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Scolari consagra tr�s zagueiros na Sele��o
Yokohama - Pela primeira vez, o Brasil é campeão mundial com um esquema que foge das características táticas históricas do País. Com a vitória de domingo sobre a Alemanha, Luiz Felipe Scolari colocou o 3-5-2 na galeria dos times nacionais que tiveram o gosto de conquistar uma Copa do Mundo. Nos quatro títulos anteriores, a Seleção atuou com o esquema de dois laterais e dois beques, que formavam a tradicional linha de quatro defensores. Apesar de sempre ter insistido no 3-5-2, o treinador gaúcho fez algumas variações no Mundial. Contra rivais que usavam apenas um atacante, Scolari adiantou Edmilson da zaga para o meio-campo. Também apostou no início da competição no meia-atacante Juninho para fazer o papel de segundo volante da equipe. O jogador do Flamengo recebeu menção especial do treinador em entrevista após o jogo. Segundo Scolari, Juninho teve papel decisivo na conquista do título mundial, por ter sido um dos responsáveis pelas folgadas vitórias na primeira fase, que deram, segundo o gaúcho, moral suficiente para seu time superar depois rivais mais fortes. Contra os alemães, entretanto, o que aconteceu foi o uso de um clássico 3-5-2. Temendo a forte jogada aérea de seus adversários, o Brasil manteve os três zagueiros nas funções tradicionais. A opção de Scolari deu resultados. Seu time teve na decisão um desempenho defensivo muito acima da sua média do que no resto da Copa. Destaque Cafu, acusado pelo treinador de não marcar com eficiência pouco antes do Mundial, o que teria provocado a adoção do 3-5-2, mais uma vez se destacou no fundamento. O título ganho domingo com um sistema que foge da tradição do futebol do País empolgou o pioneiro dessa tática na Seleção. ?A vitória do 3-5-2 é importante para o futebol brasileiro ganhar variação. Muitas pessoas são tradicionalistas e não aceitam mudanças. O time do Scolari mostrou que é possível jogar sem uma linha de quatro zagueiros no nosso País?, diz Sebastião Lazaroni, que comandou a primeira tentativa da equipe nacional de jogar com esse esquema. Ele colheu um fracasso retumbante: derrota nas oitavas-de-final da Copa de 1990, disputada na Itália. Já Carlos Alberto Parreira, campeão mundial com a Seleção em 1994, não condena mais com a mesma veemência do que no passado essa tática. ?Nunca disse que fui contra o 3-5-2. Simplesmente tenho preferência por quatro zagueiros, que é uma característica do futebol brasileiro?, afirma o cam-peão, comandando o Corin-thians, da última edição da Copa do Brasil. Tanto Lazaroni quanto Parreira estiveram no hotel que abrigou a Seleção em Yokohama, sendo que o segundo recebeu muito mais atenção de Scolari. Além da Seleção, experiências recentes com o esquema que consagrou Scolari resultaram em bons resultados para clubes do país em competições nacionais. O Atlético-PR ganhou o último Campeonato Brasileiro jogando com essa formação. O Grêmio venceu a Copa do Brasil-2001 e está nas semifinais da Libertadores-2002 também atuando dessa forma. Antes, o 3-5-2 tinha obtido seu maior destaque no País com o modesto Mogi Mirim, que revelou, adotando essa tática, o meia-atacante Rivaldo, um dos grandes destaques brasileiros na conquista do pentacampeonato.