ATLETISMO
Brasil repete 2021 e fica no terceiro lugar da São Silvestre
África seguiu no topo, com vitória da Etiópia no masculino e Tanzânia no feminino


A centésima edição da Corrida de São Silvestre teve fortes emoções na manhã dessa quarta-feira (31). A África manteve sua hegemonia tanto no masculino quanto no feminino.
Entre as mulheres, Sisilia Panga, da Tanzânia, ficou no lugar mais alto do pódio, com o tempo de 51 minutos e nove segundos. No masculino, Muse Gizachew, da Etiópia, venceu a prova em 44 minutos e 28 segundos, com direito a uma ultrapassagem nos últimos metros da disputa.
O desempenho dos brasileiros foi o mesmo de 2021, com o terceiro lugar para Núbia de Oliveira, no feminino, e Fábio Jesus Correia, no masculino.
Alagoano inscrito na prova, Valdecir da Costa ficou na 3543ª colocação no masculino, dentre 28.014 atletas. Entre os idosos, encerrou a corrida no 126º lugar, com 1.666 concorrentes.
PROVA MASCULINA
O queniano Wilson Maina apostou na mesma estratégia do ano passado e realizou uma largada intensa, distanciando-se dos demais corredores nos primeiros minutos de prova. Entretanto, por volta do quilômetro cinco, ele começou a perder rendimento e ficou para trás.
A liderança passou a ser disputada por quatro africanos: Jonathan Kamosong (Quênia), Reuben Poguisho (Quênia), Joseph Panga (Tanzânia) e Muse Gizachew (Etiópia). Em seguida, Jonathan disparou à frente dos concorrentes e assumiu a liderança.
Na altura da temida subida, Jonathan seguiu tranquilo, sem ter a ponta ameaçada. O brasileiro Fábio Jesus manteve-se firme na terceira colocação e terminou a prova no pódio.
Quando tudo parecia se encaminhar para uma vitória de Kamosong, o cenário mudou rapidamente. Nos momentos finais, Muse Gizachew deu um forte sprint, ultrapassou o adversário e cruzou a linha de chegada como grande campeão da São Silvestre.
PROVA FEMININA
A largada da prova feminina foi equilibrada, sem nenhuma atleta disparando na frente. Cynthia Chemweno, do Quênia, Sisilia Panga, da Tanzânia, e a brasileira Núbia de Oliveira se desgarraram do pelotão e lideraram a corrida durante boa parte do percurso.
Após cerca de oito minutos de prova, a queniana assumiu a liderança de forma mais isolada, com a tanzaniana logo atrás. Pouco antes da metade do percurso, Sisilia ultrapassou Chemweno e abriu vantagem na primeira colocação.
Com isso, a atleta da Tanzânia chegou à reta final com ampla folga e cruzou a linha de chegada em primeiro lugar, garantindo o título da 100ª edição da São Silvestre.
RECORDE DE PARTICIPANTES
Realizada anualmente desde 1924, a Corrida de São Silvestre tornou-se centenária em 2025. O “atraso” na comemoração dos 100 anos se deve ao cancelamento da edição de 2020, em razão da pandemia de Covid-19.
A prova foi retomada no ano seguinte e, nesta edição, bateu recorde de participantes, com um total de 55 mil inscritos.
AVALIAÇÕES
Núbia de Oliveira terminou na terceira colocação pelo segundo ano consecutivo. Ela avaliou seu desempenho e projetou a busca pelo primeiro lugar nas próximas edições.
“Vim aqui para buscar o primeiro lugar, o mais alto do pódio. Não saiu este ano, mas acredito que vai acontecer. A prova de hoje me deu mais confiança e mais vontade de voltar para casa e dar continuidade ao meu trabalho”, afirmou.
Por sua vez, Fábio Jesus lamentou a falta de incentivo ao atletismo e destacou os treinamentos realizados nas ruas.
“Brigar com os africanos não é fácil. A gente treina e se dedica demais. É uma pena que o Brasil não incentive o atletismo, um esporte tão importante. Treinei na rua, porque as pistas não são liberadas para nós. Não fiz treinamento em altitude. Só tenho que agradecer ao meu treinador e à minha equipe”, concluiu.
