Esportes
Organizadas: caso dif�cil de se resolver
Aconteceu de novo. O clássico CSA x CRB, além de ser considerado o das Multidões, como reza a boa tradição, virou ? isso para a infelicidade dos que gostam da alegria e do colorido ? caso de polícia. Domingo passado, fatos de violência foram novamente verificados antes e depois do clássico. Motivada pelo fato, a Gazeta caiu em campo para tentar remontar os bons tempos em que o grande clássico de Alagoas era tão somente sinônimo de entretenimento e de gozações. Essa reportagem traz ainda explicações do porquê da transformação dos estádios em palcos de guerra entre facções de torcedores nos tempos atuais. ### A paz reinava no clássico CSA x CRB Torcedor da Velha Guarda do CSA, Zé Emílio tem saudade da época em que ia aos estádios sem medo de vestir a camisa do Azulão. Naquela época, o chefe da torcida azulina era Neto, hoje com 82 anos. ?Ele trabalhava na Casa Fox, do então presidente do CRB, Biano?, diz Emílio, acrescentado que Cabral substituiu Neto na torcida do CSA e veio com a charanga. ### Violência afasta os torcedores O torcedor regatiano Adauto Mendes é um dos muitos que deixaram de ir aos estádios com a família, sobretudo com os filhos. Apaixonado pelo CRB, sempre ia aos jogos com os dois filhos Gabriel, 11, e Gabrielle, 10. Mas isso foi até o ano passado, no Campeonato Alagoano. De lá para cá, os garotos ficam em casa e ele vai sozinho. ?Não os levo mais porque a violência está grande, dentro e fora dos estádios. Eles ficaram com medo e não vão mais. Só vou levá-los quando estiverem maiores, pois hoje é muito arriscado. Se for para ter algum tumulto e eu apanhar, prefiro apanhar sozinho?, justifica. Ele diz que assistia aos jogos com os filhos nas gerais do Rei Pelé. Mas a decisão de não levar as crianças não é só para os jogos no Trapichão. ?Não levo em outros estádios, porque também há brigas entre torcedores?, revela. ### Para torcedor, polícia militar não está preparada Para Marcelo Rocha, presidente da torcida do CSA Mancha Azul, não se pode comparar o momento atual com 20 ou 30 anos atrás. ?Infelizmente hoje os tempos são outros. A violência cresceu em todas as áreas, não apenas nas torcidas, nos estádios. É uma questão social?, opina. Segundo ele, muitos parabenizaram o Ministério Público por ter proibido as organizadas de irem aos estádios e seus componentes de usarem camisas ou materiais alusivos a elas. ?Tal medida não resolveu. A violência não acabou. O que acaba com a violência não é a extinção das torcidas, mas a punição de quem comete atos ilícitos?. Ele diz que no último jogo entre CSA e Corinthians, no Estádio Nelson Feijó, ninguém foi preso. ///