Esportes
Finalistas quase perderam a grande festa do Mundial
Yokohama - Brasil e Alemanha, as potências que fazem uma final inédita de Copa do Mundo no domingo, têm, além de títulos e muitas vitórias na história competição, algo desagradável em comum. Há pouco menos de um ano, as duas seleções viveram o drama de poder ficar de fora de um Mundial. Os técnicos Luiz Felipe Scolari e Rudi Voeller tinham os cargos ameaçados. De desacreditados, Brasil e Alemanha passaram, agora, a ser a principal atração do espetáculo. Os brasileiros conseguiram a classificação para a Copa do Japão e Coréia do Sul apenas na última rodada das eliminatórias sul-americanas. Enquanto a rival Argentina garantira a vaga com antecedência e tranqüilidade, o time de Felipão dependeu de uma vitória contra a Venezuela por 3 a 0, no dia 14 de novembro, no Maranhão, para ficar entre os quatro melhores do continente e carimbar o passaporte para a Ásia. Até então, o futuro do Brasil era incerto. A possibilidade de terminar a seletiva na quinta colocação e ter de disputar uma repescagem contra a Austrália era grande. A chance de não ficar sequer entre os cinco primeiros e amargar pela primeira vez a ausência em uma Copa do Mundo assustava brasileiros em todos os cantos do País. O maior fracasso da história da Seleção tetracampeã mundial era uma realidade próxima. Aliviado Às vésperas do duelo contra os venezuelanos, Felipão nem sabia qual seria o ataque titular. Ronaldo, que poderia ser o salvador, ainda se recuperava de contusão. Romário era o fantasma que Felipão lutava para afastar. Luizão, então, jogou, fez dois gols e virou herói. O treinador respirou aliviado e conseguiu manter o emprego. Logo após a vitória sobre a Venezuela, o diário esportivo Olé, da Argentina, chegou a prever que o Brasil não iria longe no Mundial, não passaria da primeira fase. Curiosamente, foi a badalada Argentina que não alcançou as oitavas-de-final na Ásia, a exemplo da favoritíssima França. O mesmo dia 14 de novembro foi de alívio para os alemães. Uma vitória por 4 a 1 sobre a Ucrânia, em Dortmund, em duelo válido pela repescagem, classificou a seleção para a Copa. Foram dois gols de Michael Ballack, que, agora, suspenso, não vai enfrentar o Brasil. Quatro dias antes, em Kiev, houve empate por 1 a 1 e a ansiedade para o segundo jogo da decisão era grande. A Alemanha estava abalada. Na primeira fase das eliminató-rias européias, teve de engolir uma goleada por 5 a 1 para a Inglaterra, em Munique, pela penúltima rodada. Antes do jogo contra a Ucrânia, as previsões eram as mais pessimistas possíveis. O próprio Franz Beckenbauer admitia a grande possibilidade de fracasso e falava em renovação para não fazer feio em casa, na Copa de 2006. Dias após a classificação, Felipão e Voeller encontraram-se em Seul por ocasião do sorteio dos grupos do Mundial. O brasileiro foi solidário ao alemão e lembrou que ambos estavam com a ?corda no pescoço?. Disse esperar um encontro na decisão de Yokohama, o que vai realmente acontecer, sete meses depois. E um dos dois, o campeão, terá, com certeza, um lugar de destaque na história do futebol mundial.