COLUNA DO MARLON
Quem são os donos das torcidas organizadas?
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O Ceará voltou às manchetes por um motivo vergonhoso: primeiro, a violência das torcidas organizadas e, em seguida, a renúncia dos presidentes dessas “agremiações” após ordem de uma facção criminosa. O Ministério Público apura o caso, mas o que se sabe até aqui é que a obediência foi imediata. Em minutos, as redes sociais foram inundadas de vídeos de presidentes de organizadas anunciando renúncia. Aqui, é preciso deixar claro: não foi por consciência; foi o medo falando mais alto, porque o tribunal do crime pune a desobediência com morte. Simples assim.
A reflexão que mais incomoda é esta: quantos ainda vão defender as torcidas com base em argumentos como “paixão”, “cultura” ou “é só uma briga de torcida”? Não é. Está provado que o futebol virou pano de fundo para o tráfico. A arquibancada transformou-se em espaço para recrutamento, exibição de poder e circulação de dinheiro ilícito.
O Estado tem leis, investigação, denúncia, prisão e condenação. A facção tem ameaça, coação e execução. Quem confunde essas duas realidades ou é ingênuo, ou escolheu fechar os olhos.
Em Alagoas, o enfrentamento mostrou que é possível agir com eficácia. Aqui, o problema não foi tratado como “torcida problemática”, mas como facção criminosa disfarçada. Houve responsabilização, sedes lacradas, interdições e condenações. O Estado esteve presente com inteligência e investigação, não com discurso vazio. A mensagem foi clara: crime é crime e deve ser punido no rigor da lei.
Quando o Estado age com firmeza, o cidadão comum volta a ter espaço, a família retorna ao estádio e a festa volta a ser festa. Quem quer torcer não fica refém de bandido fantasiado de torcedor.
O futebol é grande demais para servir de fachada para a ganância do tráfico. Se a facção está ditando regras, incluindo pena de morte no pacote, não há mais dúvida: isso não é torcida, é crime organizado usando camisa e bandeira como disfarce.
