram da alegria e força de vontade que o ex-treinador tinha em trabalhar. ?Tive o prazer de trabalhar com ele por cinco anos. Cresci muito na minha carreira com ele. Gostava muito também de jogar tênis com ele. Jogávamos sempre antes de começar as concentrações?, disse o goleiro Rogério Ceni, que chegou ao São Paulo em 1991. ///