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Den�lson: titular absoluto do banco

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Ulsan - Denílson é aclamado pelos torcedores de todas as partes do mundo que, a todo instante, pedem para que esteja no campo. Sua presença é a garantia de que, placar à parte, o show está garantido. Denílson é respeitado e admirado por adversários, que temem marcá-lo, e pela crônica especializada, que se diverte durante os treinamentos com suas exibições, quase infantis, de habilidade com a bola. Denílson também é querido e valorizado pelo técnico da Seleção Brasileira, Luiz Felipe Scolari. Por ele (o técnico) foi eleito como uma espécie de talismã do time. Só falta um detalhe para Denílson: uma vaga na equipe. Por enquanto, Denílson é o ?titular? absoluto do banco de reservas da Seleção. Em entrevista, o meia fala sobre essa pitoresca situação na véspera da estréia do Brasil na Copa do Mundo da Coréia do Sul e do Japão, dia 3, em Ulsan. Confessa que não consegue entender exatamente o que acontece, mas que está feliz em poder fazer parte do grupo que está na Ásia. Lembra também os momentos difíceis que enfrentou em sua primeira temporada na Espanha e enfatiza que podem falar o que quiser dele, mas o drible sempre vai ser a principal marca de seu futebol. ?Já recebi muita bronca por não tocar a bola. Mas não deixei de driblar?. Como você encara a confiança que o treinador sente em você? Ele já deixou claro que o Denílson é o primeiro a entrar no time quando precisar. Denílson - Pela maneira como eu vinha jogando, devo ter conquistado a confiança dele. Eu atuava no São Paulo quando o Felipão era técnico do Palmeiras. Nos enfrentamos várias vezes e, ao me convocar, disse que eu tinha que fazer na Seleção o que fazia contra o Palmeiras quando ele era técnico. Quando começou esse elo de confiança, seu primeiro contato? Denílson - Pouco antes da Copa América da Colômbia, em 2001. Ele me telefonou e disse que contava comigo não só para a Copa América como para a Copa do Mundo. Mas você não estava bem na Espanha. Não foi uma surpresa a convocação? Denílson - Eu vinha mal realmente e sabia que não podia desperdiçar a oportunidade. Meu time também estava num momento ruim, disputando a Segunda Divisão. Então pensei: ?Poxa, faltam só alguns meses para a Copa do Mundo e não posso jogar fora a chance de disputar meu segundo Mundial?. Mais do que surpreso, fiquei agradecido. Como foi sua chegada a Sevilha, para defender o Bétis? Denílson - Manter contato com uma cultura diferente foi difícil. Eu ainda não tinha estrutura quando jogava no São Paulo. Por ter sido naquela época a maior transação do futebol mundial (US$ 36 milhões), a cobrança foi enorme. Achavam que eu tinha de cruzar, correr para a área e fazer o gol. Pensavam que eu era um matador, um artilheiro. Ora, nunca fui de marcar muitos gols. Essa situação lhe trouxe muitos problemas? Denílson - Claro. Quando o Bétis não se saía bem, a culpa era sempre do Denílson. E como reagia a tudo isso? Denílson - Eu dava muita importância ao que falavam de mim. Se eu lia ou ouvia comentários ruins ao meu respeito, ficava mal, mesmo que as críticas fossem corretas. Hoje isso não acontece mais. Muita coisa mudou na minha vida e estou mais concentrado no trabalho. Até nas saídas à noite dei uma maneirada. Acha que seus companheiros sentiam inveja e ciúme de você? Denílson - De repente, parte do grupo deveria ter. Estranhava que um estrangeiro pudesse ter mais dinheiro e mais prestígio. Eu não tinha muita intimidade com esse grupo. Qual foi o pior momento que passou na Espanha? Denílson - Foi quando o clube caiu para a Segunda Divisão (2000/2001). Depois de chegar lá, passei seis meses chorando no colo dos meus pais (Helvécio e Amélia). São as duas pessoas que ficaram do meu lado o tempo todo e sofreram mais do que eu. Tinha noite que chegava a casa sabendo que havia feito um jogo horrível e eles eram os únicos a me dar os parabéns e dizer que tinha jogado bem. Isso me doía muito mais por compaixão a eles. Acha que o Felipão estava de olho em você, mesmo na Segunda Divisão? Denílson - Eu nem sabia disso, fiquei muito feliz. É uma prova de que o jogador com potencial não deve nunca desanimar. O Scolari escolheu você e o Emerson para carregar seus números de sorte - 17 e 7 -, respectivamente. O que pensa sobre isso? Denílson - Scolari elegeu o número da sorte para ele, mas eu não ligo para essas coisas. Na Copa de 1998, fui o 19, não vejo relação entre números e sucesso. Apesar de todo o carinho demonstrado, você ainda é reserva. Acha que o técnico lhe faz elogios como uma forma de consolá-lo por essa situação? Denílson - Eu sei que ele me elogia sempre, mas não acredito que faça isso apenas para me consolar. Sempre que pode, conversa comigo e deixa claro que conta com meu futebol em todos os jogos. Deixa-me no banco de reservas para mudar o estilo de jogo. Você se considera o 12o titular do time? Denílson - Eu não me considero nem reserva, nem titular. É claro que quero jogar sempre. Respeito a posição do Felipão. Uma coisa é certa: quando acaba o primeiro tempo, eu já fico esperto. Já sei que ele vai me escalar. Foi assim em todos os jogos pela Seleção sob seu comando. Não teme que essa história de ?Titular do Banco? o marque como um jogador de segundo tempo? Denílson - Na Seleção não dou importância a isso. Sei que posso ser titular. Jogo há quatro anos no meu time como titular. Estou indo para minha segunda Copa do Mundo com 24 anos e tenho, provavelmente, mais duas Copas. Sinto que sou útil. Com o Zagallo, em 1998, era igual. Eu sabia que entraria. Com o Felipão é a mesma coisa. É engraçado isso, mas, de repente, eu tenho mais prestígio que alguns dos 11 que começam jogando. Mas não é frustrante ficar assistindo de fora? Denílson - É lógico que, se eu estivesse em um clube, ficaria chateado. Pela Seleção, por tudo o que passei há um ano, não tem como, pois aqui estão os que, na teoria, são os melhores. Onde aprendeu a driblar tão bem? Denílson - Deve ser um dom. Não sei como isso aconteceu. Talvez nas peladas de ruas, em Diadema, nos jogos de três contra três. Um drible desconcertante é tão emocionante quanto um gol? Denílson - É realmente como se fosse um gol, já que eu não sou de fazer gols mesmo. Acha que seu estilo de jogo (driblador) está com os dias contados? Atualmente, crianças com 8, 10 anos já aprendem a obedecer sistemas táticos. Denílson - Não sei! Meu estilo não vou mudar. Acho legal que surjam mais craques. Garrincha, Canhoteiro, Rivelino, foram eles que criaram a identidade do futebol-arte para o Brasil. Mas se você tivesse uma escolinha de futebol, como orientaria as crianças? Denílson - É complicado. Cada garoto tem um estilo. Muitas vezes se ganha um jogo com um drible. Muitas vezes dar um drible decide um título. Já teve problemas com treinadores por causa de seu estilo? Denílson - Já recebi muita bronca por não tocar a bola. Na Espanha, um técnico me barrou porque não gostava desse estilo. Não deixei de driblar por causa dele. Posso até errar um passe, mas não driblo mais por diversão, mas sim com o objetivo de criar uma jogada. Antes, no São Paulo, driblava por driblar. Passava pelo zagueiro e queria voltar para outro drible.

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