Esportes
Argentina tem jogo de vida ou morte diante da Su�cia
Hirono, Japão ? ?Ninguém pode entrar, está tudo fechado?. As palavras são de um segurança japonês, em frente do J-Village, o Centro de Treinamento da Argentina, em Hirono, no Nordeste do Japão. Os jogadores estão confinados no local e completamente afastados da imprensa. O técnico Marcelo Bielsa não quer que eles percam a concentração ou se desgastem ao rebater críticas de jornalistas. Afinal, para o time é tudo ou nada na partida da madrugada desta quarta-feira, às 3h30, contra a Suécia, em Miyagi, pelo Grupo F. O excêntrico Bielsa passou os últimos dias tentando esconder sua estratégia de jogo, mas todos já perceberam - inclusive os suecos - que a Argentina entrará em campo com uma formação bem mais ofensiva. Pablo Aimar deve ganhar a vaga do astro Verón e Claudio Lopez entrar no lugar de Kily González ou Sorín. Na defesa, Chamot pode substituir Placente. Ayala continua fora. Na derrota para a Inglaterra, a seleção entrou em campo com apenas um atacante, Batistuta, que sentiu falta de um companheiro para fazer tabelas. Desta vez será diferente, porque um empate eliminará os badalados argentinos da Copa do Mundo. Em caso de igualdade, a Suécia avança para as oitavas-de-final. A Inglaterra precisa de um ponto diante da já eliminada Nigéria para permanecer na competição. Por isso, o time vai se arriscar desde o início, mesmo sabendo que poderá oferecer o contra-ataque aos rivais. Bomba Não passa pela cabeça dos argentinos uma eliminação precoce. Todos têm consciência de que um fracasso cairia como uma bomba no país, que não precisa de mais nenhuma explosão. Já vive uma situação caótica sem precedentes. Eles temem nova revolta popular, como ocorreu na Rússia, no domingo, após a derrota da equipe para o Japão. Um dos poucos focos de alegria do povo é o futebol. E a seleção vinha fazendo bem a sua parte. Classificou-se nas eliminatórias sul-americanas na primeira posição, bem à frente do Brasil, por exemplo. O que preocupa, porém, é que o adversário vem muito motivado, depois de ter jogado bem diante da Inglaterra e da Nigéria. Um empate é considerado, por jornalistas e pelos próprios torcedores no Japão, um resultado normal. Pelas circunstâncias, uma queda precoce dos argentinos já não é encarada como uma grande surpresa, apesar de o time de Bielsa ter entrado no Mundial como um dos grandes favoritos ao título. ?Não queremos de jeito nenhum voltar para casa tão cedo?, declarou Batistuta. O técnico sueco, Lars Lagerback, que não contará mais uma vez com o zagueiro Patrik Andersson, acredita que sua equipe pode tirar proveito da situação delicada da Argentina. ?Essa pressão é muito grande porque a Argentina tem muita tradição no futebol e as pessoas não aceitam uma eliminação na primeira fase?. O meia da seleção sul-americana Pablo Aimar, porém, crê que o grupo pode tirar dessa pressão um meio para se motivar ainda mais. ?Sempre respondemos bem quando somos pressionados?. No retrospecto, vantagem para os europeus: 1 a 0. Na única vez em que se enfrentaram em Copa do Mundo, os suecos venceram por 3 a 2, em 1934, na Itália. Argentina: Cavallero; Pochettino, Chamot (Placente) e Samuel; Zanetti, Simeone (Almeyda), Aimar, Sorín e Ortega; Claudio Lopes e Batistuta. Suécia: Hedman; Mellberg, Mjalby, Jakobsson e Lucic; Linderoth, Alexandersson, Lyunberg e Magnus Svensson; Allback e Larsson.