Esportes
Copa leva humildes para a consagra��o
São Paulo - Para o futebol, cada Copa do Mundo é um divisor de águas onde alguns times, técnicos e atletas saem valorizados e outros perdem um prestígio que só poderá ser devidamente recuperado daqui a quatro anos, na próxima edição da competição. O Mundial encerrado domingo, em Yokohama, no Japão, teve como marca registrada uma mudança radical dos valores do esporte, que elevou os humildes. Quem ganhou e quem perdeu com a Copa? A própria Seleção Brasileira e seus integrantes foram, sem dúvida, os maiores beneficiados. Ronaldo provou estar totalmente recuperado das duas cirurgias no joelho, Rivaldo consolidou sua posição de craque e o técnico Luiz Felipe Scolari mostrou ter sido acertada a opção de deixar Romário fora do Mundial, apostar em atletas de confiança e adotar, a contragosto da maioria dos especialistas, pelo esquema 3-5-2. A situação foi semelhante à da Alemanha, que entrou na Copa desprezada e virou exemplo de superação. Mas o Brasil não foi o único consagrado. A Copa revelou algumas boas novidades, como as seleções de Senegal, Coréia do Sul e Turquia com seus respectivos técnicos Bruno Metsu, Guus Hiddink e Senol Gunes. Certamente o trio não terá dificuldades de encontrar clubes dispostos a oferecer bons contratos. O Mundial também apresentou seus novos astros como o senegalês Papa Diop, o turco Hasan Sas e o co-reano Ahn, quase desconhecidos antes do início da competição. Veio da Coréia uma das imagens mais bonitas da competição: o ?mar vermelho? criado pela multidão de torcedores apaixonados e civilizados. Se a Copa foi rica de boas surpresas, também foi farta de decepções. Certamente o ponto mais negativo do Mundial foi a péssima atuação da arbitragem que acabou interferindo diretamente no resultado de partidas e na eliminação de algumas seleções. Mas houve uma exceção: o juiz italiano Pierlugi Collina, que apitou a decisão. Mas, independente da arbitragem, algumas equipes foram traídas pelo sentimento de auto-suficiência e renderam muito menos do que se esperava. Foi o caso da equipe da França que já tropeçou na estréia contra Senegal. Seu principal astro, Zinedine Zidane, se contundiu dias antes do início da Copa e na única partida que disputou esteve longe de mostrar o futebol que o consagrou quatro anos antes. Outra atuação apagada foi do meia português Luís Figo, que naufragou com Portugal. Outro time que decepcionou foi a Argentina, que chegou com o status de favorita ao título e saiu da Copa pelos fundos, eliminada na primeira fase do Mundial. O choro de Batistuta na partida contra a Suécia foi a imagem da derrota na Copa que deu uma rasteira nos orgulhosos.