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Melhor goleiro da Copa fracassa no jogo final
Yokohama - Ele chutou a bola em Felipão. Xingou Lúcio em alto e bom som, porque sabia que o brasileiro fala alemão. Deu soco em jogador adversário e defendeu tudo o que pôde. Mas ele não é um Deus. Nada pôde contra um chute do pernambucano Rivaldo. Bola rasteira. Quis encaixar. Soltou. Também nada pôde contra um chute colocado do carioca Ronaldo. Entretanto, Oliver Kahn, goleiro da Alemanha, foi corpo e alma de seu time durante a Copa. Por merecimento e justiça, acabou eleito o melhor goleiro da Copa. Quem acompanhou a competição não teve dúvida: ele realmente foi o melhor. Ao final do jogo, Kahn ajoelhou-se à frente do gol. O que disse, apenas ele e Alguém sabem. Tudo o que fez em campo, naquele momento, não interessava. Era o gesto dos que, mesmo grandes, não perdem a humildade. E com humildade Kahn se dirigiu ao técnico Felipão, do Brasil, e deve ter pedido desculpas pela bola que chutou no treinador. O que ambos conversaram, Felipão vai revelar nos próximos dias. Oliver Kahn foi corpo e alma de seu time durante a Copa do Mundo. Um time que saiu de seu país cercado pelo descrédito. Dirigentes, imprensa e torcida, quase que de forma unânime, reconheciam nessa equipe a de menor talento nos últimos 20 anos. Indo contra a maré, como não poderia deixar de ser, Kahn avisava que o time poderia surpreender. E a Alemanha surpreendeu. É vice-campeã mundial. Com ou sem talento, chegou lá. E muito por obra dele. O time tomou apenas três gols ao longo da competição. Um diante da Irlanda, na fase de classificação. Os outros dois na final. É algo admirável. Se o ataque da Alemanha foi sensacional nos 8 a 0 diante da claudicante Arábia Saudita e, nos demais jogos, viveu à base de minguados um a um ou um a zero (a única exceção foram os 2 a 0 em Camarões), a defesa e Kahn foram excepcionais. Oliver Kahn volta agora para a Alemanha. Vai ser recebido como herói e, como grande homem, com certeza não vai perder tempo em alfinetar detratores. A Alemanha é vice-campeã mundial. Kahn é o melhor goleiro do mundo. Numa cultura como a brasileira, que não valoriza o segundo lugar, talvez ele estivesse morto. Na Europa é diferente. Kahn estará no panteão dos grandes. E ele merece.