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COLUNA DO MARLON

O clássico alagoano da quase multidão

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CSA e CRB em mais um clássico
CSA e CRB em mais um clássico | Foto: @Ailton Cruz

Clássico não é invenção local. É um fenômeno do futebol brasileiro e mundial. Flamengo e Fluminense, Grêmio e Internacional, Bahia e Vitória sobreviveram a más fases porque entenderam uma coisa simples: rivalidade também é ativo, é memória, é motor de receita, é identidade. O Fla-Flu, por exemplo, atravessou 1999 com o Fluminense na Série C e, mesmo assim, o clássico seguiu grande. A lição é direta: não basta existir o jogo, o ambiente que sustenta o jogo precisa estar à altura.

CSA e CRB formam, com folga, o maior patrimônio esportivo do futebol alagoano. São os clubes que puxam audiência, conversa, engajamento, patrocínio, consumo. Não existe outro evento no Estado que mobilize tanto quanto o encontro dos dois. O problema é que esse patrimônio passou a caber mal no próprio palco.

O chamado Clássico das Multidões nasceu quando multidão era literal. Teve jogo com mais de 30 mil no velho Trapichão. O Rei Pelé, inaugurado em 1970, foi pensado para receber essa energia. Hoje, em jogos de grande apelo, o público raramente passa de 15 ou 16 mil. Isso não é esfriamento de rivalidade. É limite físico e operacional. O estádio, na prática, encolheu. Arquibancadas interditadas, setorização restrita, acesso e conforto aquém do que o torcedor aceita pagar. O futebol mudou. O torcedor mudou. O clássico continua gigante, mas o entorno não acompanha. Quando se compara com Fla-Flu ou Gre-Nal, não é delírio, é referência de gestão. Lá, clássico é tratado como ativo econômico o ano inteiro. Aqui, ainda é tratado como evento ocasional, como se fosse “apenas mais um jogo”.

Não é coincidência que grandes públicos recentes de CSA e CRB tenham aparecido fora do clássico, ou só em situações excepcionais. O problema não está no jogo. Está na incapacidade do espaço de transformar esse jogo em acontecimento completo, daqueles que justificam o ingresso, o deslocamento, a família indo junto, a cidade respirando futebol.

Em ano eleitoral, essa discussão não pode viver de improviso e frase pronta. Ampliação do Rei Pelé? Um novo estádio? Parceria público-privada? Seja qual for o caminho, só existe um jeito sério de tratar o tema: estudo técnico, viabilidade financeira, cronograma, contrapartidas e transparência.

O clássico deste sábado será decidido no campo, como sempre. Mas o futuro do nosso futebol não depende do placar. Depende de reconhecer um fato incômodo: CSA e CRB são grandes demais para continuar jogando em um palco que já não comporta o tamanho da própria história.

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