Esportes
Lendas e fatos
LUIS FERNANDO VERISSIMO Entre os muitos mitos que se criaram sobre a seleção brasileira um dos mais repetidos, e mais desmentidos, foi o de que o time da Copa de 1958 tinha sido escalado pelos jogadores. Contra a vontade do técnico Vicente Feola, os jogadores, liderados por Nilton Santos, teriam imposto a escalação de Vavá e Pelé em lugar de Mazzola e Moacyr e, principalmente, de Garrincha em lugar de Joel, na ponta direita, lembra dela? Um corolário deste mito (ou verdade) é que as modificações teriam sido feitas enquanto o Feola dormia, pois o rotundo treinador não conseguia manter os olhos abertos nem durante os jogos. O mais difícil, em caso de vitória do Brasil, não seria carregar o Feola em triunfo. Seria acordá-lo para as comemorações. Muita gente, depois, insistiu que nada disso era verdade. Feola podia dar seus cochilos, mas não era um treinador omisso, e as modificações tinham sido acertadas em conversas com os jogadores. O fato é que o time titular que viajou para a Suécia em 58 foi bem diferente do que venceu a final. No meio do caminho alguém se deu conta de que precisava mudar. Se o Feola sonhou com as modificações antes de fazê-las, ou se houve uma reunião organizada pelo Nilton Santos em que se proibiu a entrada de técnicos e cartolas e os jogadores decidiram o que fazer, não se sabe. Talvez este seja um caso em que se deva seguir o conselho do velho John Ford: mesmo que os fatos desmintam a lenda, publique-se a lenda. Ela é a verdade que as pessoas preferem. Estaria havendo um descontentamento entre os jogadores da atual seleção. Todo o mundo já teria se dado conta de que precisa mudar. Discute-se o mal aproveitamento do Ronaldinho Gaúcho, que estaria sofrendo um processo de beckhamização: fica fazendo lançamentos, alçando bolas para a frente do gol e batendo escanteios, como o galã inglês, e não entra na área nem para abraçar quem fez o gol. A frase ?O Juninho Pernambucano tem que entrar nesse time? flutua no ar como o pólen. Se vem dos jogadores, de jornalistas escaladores ou da própria comissão técnica, não se sabe.