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SUPERAÇÃO

Ariel fechou o gol, e a vida abriu a ferida

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Imagem ilustrativa da imagem Ariel fechou o gol, e a vida abriu a ferida
| Foto: — Foto: Reprodução/Instagram

Na última terça-feira (6), o CSA empatou em 0 a 0 com o Bahia, pela segunda rodada da Copinha. Só que esse placar não explica o que aconteceu. O CSA não saiu com três pontos, mas saiu com um símbolo.

Pedro Ariel fechou o gol contra o Esquadrão de Aço, pegou tudo, e na hora do pênalti apareceu a defesa que muda um dia inteiro: rebate, sobra, e ele salva com os pés, no instinto, no desespero, na coragem

Depois, veio o que realmente pesa. No story, a camisa com “Peu vive” e uma frase curta, sem teatro, do jeito que a dor fala: “Eu só queria o senhor aqui”

O pai dele, Pedro Lúcio, o “Peu”, era azulino. Foi espancado em maio de 2023, após CSA x Confiança, e morreu dias depois. A investigação apontou autores ligados à torcida organizada do CRB, numa retaliação que não tem nada de futebol e tudo de barbárie. A parte mais dura, o filho era atleta da base do CRB quando perdeu o pai. Às vezes, a vida gosta de testar limites.

Só que essa história tem um ponto que precisa ser dito, com todas as letras: Alagoas respondeu. A Polícia investigou, identificou, prendeu. O Ministério Público denunciou. A Justiça julgou. Em outubro de 2025, dois envolvidos foram condenados a 28 anos. Outros foram retirados do júri por falta de indícios, porque processo sério é isso, prova manda. Sem prova não pode ter plateia, mas com prova tem de ter consequência. E teve.

O que Ariel fez em campo foi futebol, sim. Mas foi também memória, luto em pé, recado para quem acha que torcida é salvo-conduto para virar predador. Estádio é lugar de família. Quem transforma arquibancada em arma precisa ser tratado como criminoso. Simples assim.

Naquela tarde, um goleiro não ganhou o pai de volta. Mas ganhou voz. E fez o Brasil inteiro ouvir, no silêncio de um 0 a 0, o barulho de uma ausência que ainda cobra justiça todos os dias.

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