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Ronaldo: feliz reencontro com os gols

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Suwon, Coréia do Sul - Em 1993, em frente ao extinto Hotel Brasilton (hoje Braston), no centro de São Paulo, um garoto carioca, dentuço e acanhado, chamado Ronaldo, dava entrevista para um jornalista. Motivo: ele surgia como artilheiro do Campeonato Brasileiro e era a principal revelação do Cruzeiro. Ao seu lado, prestando atenção em tudo o que dizia, o técnico Ênio Andrade, já morto. O garoto estava feliz. Havia acabado de ganhar um Golf e abriu largo sorriso ao falar do presente. Nove anos depois, muita coisa mudou na vida de Ronaldo Luís Nazário de Lima. Menos o sorriso, sincero e marcado pelos dentes proeminentes. Ele saiu do Brasil para o PSV, da Holanda, de lá para o Barcelona, da Espanha e, depois, Inter, da Itália. Foi eleito melhor jogador do mundo por duas vezes, em 1996 e 1997. Ronaldo, aos 25 anos, viveu o seu céu e atravessou o caminho do purgatório até a porta do inferno. Desde a crise que sofreu no dia da final da Copa do Mundo de 1998, o ?Fenômeno?, como é chamado pelos torcedores italianos, tinha perdido a paz. O peso da derrota do Brasil para a França e as acusações de uma ?amarelada? não seriam os maiores que suportaria. Vieram a primeira cirurgia no joelho direito, em 1999. Cinco meses depois, a volta, já em 2000. Um retorno frustrado. Jogando contra a Lázio, em Roma, Ronaldo teve ruptura do tendão patelar direito. Nova cirurgia, a segunda, que o tirou de ação por quase dois anos. Depois da volta, mais cinco meses penando com distensões e contraturas. A redenção veio com a Copa do Mundo. Após os quatro gols marcados no Mundial de 1998, Ronaldo voltou a ser o artilheiro que encantou o mundo. Em três jogos do Brasil na competição (Turquia, China e Costa Rica), o ?Fenômeno? marcou três vezes. Ele já admitiu que não interessa a artilharia. O que quer é o título. Está feliz. No gol que marcou, o primeiro do Brasil na vitória de 5 a 2 sobre a Costa Rica, já mostrou o mesmo sorriso de nove anos, quando com apenas 16 ganhou aquele Golf. Se ele dirigia? Sim, e pelas ruas de Belo Horizonte. Ninguém sabia, talvez só a polícia: ele já era o ?Fenômeno?.

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