Esportes
Dinamarca elimina Fran�a e � 1� do grupo
Incheon - Durou três melancólicos jogos a aventura da França na Copa do Mundo de 2002. Doze dias - ou 270 minutos - foram suficientes para os atuais campeões do mundo deixarem seu orgulho nos campos da Coréia do Sul e, sem a sonhada passagempelo Japão, voltarem constrangidos a seu país. Sem glórias e sem gols e com a reputação arranhada por dinamarqueses, senegaleses - os dois classificados no Grupo A - e os também eliminados uruguaios. A derrota para a Dinamarca, ontem, por 2 a 0, em Incheon, foi a pá de cal nas pretensões francesas de serem bicampeões. O drama de Zidane, impotente para ajudar seus perplexos companheiros, traduziu bem o que foi seguramente a maior decepção do primeiro Mundial do século XXI. Com uma proteção na coxa esquerda, o astro da Copa anterior tentou o quanto pôde, mas esbarrou na sólida equipe nórdica e nas limitações de coadjuvantes como Candela, Makelele e Dugarry. Mesmo visivelmente sem a melhor condição física e mais parado do que o habitual, Zidane tentou centralizar os lances de ataque da França. Mas o estado precário do craque facilitou a marcação da Dinamarca, que entrou em campo com uma formação cerrada no meio-campo, com seis homens e apenas Tomasson à frente. O primeiro gol: aos 22 minutos, Tofting cruzou da direita por sobre a defesa francesa e Rommedahl surgiu livre na área para deslocar Barthez e marcar. A França via ficar mais distante a chance de justificar seu favoritismo e avançar na Copa da Ásia. Estóico, Zidane deu um chapéu num adversário no meio-de-campo, aos 25, e tentou a arrancada, mas foi facilmente desarmado na seqüência. Os franceses eram reféns de um jogador sem a menor condição de ser útil. O pesadelo só aumentava, com o passar do tempo. Deficiências Para o segundo tempo, a Dinamarca voltou com Gronkjaer, titular nos dois jogos anteriores, no lugar de Jorgensen. Mas a disposição tática e a movimentação nórdicas não se alteraram. Nem os problemas da França: deficiências na finalização e o mau estado físico e clínico de seu camisa 10. Aos cinco minutos, Zidane cobrou escanteio da direita e Desailly cabeceou na trave. Aos sete, o técnico Roger Lemerre trocou Dugarry pelo jovem Cisse. Aos 13, Zidane tentou chutar de canhota, da meia-lua, mas a bola bateu na defesa adversária. Aos 15, em aí já raro contra-ataque dinamarquês, Gronkjaer arriscou de longe, mas a bola cobriu o travessão de Barthez. Os franceses continuaram a pressionar e a arriscar tabelas pelo meio da área, mas esbarravam na bem postada defesa. Aos 22, o segundo contragolpe da Dinamarca despachou de vez a França para casa. Gronkjaer recebeu a bola pela esquerda, tendo puxado pela camisa um francês sem que o árbitro visse e cruzou forte, por baixo, para Tomasson aumentar o marcador. Era o quarto gol do atacante na Copa. O jogo estava decidido. A Dinamarca já pensava no jogo de sábado próximo, na japonesa Nyigata, contra o segundo colocado do Grupo F (Suécia, Inglaterra, Argentina e Nigéria) e a França, em como explicar em casa o maior vexame de sua história. França: Barthez; Candela, Thuram, Desailly e Lizarazu; Vieira (Micoud), Makelele, Zidane e Wiltord (Djorkaeff); Dugarry (Cisse) e Trezeguet. Dinamarca: Sorensen; Jensen, Laursen e Helveg; Rommedahl, Gravesen, Henriksen, Poulsen (Bogelund), Tofting (Nielsen) e Jorgensen (Gronkjaer); Tomasson.