Esportes
Copa de 1950: longa jornada de 12 anos
| João Máximo Agência O Globo A bordo do mesmo transatlântico Arlanza, que levava a seleção brasileira para a Copa do Mundo de 1938, viajava o jornalista Célio de Barros. Tinha um cargo: delegado brasileiro ao congresso que a Fifa realizaria no mês de junho em Paris. E uma missão: defender a candidatura do Brasil à sede da próxima disputa, a quarta da história, marcada para dali a quatro anos. Já não é possível saber o que, exatamente, levou o Brasil a acreditar que teria alguma chance de êxito. Seu prestígio junto à Fifa estava abaixo do que ostentavam Uruguai e Argentina, para citar os dois eternos rivais no continente. ### Prevista para 1949, Copa do Mundo foi adiada por um ano Uma candidatura tão forte que ? com todo seu status de campeã mundial, a caminho de sagrar-se bi ? a Itália desistiu de ser, em 1942, a anfitriã que já tinha sido em 1934. De qualquer forma, presidida por Jules Rimet, a Fifa anotou as duas candidaturas oficiais, mas nada decidiu em Paris. Deixou para fazê-lo, em Luxemburgo, no congresso de 1940. Motivos da hesitação: o Brasil, além de muito distante do centro e do coração do futebol mundial, talvez não estivesse preparado para um evento de tal dimensão; e a Alemanha, sobretudo depois do Anschluss austríaco, ocorrido dois meses antes da abertura da Copa do Mundo de 1938, era o alvo das apreensões de toda a Europa sobre a possibilidade de nova guerra mundial. ### Uruguai: trauma para décadas Não era para ter aquele final. Escorada em uma seleção repleta de craques e ídolos, como Zizinho, Jair Rosa Pinto, Ademir Menezes, Bauer, entre outros, o povo vivia dias de euforia na expectativa da conquista do primeiro título mundial do Brasil, que os políticos e os jornais já davam como certa bem antes mesmo de a bola começar a rolar, naquele 16 de julho de 1950. Dizia-se que nada poderia impedir a consagração do futebol brasileiro, tampouco os uruguaios, tradicionais adversários. ///