COLUNA DO MARLON
Marta: a grandeza sem manual
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Por que Marta é tão grande? A resposta não está apenas nos dribles, nos gols ou nas premiações. Marta é gigante porque venceu antes mesmo de entrar em campo. Nordestina, sertaneja, nascida em Dois Riachos, interior de Alagoas, desejando ser jogadora de futebol num tempo em que isso não cabia no imaginário social. Tinha tudo para dar errado, mas ela não aceitou esse destino.
Saiu do sertão para o Rio de Janeiro e começou a escrever sua história. Uma história de luta contra o preconceito por ser mulher, por ser do interior, por sonhar alto.
Disseram que ela era masculinizada, que não teria futuro no esporte. Ouviu, mas respondeu com atitude. Marta não pediu licença, ocupou o espaço.
Transformou-se em símbolo global, inspiração para milhares, referência incontestável no esporte. É a maior artilheira das Copas do Mundo. Recebeu prêmios, títulos, quebrou recordes. Mas, acima de tudo, quebrou barreiras.
Os gols marcados na Copa América têm seu valor, mas Marta sempre jogou por algo maior. Uma Copa do Mundo ainda falta em sua galeria. Em 2027, jogando em casa, quem sabe o futebol não resolva retribuir?
Seria justo. Seria simbólico. Seria o desfecho perfeito para quem transformou a exceção em regra e mostrou que o talento não tem endereço fixo.