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Preparo f�sico vale por um jogador a mais na Copa

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São Paulo - No jogo entre Alemanha e Arábia Saudita havia algo mais que a diferença imposta pela tradição, experiência e melhor futebol dos tricampeões. Estava em campo, ainda, a diferença absurda de preparação física e força muscular. Os números - que de modo geral não servem para determinar verdades absolutas, mas são excelentes para entender o que ocorreu - mostram uma seleção, a alemã, extremamente forte e alta enfrentando sauditas mais baixos e fracos. Os alemães são os mais altos da Copa. Em média, seus jogadores têm 1,84 metro. Na Arábia, os atletas ficam em 1,78 metro. Essa informação dá uma boa pista do porquê - fora a imensa disparidade técnica - de cinco dos oito gols da Alemanha terem sido feitos de cabeça, especialidade dos europeus. Além disso, os alemães são em média 9,6 quilos mais pesados que os sauditas. Diferença evidente em todas as bolas divididas. A condição física muito apurada é uma tendência de alguns anos. Neste Mundial, é possível observar uma coleção de atletas muito fortes, altos e pesados. Para o professor Turíbio Leite de Barros, da Unifesp, o futebol não tem razão para priorizar jogadores de maior estatura. A força física, no entanto, tem sido a tônica da preparação dos atletas. Há basicamente duas razões para isso. A primeira é a tentativa da escola do futebol-força de anular os adversários talentosos por meio do vigor físico. ??É isso o que você consegue desenvolver, porque talento só pode ser aprimorado?, disse. ?O garoto nasce com ele?. A segunda razão diz respeito à competitividade. Há 30 anos, os jogadores corriam em média de 8 a 10 quilômetros por jogo. Mais bem preparados, passaram a correr de 10 a 14. Favoritismo relativo Para que o talento pudesse jogar, mesmo os mais habilidosos passaram a se preparar e a buscar a mesma condição atlética. Com todos correndo mais, o tempo para pensar numa jogada diminuiu. ?Há uma tendência do preparo físico reduzir as diferenças técnicas?, disse. ?Já não se tem mais, em certos jogos, o mesmo favoritismo absoluto de antes?. França e Uruguai demonstraram quanto vale estar em forma. No primeiro tempo do jogo entre as duas seleções, a França teve um jogador expulso e disputou o resto da partida com 10 em campo contra 11 uruguaios. Os sul-americanos ameaçaram muito mais que os europeus até o segundo tempo, quando ficaram sem pernas para acompanhar o ritmo dos franceses. O jogo ficou igual e em diversas ocasiões favorável à França. O melhor preparo físico valeu por um jogador, compensando a expulsão. Jogadores de outras épocas teriam de passar muitas horas nas salas de musculação para se equiparar aos jogadores de hoje. Leônidas da Silva, o Diamante Negro, um dos maiores atacantes da história, tinha 1,73 metro e pesava 75 quilos. Na Seleção Brasileira que foi ao Oriente, ele seria um dos mais baixos e seu índice de massa corpórea - que entre os atletas varia de 20 a 25 - estaria um pouco acima do limite, em 25,05. O índice não serve para fazer afirmações sobre a condição do jogador, pois há outras variáveis que devem ser levadas em conta. Mas o número alto em atletas da atualidade tem, de modo geral, mais relação com músculos que com gordura. Não é o caso, por exemplo, de Gerd Müller. O atacante alemão, maior artilheiro de todas as copas, tinha um índice de 25,14. Seu 77 quilos distribuídos por 1,77 metro lhe valeram o apelido de O Gordinho. O artilheiro alemão desta Copa, Klose, é mais leve e mais alto. Beckenbauer teria peso e altura - e muito futebol - para jogar no time atual. Mas seria considerado magrinho. O chefe do Centro de Traumatologia do Esporte da Unifesp, Moisés Cohen, diz que, hoje, os atletas exercitam todo o corpo e não apenas as pernas. ?Isso faz parte de uma preparação que mantenha equilíbrio?. Daí os atletas ficarem cada vez mais fortes. Mesmo os brasileiros - cujos baixinhos e os homens de estatura mediana sempre decidiram os jogos - estão com 1,81 metro de altura média, mesmo tendo o mais baixo dentre todos os atletas do Mundial. Juninho Paulista tem 1,65 metro. ?O esporte é cada vez mais competitivo?, disse Moisés. ?Não tem muito mais espaço para aquele garoto mirradinho e com ginga. É preciso também uma condição física específica?, concluiu.

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